Manaus, 01 de June de 2026   |  

Bancada do AM teme saída de Ambev e Coca-Cola após Bolsonaro zerar IPI do polo de concentrados

| 29/04/2022 - 09:17
Por: Jornalismo/Canal92AM
Foto: Divulgação

Parlamentares da Bancada do Amazonas no Congresso Federal reagiram a mais um decreto de Bolsonaro que atinge em cheio a Zona Franca de Manaus. Desta vez, o decreto presidencial zera a alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) do polo de concentrados. Decisão foi publicada ontem no Diário Oficial da União (DOU).

Para os senadores e deputados, a medida acaba de vez com as vantagens do principal modelo econômico do Amazonas. Eles temem a saída de empresas como Coca-Cola e Ambev. Além do polo de concentrados, a primeira redução de 25% foi aumentada para 35%.

Além da bancada, o governador Wilson Lima se manifestou sobre o assunto e disse que vai novamente ao Supremo Tribunal Federal contra mais um decreto do presidente Bolsonaro.

"É inaceitável a insensibilidade do Ministério da Economia com o povo do Amazonas. Vamos fazer de tudo para defender os empregos gerados aqui”, disse o chefe do executivo estadual.

Zona Franca apunhalada às vésperas do Dia do Trabalhador

O senador Omar Aziz (PSD), líder da bancada, criticou Bolsonaro e disse que o decreto destrói um polo inteiro.

“Esse ataque atinge os trabalhadores de Manaus e também do interior, efetivamente de Maués, que produz guaraná; e Presidente Figueiredo, que produz o açúcar da Coca-Cola. São 7 mil empregos diretos em risco. Um absurdo às vésperas do dia do trabalhador”, escreveu Omar.

Segundo ele, os concentrados não têm influência sobre a inflação. “O presidente tem consciência do que está fazendo”, acredita o senador.

Bolsonaro quer enfraquecer a Zona Franca

O senador Eduardo Braga (MDB) foi outro que também se manifestou sobre o decreto. “Isso, obviamente, é mais uma ação para enfraquecer a Zona Franca. Nossa esperança, nesse momento, é exatamente o Supremo Tribunal Federal que, ao longo desses 55 anos [da ZFM], nos momentos graves e críticos, sempre defendeu o modelo econômico do nosso Estado”, disse.

Decisão afeta a ZFM no mercado internacional

O vice-presidente da Câmara dos Deputados, Marcelo Ramos (PSD), se disse indignado com a publicação. O deputado lembrou que, em reunião esta semana com o governador Wilson Lima, Bolsonaro prometeu resguardar a Zona Franca.

De acordo com o parlamentar, além de prejudicar os empregos, a decisão afeta a imagem do Polo Industrial de Manaus no mercado internacional.

“Nós temos em risco, e risco gravíssimo, o polo de concentrados instalado em Manaus. E, notadamente, o impacto sobre duas grandes marcas mundiais: a Coca-Cola e a Ambev. Se a Coca-Cola e a Ambev saírem de Manaus, e essa é a tendência se esse decreto não for revertido, nós temos uma imagem para o mundo de que a Zona Franca de Manaus não é um lugar seguro”, avaliou.

Empresas não terão mais razão para ficar em Manaus

O deputado federal Zé Ricardo (PT) afirmou que a medida desestimula empresas instaladas em Manaus. “Ao zerar a alíquota dos concentrados de refrigerantes, Bolsonaro acaba com as vantagens da ZFM, pois as empresas não terão mais razão para ficar em Manaus. A perspectiva é de fechamento de fábricas e desemprego. Mais trabalhadores na rua. Que tristeza para muitas famílias”, publicou. 

Da Redação do Canal92AM

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