Protestos já foram condenados pelo TSE e são investigados pelo MPF
Um vídeo que circula nas redes sociais dos amazonenses está causando controvérsia, nesta sexta-feira (11). As imagens mostram funcionários do Baratão da Carne abastecendo um carro com produtos da empresa destinados a alimentar os bolsonaristas que pedem golpe militar no Brasil. Os manifestantes que não aceitam a vitória de Lula (PT) e dizem que as eleições foram fraudadas estão há nove dias na frente do Comando Militar da Amazônia (CMA), pedindo que o pleito democrático seja anulado.
“Doação que nós ganhamos agora do Baratão da Carne para a manifestação. Estamos nesse momento pegando aqui. Glória a Deus”, diz uma mulher nas imagens. “12 caixas de frango, 10 fardos de refrigerante (sic) de dois litros, fardo de farinha, de café, 10 pacotes de calabresa. Uma grande ajuda mesmo. Praticamente 5 mil reais em doação”, enumera.
Apesar do vídeo de agradecimento, entre os próprios bolsonaristas circulam imagens de WhatsApp reclamando da gravação feita pela manifestante. "Esse tipo de doação não era nem para ser divulgado", diz uma das mensagens que vazaram, como mostra a imagem abaixo.

De acordo com os manifestantes, eles são injustamente associados ao radicalismo. Eles já disseram que não vão sair e que a manifestação é "por tempo indeterminado". Nesta quinta-feira (10), o economista, empresário e líder do Movimento Endireita Amazonas, Felipe Silva, disse a nossa reportagem que não há dia, nem hora para que a manifestação acabe.
“Não tem dia pra acabar. A manifestação é por tempo indeterminado. Todos aguardando que tenhamos algo mais concreto referente ao resultado das eleições. A população não aceita o resultado final para presidente”, disse, de forma direta.
O Ministério Público Federal abriu investigação contra os manifestantes e também está à procura dos financiadores dos atos.
Moraes amplia punição a manifestantes
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, decidiu ampliar para todo o território nacional as punições e medidas tomadas contra donos de caminhão e empresas que estejam financiando bloqueio de estradas e vias públicas com finalidade de contestar o resultado das eleições deste ano. Uma decisão do ministro nesse sentido foi tomada na quinta-feira (10) e valia para o Distrito Federal.
Moraes ainda estendeu a decisão de desbloqueio das rodovias também para as vias públicas em cidades. E determinou multa aos financiadores que garantem a infraestrutura dos atos antidemocráticos, como instalação de banheiros químicos, barracas e alimentação.
Na decisão, o ministro aponta que a "persistência de atos criminosos e antidemocráticos em todo o país, contrários à democracia, ao Estado de Direito e à proclamação do resultado das eleições" recomenda a extensão da decisão anterior "em todo o território nacional".
A Polícia Federal, a Polícia Rodoviária Federal e as polícias militares estaduais devem tomar todas as providências para seguir na desobstrução das estradas e aplicação de multa horária de R$ 100 mil aos donos de veículos, como já havia sido determinado por ele em 31 de outubro, cuja decisão foi referendada pelo plenário virtual.
Apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (PL) interditavam vias por todo o Brasil em protesto contra o resultado das urnas no 2º turno da eleição presidencial. Lula (PT) venceu o atual presidente.
Um dos primeiros pontos a serem interditados foi a Marginal Tietê, em São Paulo. Foram centenas de pontos espalhados pelas cinco regiões. No Amazonas, a BR-174 e a BR-230 form bloqueadas, na semana passada.
A PRF aplicou R$ 18 milhões em multas apenas nos três primeiros dias de protestos, além de ter efetuado 34 prisões e mapeado mais de 730 manifestantes.
Segundo a Confederação Nacional do Comércio (CNC), cada dia de bloqueios provocou a perda de R$ 2 bilhões apenas no comércio – com os prejuízos se espalhando por trás da economia de todo o Brasil.
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