Comédia "Como se Tornar o Pior Aluno da Escola", produção de 2017 estrelada por Danilo Gentili e Fabio Porchat, foi criticada na sessão de hoje da CMM e recebeu moção de repúdio
Os ataques de políticos bolsonaristas do Brasil contra o filme "Como se Tornar o Pior Aluno da Escola", produção de 2017 disponibilizada na Netflix, chegaram também à Câmara Municipal de Manaus (CMM). As acusações de que a comédia, protagonizada pelos humoristas Danilo Gentili e Fabio Porchat, incentiva a pedofilia e sexualiza crianças e adolescentes foram puxadas no plenário da Casa pelo vereador Luís Mitoso (PTB), nesta segunda-feira (14).
“É impressionante como esse filme [Como se Tornar o Pior Aluno da Escola] vai de encontro aquilo que nós entendemos como de proteção à família, proteção às crianças e proteção aos adolescentes. Esse filme tem demonstrações do que é ser contra a família e é equivocado. Esse momento é de uma confusão que está havendo entre liberdade e libertinagem”, disse Mitoso.
As críticas do parlamentar de Manaus ao filme do catálogo da plataforma de streaming reforçam os discursos e posicionamentos de políticos, inclusive do alto escalão do Governo Federal, apoiadores do presidente da República, Jair Bolsonaro (PL), em todo o País. No último domingo (13), o ministro da Justiça, Anderson Torres, deu mais repercussão à polêmica ao afirmar nas redes sociais que ordenou que a pasta tomasse as “providências cabíveis” contra o longa-metragem que chamou de “asqueroso”.
"Assim que tomei conhecimento de detalhes asquerosos do filme 'Como se Tornar o Pior Aluno da Escola' atualmente em exibição na Netflix, determinei imediatamente que os vários setores do Ministério da Justiça adotem as providências cabíveis para o caso!", escreveu Torres, que recebeu o apoio do secretário especial da Cultura, Mário Frias, que afirmou estar adotando a mesma ação no setor que comanda.
Bolsonarista e evangélico, o vereador Mitoso decidiu aproveitar para atacar a comédia, que é baseada em um livro de Danilo Gentili, depois que o projeto de lei (PL) de sua autoria, nº 264/2021, que institui nas escolas da rede municipal a “Semana de Promoção da Autodefesa de Crianças Contra a Vitimização Sexual”, recebeu parecer favorável da 2ª Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJR) da CMM. O PL foi encaminhado, na sessão de hoje, para a 3ª Comissão de Finanças, Economia e Orçamento.
“Que a gente possa aprovar nas mais rápida célere possível [o PL nº 264/2021] e irmos de encontro a esse filme ‘Como se Tornar o Pior Aluno da Escola’ que tem cenas de sexo explícito”, apelou Luís Mitoso aos colegas da Câmara.
Depois do discurso do parlamentar do PTB, outros vereadores, principalmente, das bancadas evangélica ou cristã da CMM também criticaram o filme juvenil, indicado para maiores de 14 anos da Netflix. Entre os detratores da obra estavam Dione Carvalho (Patriota), Antônio Peixoto (PTC), Wallace Oliveira (PROS), Raiff Matos (DC), Elan Alencar (PROS) e Jander Lobato.
Presidente da Frente Parlamentar em Defesa da Família e dos Valores Cristãos (Fepacri) da Casa Legislativa, o vereador e pastor da Igreja Universal, João Carlos (Republicanos), requereu uma moção de repúdio contra a Netflix por inserir no catálogo o filme "Como se Tornar o Pior Aluno da Escola”.
“No filme, percebemos cenas, interpretadas pelo ator Fábio Porchat, verbalizando a vontade de satisfação sexual de seu personagem na frente de dois jovens adolescentes, com indicação clara do uso de suas partes íntimas. Repudiamos toda e qualquer produção cinematográfica que induz a prática de ato libidinoso com o objetivo de satisfazer a própria lascívia envolvendo criança e adolescentes”, diz o trecho final da moção de repúdio lida na íntegra por Carlos na sessão de hoje.
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