Líder do prefeito de Manaus na CMM afirmou que colega de Parlamento mentiu sobre possível aumento da vida útil da frota de ônibus para até 20 anos. Mandel rebateu dizendo que informação partiu de Serafim e o acusou de ser mentiroso e covarde
Líder do prefeito David Almeida na Câmara Municipal de Manaus (CMM), o vereador Marcelo Serafim (Avante) acusou sem citar nominalmente, nesta quarta-feira (8), o colega Amom Mandel (Cidadania) de ser desonesto, não ter decência com os demais parlamentares e espalhar fake news para colocar a opinião pública contra a Casa Legislativa. Ele ainda cobrou respeito do vereador de oposição aos seus pares.
Serafim resolveu criticar Mandel depois que a CMM aprovou, na manhã de hoje, o projeto de lei (PL) nº 218/2022. A propositura autoriza a Prefeitura de Manaus a alterar a ação constante do Plano Plurianual 2022-2025 do Município para viabilizar a compra e a integração de 10 ônibus elétricos à frota de coletivos da capital, já anunciados em parceria com o Governo do Amazonas.
Ele aproveitou o avanço do referido PL para a sanção do chefe do Poder Executivo para retrucar uma fala de Amom Mandel, na última terça-feira, sobre um polêmico trecho de outro projeto de lei, de nº 150/2022, que também envolve o sistema de transporte público e que foi aprovado na segunda-feira para ser sancionado. Na ocasião, Mandel criticou a propositura ao alertar sobre o risco de sucateamento dos veículos com um possível aumento, pela Prefeitura, de até 20 anos da vida útil da frota de ônibus para ser renovada.
Amom Mandel atribuiu essa informação sobre o período de extensão da vida útil dos ônibus a um discurso de Marcelo Serafim. O vereador de oposição se referia ao Artigo 43 do projeto de lei nº 150/2022, de autoria do Executivo, que altera a legislação que regulamenta o sistema de transporte com a integração dos micro-ônibus alternativos e executivos, que passam a ser do modal complementar.
O criticado Artigo 43 do PL do transporte coletivo determina que: “A vida útil máxima obedecerá ao tipo e tecnologia do veículo, cujo chassi indicará seu ano de fabricação, resultando em exclusão imediata da frota quando ultrapassado o prazo a ser estabelecido em regulamento, de acordo com estudos técnicos da matriz energética do veículo”. Essa regra autoriza a Prefeitura de Manaus a decidir qual será a vida útil dos ônibus coletivos. Atualmente, o prazo máximo é de dez anos.
“É bom abordar que um ônibus elétrico tem uma vida útil de no mínimo 20 anos. Então, quando a gente faz aquela alteração [na legislação atual do transporte coletivo], que de forma muitas vezes maldosa algumas pessoas colocam que queremos colocar para rodar na cidade de Manaus cacarecos, na verdade, estamos abrindo espaço para que novas matrizes cheguem [em Manaus], como essa [dos ônibus elétricos]”, afirmou o vereador Marcelo Serafim antes de repreender Mandel após o parlamentar dizer que a Prefeitura deveria ter especificado no PL nº 150/2022 que o aumento da vida útil dos veículos seria para os ônibus elétricos e não para todos os tipos de carros da frota.
“Ele [Amom Mandel] tem que respeitar mais os outros. Eu desafio o nobre colega a vir aqui na minha bancada e mostrar onde é que está - a não ser nessa mente que só pensa em distribuir para a sociedade informações falsas - no projeto do prefeito David [Almeida] que os ônibus terão 20 anos [...]. Isso é desonestidade, o projeto não fala em 20 anos. Vossa Excelência, ontem, disse que eu teria dito que os ônibus iam ter 30 e 40 anos [de vida útil]. Tente ser mais decente e minimamente mais honesto com os seus pares”, criticou o líder do prefeito na CMM.
Vereador da base, Raulzinho (PSDB), também afirmou que Mandel espalha fake news e que tentou distorcer a fala dos parlamentares que votaram a favor do polêmico PL nº 150/2022, que muda a legislação atual do transporte coletivo.
Em resposta às acusações, Amom Mandel, com o apoio e defesa do vereador Rodrigo Guedes (Republicanos), declarou que os vereadores que o criticaram na sessão de hoje na CMM foram covardes por não citar nominalmente o parlamentaer do Cidadania para evitar um direito de resposta. “Se eu fosse me referir a outras pessoas que mentem neste Parlamento, que muitas vezes isso acontece, da forma que Vossa Excelência [Marcelo Ramos] se referiu a mim, eu precisaria me referir todos os dias, inclusive, contra Vossa Excelência. Me respeite e não acuse injustamente”, rebateu.
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