Com 279 votos a 180, a Câmara dos Deputados aprovou, na quarta-feira (9), o requerimento para tramitação em regime de urgência do Projeto de Lei 191/20, que permite mineração em terras indígenas.
Dos oito deputados federais pelo Amazonas, cinco deles votaram a favor do requerimento: Delegado Pablo (PSL), Sidney Leite (PSD), Bosco Saraiva (Solidariedade), Capitão Alberto Neto (Republicanos) e Silas Câmara (Republicanos).
O único deputado a ser contra o requerimento foi José Ricardo (PT). Átila Lins (PP) se absteve e Marcelo Ramos (PSD) presidiu a sessão e não votou.
Ao votar, Alberto Neto, vice-líder do governo Bolsonaro na Câmara, afirmou que os povos indígenas do Amazonas são favoráveis à exploração de potássio.
“Relembrar a esquerda que, no caso de Autazes, sobre o potássio, os povos indígenas estão sendo ouvidos e são favoráveis. Queremos levar dignidade, melhores condições de saúde e infraestrutura para esses povos. O Amazonas tem riquezas para salvar o agronegócio e deixar o Brasil em outro patamar”, disse ao votar a favor do projeto.
Segundo Alberto Neto, a regulamentação da extração do minério é bom para os povos indígenas, para o Amazonas e para o Brasil.
"Destravar a extração dos fertilizantes no Amazonas será um grande passo para que possamos avançar com uma nova matriz econômica e contribuir para o Agronegócio do Brasil. O Amazonas precisa ter acesso às suas riquezas e usá-las de forma sustentável, para que nosso Estado se desenvolva por completo. Porque não adianta termos um Estado rico e um povo pobre", afirmou.
Já Zé Ricardo, que já tinha demonstrado ser contra o projeto, inclusive participou de protestos organizados por artistas e lideranças indígenas em frente ao Congresso, questionou a urgência da votação.
“Mas agora a pergunta é: porque esse PL tão nocivo ao Amazonas precisa de urgência?”, questionou através do Twitter.
O vice-presidente da Câmara, deputado Marcelo Ramos (PSD), afirmou que houve um esforço em busca de um acordo para que o tema não fosse analisado na quarta-feira (9), mas as negociações não avançaram.
Agora, a proposta será analisada por um grupo de trabalho e só será incluída na pauta em abril. A decisão, segundo o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), é parte de acordo entre líderes da base e da oposição.
*Da Redação do Canal92AM
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