Fenômeno natural é considerado um dos mais mortíferos a atingir o país nos últimos anos e número de vítimas deve aumentar
Ao menos 108 pessoas morreram durante a passagem pelas Filipinas do tufão Rai, o pior a atingir o país este ano, de acordo com balanços oficiais apresentados neste domingo(19), à medida que se intensificam os esforços para levar comida e água para as ilhas devastadas.
Cerca de 490 mil pessoas ficaram desabrigadas após fugirem de suas casas e de hotéis próximos do litoral. O tufão, de categoria cinco, varreu parte do arquipélago de 109 milhões de habitantes, deixando várias áreas sem comunicação e eletricidade, enquanto em outros lugares o impacto das tempestades e dos ventos arrancou telhados e derrubou postes de energia.
Em Bohol, província central e turística das Filipinas, seu governador, Arthur Yap, informou que as vítimas fatais na região são 72 até o momento. Já na ilha de Dinagat, o porta-voz do governo local, Jeffrey Crisostomo, disse à AFP que outras dez pessoas morreram. Esses números tornam o Rai um dos tufões mais mortíferos a atingir o país nos últimos anos, sendo possível que as mortes confirmadas aumentem à medida que os órgãos públicos comecem a avaliar de maneira mais detalhada a extensão total do desastre.
O tufão atingiu as Filipinas na quinta-feira com ventos de 195 km/h, fazendo com que milhares de policiais, militares, guardas costeiros e bombeiros fossem deslocados para ajudar nas buscas e resgates nas áreas afetadas. No sábado, a tempestade se afastou do Mar do Sul da China e, já neste domingo, estava na costa do Vietnã rumo ao Norte.
A ordem do presidente Rodrigo Duterte era "usar todos os recursos governamentais para garantir que todas as ajudas sejam entregues o mais rápido possível" às áreas atingidas, disse o porta-voz presidencial, Karlo Nograles, a uma estação de rádio.
Máquinas pesadas, como retroescavadeiras e tratores, foram utilizadas para ajudar a limpar estradas bloqueadas por postes e árvores derrubadas. Uma avaliação aérea dos danos ao norte de Bohol mostrou casas destruídas e perdas na agricultura, disse Yap, que declarou estado de emergência na ilha.
O Rai também causou danos em outros locais além de Bohol e Dinagat. Os militares divulgaram imagens aéreas da cidade de General Luna, na ilha de Siargao, onde muitos surfistas e turistas estavam antes do período de Natal, que mostravam edifícios sem teto e o chão coberto com escombros. Os turistas começaram a ser retirados da região neste domingo.
A governadora de Dinagat, Arlene Bag-ao, disse no sábado que os danos à ilha "lembram ou são piores" do que os causados pelo furacão Haiyan de 2013, considerado o mais mortífero dos registros filipinos, com mais de 7.300 pessoas mortas ou desaparecidas.
“Eu vi o tufão Odette devastar a capital da província”, disse Crisostomo à estação DZBB, usando o nome local para o Rai. “Havia mesas do tamanho de uma pessoa que foram arrastadas pela força da tempestade”, afirmou.
Na cidade de Surigao, no norte de Mindanao, as ruas estavam repletas de vidros quebrados, telhas e fios elétricos. Os ventos do Rai caíram para 150 km/h enquanto ele avançava pelo país com chuvas fortes, arrancando árvores e destruindo estruturas de madeira.
O Rai atingiu as Filipinas no final da temporada de tufões, já que eles geralmente se formam entre julho e outubro. Os cientistas advertiram que os tufões estão se tornando mais poderosos e se fortalecendo mais rapidamente como resultado das mudanças climáticas. Extremamente vulnerável, o país é afetado por cerca de 20 tufões e tempestades anualmente.
*Com informações do jornal O Globo
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