Em risco de fechamento por causa dos recentes decretos de Bolsonaro que reduzem a alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), a Universidade do Estado do Amazonas (UEA) pode começar a sentir os efeitos dos ataques à Zona Franca de Manaus nos próximos meses.
Em conversa com a instituição esta semana, a empresa sul coreana disse que analisa a possibilidade de retirar investimentos usados pela UEA em projetos que estão sendo desenvolvidos pela Academia Stem. A mudança equivale a uma perda de aproximadamente R$ 25 milhões para a universidade.
Academia Stem
A Samsung mantém na UEA o projeto Academia Stem, de Pesquisa & Desenvolvimento (P&D); que visa potencializar a formação e capacitação nas áreas de engenharia, ciência, matemática e tecnologia.
Além do possível corte de apoio da Samsung, a UEA também terá impacto no seu desempenho com a redução de faturamento do Polo Industrial de Manaus (PIM). Isso porque com a redução de 35% do IPI, anunciado nos últimos dois meses pelo Governo Federal, empresas vão deixar a Zona Franca de Manaus (ZFM).
E o principal modelo econômico do Amazonas é responsável por financiar a instituição por meio da Constribuição para o Desenvolvimento do Ensino Superior.
O que diz a UEA?
O Canal92AM procurou a direção da UEA e cobrou um posicionamento da instituição de ensino sobre a reunião. Por meio de nota enviada pela assessoria, a direção da instituição não se pronunciou sobre o conteúdo da reunião, mas divulgou posisionamento do reitor, André Zogahib, que afirmou que "a Samsung é e continuará sendo uma das maiores parceiras da universidade nas pesquisas voltadas ao desenvolvimento de tecnologia".
Questionada sobre o valor dos investimentos da empresa sul coreana em projetos na Academia Stem da UEA, a instituição de ensino não quis se pronunciar.
UEA recebe aproximadamente R$ 400 milhões das indústrias
Atualmente, a UEA recebe 1% do faturamento do PIM, o que resulta, anualmente, em aproximadamente R$ 400 milhões para a universidade.
O reitor da UEA, André Zogahib, destacou que a verba repassada pelas empresas do PIM à universidade hoje possibilita que se invista em ensino, pesquisa e extensão, criando capital intelectual. Segundo ele, se a decisão do Governo Federal de reduzir o IPI dos produtos fabricados na Zona Franca permanecer, a médio prazo ocorrerá esvaziamento na ZFM.
Bancada amazonense reúne esforços para barrar decretos
Ontem, a Bancada Amazonense no Congresso Nacional se reuniu com o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator das Ações Diretas de Inconstitucionalidade (Adins) ingressas pelo Amazonas no Supremo contra os decretos de redução do IPI.
Uma das principais preocupações da bancada amazonense é o desemprego e o fim da UEA, que é financiada pelas empresas do PIM.
Após reunião da bancada com o ministro Alexandre de Moraes, o deputado federal Bosco Saraiva, que esteve na reunião, usou as redes sociais para se manifestar sobre a ameaça à UEA. "O povo talvez não saiba, mas sem a Zona Franca, a UEA fecha as portas, e não existirão mais cursos na capital e nem no interior do Estado. Não adianta discutir uma Cidade Universitária, se não tivermos recursos, e o recurso vem exatamente do PIM. Isso o povo precisa saber", destacou o parlamentar.
*Matéria atualizada às 16 horas e 20 minutos do dia 4 de maio de 2022 para incluir o posicionamento da UEA
Da Redação do Canal92AM
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