Manaus, 02 de June de 2026   |  

Saiba quem são as mulheres que fizeram e ajudam a fazer a história da representação feminina na política amazonense

| 08/03/2022 - 12:55
Por: Redação Canal92AM
Foto: Divulgação e Reprodução

No Dia da Mulher, o Canal92AM destaca a participação feminina nas casas legislativas do Amazonas e no Congresso Federal

Por Isac Sharlon - reportagem especial para o Canal92AM 

Manaus é a 5ª capital brasileira com a menor representação feminina. Embora o número de mulheres eleitas nas duas últimas eleições municipais no Amazonas não tenha apresentado crescimento, por exemplo, alguns nomes tiveram em ascensão.

É o caso das ex-vereadoras Therezinha Ruiz (PSDB) e Joana Darc (PL), eleitas em 2016 para a Câmara Municipal de Manaus (CMM), que, em 2018 disputaram e venceram as eleições gerais para o cargo de deputada estadual na Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam).

Mas nem só de atualidade é feita a história das mulheres na política. E para relembrar alguns nomes importantes de mulheres na política amazonense, o Canal92AM conversou com o professor e cientista político Helso do Carmo Ribeiro.

Ele cita alguns nomes que exerceram mandatos políticos no Amazonas, como Léa Alencar, a primeira mulher a ocupar uma cadeira de vereadora na CMM, em 1964; e Eunice Michiles, representante do Amazonas no Senado Federal e primeira mulher senadora do Brasil em 1979.

Na lista também figuram Lucia Antony, eleita vereadora por dois mandatos (2005-2008) e (2009-2012) e 5ª colocada nas eleições para governo do Amazonas em 2018, com 1,49% dos votos; a ex-vereadora Otalina Loureiro Aleixo (falecida em outubro de 2019), eleita por três mandatos consecutivos, de 1972 a 1992; e Vanessa Graziotin, eleita vereadora, deputada federal e senadora pelo Amazonas.

O professor cita os nomes de Marilene Correa, Paula Valéria e Ilsa Valois, que, segundo ele, não tiveram mandato político, mas sempre foram atuantes na luta.

Representatividade feminina na CMM

Hoje, a CMM tem quatro vereadoras. São elas: Professora Jacqueline (sem partido), eleita com 9.208 votos, sendo a mais votada; Thaysa Lippy, do PP, que obteve 6.736 votos; Glória Carrate (PL), eleita com 4.299; e Yomara Lins (PRTB), que recebeu 4.278 votos.

Glória, Jacqueline, Yomara e Thayssa

(Na foto, da esquerda para a direita, Glória Carrate, Professora Jacqueline, Yomara Lins e Thaysa Lippy - Foto: Divulgação)

Mas esse número pode baixar, isso porque a vereadora mais votada de 2020, Professor Jacqueline, já demonstra interesse em disputar as eleições gerais de 2022. Ela já anunciou à imprensa que é pré-candidata a uma vaga na Aleam, porém ainda está sem partido após deixar o Podemos em 2021.

Representatividade feminina na Aleam

Hoje, das 24 cadeiras na Aleam, apenas quatro são de deputadas estaduais, são elas: Dra. Mayara Pinheiro (PP), deputada mais votada do Amazonas em 2018, com 50.819 mil votos; Therezinha Ruiz (PSDB); Joana Darc (PL) e Nejimi Aziz, que assumiu a vaga na Aleam como suplente do deputado Augusto Ferraz, eleito prefeito de Iranduba em 2020.

Mas esse número pode aumentar, pois Alessandra Campêlo (MDB), que hoje comanda a Secretaria de Estado de Assistência Social do Amazonas (SES-AM), anunciou que deve retomar o mandato como deputada estadual. Hoje, a vaga é ocupada pelo deputado suplente Angelus Figueira (DC).

(Na foto, da esquerda para a direita, Mayara Pinheiro, Therezinha Ruiz, Joana Darc e Alessandra Campêlo - Foto: Assessoria/Aleam)

O destaque da Eleição de 2018 fica com Mayara Pinheiro, pois desde 1994, quando o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) passou a disponibilizar na internet dados sobre as eleições, nunca uma mulher havia sido a mais bem votado no Amazonas.

Na última eleição geral, o número de mulheres eleitas na Aleam saltou de 1 para 4, isso porque em 2014 a única mulher eleita foi Alessandra Campêlo, que conseguiu se reeleger em 2018 - mesmo ano em que a bancada cresceu com outros três nomes: Therezinha e Joana, que eram vereadoras e foram eleitas deputadas; e Mayara Pinheiro, que venceu a primeira eleição que disputou.

Congresso Nacional

Além de Eunice Michiles, que ocupou lugar de destaque no Senado federal e fez história pelo Amazonas, Vanessa Grazziotin, também ganhou destaque como deputada federal e senadora. Os nomes de Rebecca Garcia, ex-deputada federal, ex-superintendente da Zona Franca de Manaus e ex-candidata ao governo do Amazonas; e o de Conceição Sampaio, ex-deputada federal e ex-candidata a vice-prefeita de Manaus também tiveram destaque a nível federal.

(Na foto, da esquerda para a direita, Vanessa Grazziotin e Rebecca Garcia - Foto: Divulgação)

Voto feminino no Brasil

Em fevereiro de 2022 foi comemorado os 90 anos da conquista do voto feminino no Brasil. O voto foi estabelecido em 1932, pelo então presidente Getúlio Vargas, ao promulgar o Código Eleitoral e previsto pela nova Constituição brasileira dois anos mais tarde, o voto feminino foi o resultado da luta das mulheres sufragistas desde a década de 1880.

Especialista avalia cenário

Questionado se na sua opinião haverá um aumento do número de mulheres eleitas este ano, Helso conta que se pudesse apertar um botão, apertaria o da igualdade de gênero e seria meio a meio. "Esse é um desejo, um sonho de ver o Brasil como uma democracia de gênero mais ou menos encaminhada". Porém, se tiver um aumento, o especialista avalia que vai ser mínimo, de fato. "O Brasil está na rabeta de países com representação feminina, não chega a 15%", frisa Helso Ribeiro.

Sobre a baixa representatividade, Helso explica que há dezenas de municípios que não têm nenhuma mulher na câmara de vereadores. O que pesa, de fato, segundo o especialista, é que os partidos políticos até têm mulheres, que se filiam, mas cada vez mais o que é possível observar é uma espécie de plutocracia (a influência ou o poder do dinheiro). "Ganha a eleição quem investe muito dinheiro, quem gasta muito dinheiro, e esse dinheiro não vai para as mulheres", destaca Helso Ribeiro.

Seguindo a mesma análise de plutocracia, o professor fala sobre o Fundo Eleitoral bilionário de R$ 4,9 bilhões aprovado para este ano. Ele [esse Fundo Eleitoral] não dá para cobrir as candidaturas. A utilização de caixa dois de estruturas milionárias é imensa e isso acaba deixando as mulheres afastadas de conseguir êxito nesse aspecto", considera ele.

Ainda de acordo com Helso, a política reflete um pouco uma visão da sociedade. "Você vê que são poucas mulheres que chefiam empresas privadas, são poucas em cargos de chefias, de tribunais, onde estiver uma instituição de Estado você vai ver que a minoria é mulher. Aí não dá para esperar milagre. A conscientização da população é complicada. Isso vem a longuíssimo prazo. Teriam outras medidas que poderiam ser feitas a curtíssimo prazo, mas a classe política não tem interesse", pondera o especialista.

*Redação Canal92AM 

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