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Riscos de aglomerações no Réveillon se voltam para eventos particulares no Amazonas

Amazonas | 31/12/2021 - 08:50
Por: Diogo Rocha
Foto: Marcio James/Semcom

Cancelamento das festividades de Ano Novo pelas prefeituras, em razão do aumento dos casos de Covid-19 e Influenza, deve levar público a optar por bares, pubs e casas noturnas para celebrar

Os riscos de aglomerações no Réveillon são grandes mesmo na pandemia de Covid-19. E, em 2021, quando o grupo dos imunizados (com duas doses ou dose única de vacina) pensava que poderia curtir as festas de Natal e Ano Novo sem grandes receios, surgiu a variante Ômicron, que é mais transmissível que a letal Delta, além dos surtos gripais pelo Brasil da Influenza A (H3N2).

No Amazonas, o poder público decidiu tomar medidas para evitar as aglomerações neste período de celebrações de final de ano, em que as pessoas estão mais propícias a quebrar os protocolos de prevenção à Covid-19 e outros vírus respiratórios. Um comportamento arriscado das pessoas que gerou consequências trágicas, no início deste ano. A crise do desabastecimento de oxigênio dos hospitais em Manaus é um exemplo.

Desde o dia 15 de dezembro, entrou em vigor o Decreto Estadual nº 44.978, de 13/12/2021, que proíbe eventos com público com mais de 3 mil pessoas ou que a capacidade de um local passe da ocupação máxima de 50%. Válido até o dia 15 de janeiro de 2022, o decreto impôs novas restrições após o Comitê de Enfrentamento à Covid-19 do Amazonas verificar, no início deste mês, um aumento no número de casos da doença, apesar de nenhuma infecção pela variante Ômicron ter sido confirmada até o momento.

E para deixar mais em alerta os órgãos de Saúde e Vigilância do Estado, desde novembro se registrou também um crescimento por atendimento nas unidades de saúde de urgência e emergência do Amazonas relacionado ao quadro de H3N2, subtipo do vírus da Influenza. Na maioria das vezes, as pessoas lotavam os hospitais e prontos-socorros por confundirem a gripe sazonal com os sintomas da Covid-19.

Neste ano, as prefeituras municipais do Estado cancelaram as festas de Réveillon para esta sexta-feira (31). Em Manaus, o prefeito David Almeida (Avante) também cortou a tradicional queima de fogos de artifício, no Complexo Turístico da Ponta Negra. Tudo para inibir a presença desnecessária do público nas ruas durante a virada do ano e diminuir o risco de uma explosão de casos de Covid e Influenza.

Mas um problema para conter a multidão, em 2021, poderá ser as festas de Réveillon em estabelecimentos particulares, como pubs, casas noturnas, bares e clubes sociais. Os promotores de eventos seguem organizando as celebrações para a véspera de Ano Novo. Em Manaus, haverá no mínimo cinco grandes comemorações, todas com vendas de ingressos abertas até esta sexta-feira.

O compromisso dos organizadores destas festas particulares e VIPs é respeitar todas as normas sanitárias recomendadas pelos órgãos de saúde. Caso um dos locais ultrapasse o limite de 3 mil pessoas, estabelecido pelo Governo do Amazonas, as multas previstas variam de R$ 50 mil a R$ 500 mil.

Em dezembro do ano passado, as festas de final de ano, incluindo as clandestinas, viraram alvos recorrentes de órgãos como a Central Integrada de Fiscalização (CIF), ligada à Secretaria de Segurança Pública do Estado (SSP-AM). Muitos estabelecimentos foram multados e fechados por descumprirem as medidas sanitárias de prevenção à Covid-19, no primeiro ano da pandemia.

Outro empecilho para reduzir as aglomerações de final de ano são as típicas compras no comércio no Centro e shoppings de Manaus, onde a movimentação das pessoas é intensa e o distanciamento social e o uso de máscaras são quase esquecidos. Dezembro é ainda o período de férias nas escolas públicas e particulares e também quando pais e filhos aproveitam para momentos de lazer, como ir ao cinema.

O Canal 92am presenciou uma multidão gigante nas praças de alimentação dos shoppinngs e salas de cinema na semana de estreia de blockbusters. No caso, o filme "Homem-Aranha: Sem Volta para Casa", que entrou no circuito comercial no último dia 16 lotando as sessões de cinema sem, praticamente, nenhuma fiscalização e cobrança da administração dos locais de exibição sobre as medidas sanitárias exigidas para ambientes fechados.

Em 2021, conforme a assessoria da SSP-AM, os agentes da CFI já fiscalizaram 2.693 estabelecimentos, até a última quarta-feira (29). Deste total, 337 locais foram autuados por algum tipo de irregularidade, entre as quais aglomeração, ausência de licença sanitária, ausência ou vencimento de Auto de Conformidade do Processo Simplificado – (ACPS/Corpo de Bombeiros), descumprimento de horário de funcionamento, violações sanitárias, ausência de Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB) e descumprimento de decreto governamental.

Para a noite de Réveillon, a SSP-AM não confirmou se terá ações para coibir aglomerações e fiscalizar os estabelecimentos. Estava programada uma fiscalização para quinta-feira (30/12). O número de denúncias especificamente sobre aglomerações recebidas pelo órgão neste ano na capital e no restante do Estado não foi informado, mesmo sendo solicitado pelo Canal 92am.

“A SSP-AM coordena as fiscalizações e reuniões de colegiado, que envolvem órgãos da esfera municipal e estadual, através da Secretaria Executiva-Adjunta de Planejamento e Gestão Integrada de Segurança (Seagi). As polícias Civil e Militar também participam ativamente das ações, visando a manutenção da ordem durante as fiscalizações, ficando a cargo apenas dos órgãos regulamentadores as notificações e autuações aos estabelecimentos, quando necessário”, explicou a Secretaria de Segurança do Estado sobre o modus operandi

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