O Amazonas voltou a registrar histórias que marcaram e ganharam repercussão internacional
O Amazonas teve um ano atípico em 2022, começando pelos recomeços da vida cotidiana após a pandemia, assim como as mudanças no cenário político. A enchente começou mais cedo reflexo da cheia recorde do ano passado, e graves problemas sociais vieram à tona. A violência no Estado ganhou repercussão mundial com os assassinatos do jornalista Dom Phillips e do indigenista Bruno Pereira, que rasgaram a problemática dos conflitos na Amazônia. A estiagem e o desmatamento também surpreenderam.
O Canal 92 AM separou alguns dos casos que geraram repercussão nesse ano. Confira abaixo:
Adeus no mundo das artes
Esse ano, grandes artistas amazonenses nos deixaram com saudade. Em janeiro, o poeta e tradutor brasileiro Thiago de Mello morreu, aos 95 anos.
Amadeu Thiago de Mello nasceu em Porantim do Bom Socorro, município de Barreirinha interior do Estado do Amazonas, no dia 30 de março de 1926. Thiago já teve obras traduzidas para mais de 30 idiomas. É considerado um dos poetas mais influentes e respeitados do Brasil e reconhecido como um ícone da literatura amazonense.
Já no dia 01 de dezembro, quem nos deixou foi a atriz amazonense, Ednelza Sahdo. Ela tinha 78 anos e deixou um legado para a cultura do Estado com os mais de 50 anos de carreira.
Ataques à Zona Franca
Em fevereiro até próximo da eleição, a Zona Franca de Manaus sofreu duras investidas para o seu declínio. O governo do presidente Jair Bolsonaro anunciou a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para diversos produtos. A medida foi vista por especialistas como prejudicial à competividade. Somente após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), o governo retirou os produtos fabricados na ZFM da lista da redução do tributo.
Dois decretos presidenciais reduziam em 35% e 25% o IPI. Uma das medidas atingiu em cheio três dos polos mais empregadores da Zona Franca de Manaus: duas rodas, eletroeletrônicos e informática. E um segundo decreto, que zera o IPI dos concentrados, na prática, poderia extinguir o polo de refrigerantes.
Paraquedistas somem no ar
Um grupo com 14 paraquedistas enfrentou um temporal no dia 15 de abril e quatro desapareceram. Vídeos divulgados na ocasião mostraram o desespero dos atletas. Dois deles acabaram morrendo.
Luiz Henrique Cardelli nunca teve o corpo encontrado, e Ana Carolina Silva foi encontrada morta em uma praia na área do Distrito do Cacau Pirêra, no município de Iranduba, na Região Metropolitana de Manaus.

Já em novembro, a Polícia Civil encerrou o Inquérito Policial (IP) que investiga o desaparecimento do paraquedista curitibano Luiz Henrique Cardelli, de 33 anos. O caso está sendo conduzido pelo Ministério Público do Amazonas (MP-AM).
Mortes de Dom Phillips e Bruno Pereira
O jornalista do The Guardian, Dom Phillips, e o indigenista Bruno Pereira foram mortos por pescadores do Vale do Javari, interior do Amazonas, por denunciarem irregularidades cometidas em reserva indígena — como pesca ilegal, mineração e exploração de madeira. Os corpos foram esquartejados e queimados, depois espalhados em uma área de mata.
O jornalista e o indigenista viajavam de barco pelos mais de 70 km que ligam o lago do Jaburu ao município de Atalaia do Norte. Na última vez que foram vistos, eles pararam na comunidade de São Rafael, às 6h, onde tinham uma reunião marcada com o líder pescador Manoel Vitor Sabino da Costa, conhecido como Churrasco. Dali, eles seguiram seu caminho pelo rio. A dupla deveria ter chegado a Atalaia do Norte duas horas depois, mas desapareceu.
Após 10 dias de buscas, a Polícia Federal anunciou que o pescador Amarildo Oliveira, conhecido como Pelado, confessou o assassinato dos dois. Eles desapareceram no dia 5 de junho, extremo oeste do Amazonas.

Os corpos foram enterrados 3,1km mata adentro de onde foram encontrados os objetos, como bolsas e peças de roupas. Amarildo também indicou a localização e como afundou a embarcação usada pelo indigenista e pelo jornalista.
O irmão dele, Oseney da Costa de Oliveira, 41, conhecido como "Dos Santos", também foi preso, sob suspeita de agir com "Pelado" na execução do crime. Eles admitiram que Bruno e Dom foram abordados e mortos no trajeto de barco entre Atalaia do Norte e a Comunidade São Rafael.
Rubens Villar Coelho, conhecido como "Colômbia", que vinha sendo apontado por moradores da região como possível mandante das mortes foi preso em flagrante ao apresentar documento de identidade falso. Na ocasião, o delegado disse que "Colômbia" teria comparecido à sede da PF em Tabatinga e apresentado dois documentos de identidade, um brasileiro e outro colombiano, com informações diferentes.
Segundo a Univaja, os suspeitos do crime integram grupos de caçadores e pescadores profissionais que fazem invasões constantes à terra indígena Vale do Javari e ameaçam de morte quem atua contra eles, a exemplo de indígenas e do próprio Bruno Pereira, tido como um dos maiores especialistas sobre a região e um dos principais indigenistas do país — mais recentemente, ele treinava indígenas para uso de drones e monitoramento do território.
Homenagem em Parintins
Na segunda noite de apresentações do 55º Festival Folclórico de Parintins, o jornalista e o indigenista foram homenageados pelo Boi Caprichoso. A toada de Ronaldo Barbosa, lançada em 1996 e um dos hinos do Caprichoso, cita as principais etnias que habitam aquela região, etnias essas tão defendidas em vida por Bruno Pereira e cuja história Dom Phillips buscava contar.
Quedas pontes da BR-319
A queda de duas pontes nos quilômetros 23 e 25 em trecho pavimentado da BR-319, localizado no município do Careiro da Várzea, no final de setembro, foi uma tragédia anunciada, segundo pesquisadores do Programa de Pesquisa em Biodiversidade do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (PPBio/Inpa).
O primeiro desabamento aconteceu em 28 de setembro, quando a ponte sobre Rio Curuçá caiu no início da manhã daquele dia, deixando 4 mortos, um desaparecido e 14 feridos.
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Dez dias após o primeiro desabamento, no dia 8 de outubro, a ponte sobre o Rio Autaz Mirim, desabou horas após ser interditada pela Polícia Rodoviária Federal (PRF).
A pesquisa foi apresentada ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) durante as audiências públicas sobre o trecho do meio, realizadas em 2021 em Manaus. Conforme o estudo, havia uma incompatibilidade entre as obras previstas para a recuperação da rodovia e as características geográficas locais.
A queda das duas pontes trouxe problemas para os moradores da região e para o escoamento de mercadorias de agricultores do Estado. O desabamento das estruturas afetou mais de 140 mil pessoas nos municípios de Careiro da Várzea, Autazes, Careiro e Manaquiri, no interior do Amazonas.
Em novembro, a ponte de madeira do Igarapé Cotia, localizada no km 515,60 da BR-319, amanheceu com a estrutura serrada. Já em dezembro, a Associação Amigos e Defensores da BR-319 encaminhou uma denúncia para a Polícia Rodoviária Federal, em que um suposto grupo criminoso tentava interditar o trecho sobre o Lago Fortaleza, localizado no quilômetro 600, na Vila Realidade, no sentido Manaus ao município de Humaitá, no Sul do Amazonas, colocando fogo na ponte.
Disputa Lula x Bolsonaro
Luís Inácio Lula da Silva (PT) foi eleito presidente da República e voltará a comandar o Brasil a partir de 2023. Com pouco mais de 1% de vantagem sobre Jair Bolsonaro (PL), o petista é reconduzido ao posto mais importante do País. Será a terceira vez que Lula sobe a rampa do Palácio do Planalto, de onde saiu há 13 anos.
Após o resultado do segundo turno, bolsonaristas vestidos de verde e amarelo protestam em frente ao Comando Militar da Amazonia (CMA) contra o resultado da eleição que elegeu Lula (PT) para presidente. Eles pedem intervenção das Forças Armadas, com Jair Bolsonaro (PL) mantido no poder.
Rodovias bloqueadas
A BR-174, na altura do KM 884, foi ocupada. Assim como a BR 230 em Humaitá e em Manicoré. Apesar das autoridades em todo o Brasil já terem afirmado que o bloqueio é ilegal. Até esta terça-feira o presidente não cumprimentou Lula e nem disse publicamente o que achou do resultado das eleições, onde acabou derrotado nas urnas.
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Apuração
O presidente do TSE, ministro Alexandre de Moraes, informou que, no segundo turno do pleito, realizado em 30 de outubro, entre os eleitores em território nacional e no exterior, foram apurados um total de 124.252.796 votos. Desse total, foram registrados 118.552.353 votos válidos (95,41%), 3.930.765 nulos (3,16%) e 1.769.678 em branco (1,43%). E conforme destacou o ministro, a abstenção ficou em 31.815.791, sendo que, pela primeira vez nas últimas oito eleições, o comparecimento foi maior no segundo turno.
Com relação à votação por candidato, foram contabilizados 118.552.353 votos válidos. Luiz Inácio Lula da Silva recebeu 60.345.999 votos (50,9% do total de votos válidos), contra 58.206.354 (49,1%) votos recebidos por Jair Messias Bolsonaro.
Apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (PL) que não aceitaram o resultado das urnas fizeram inúmeras manifestações em todo o país.
Ministro chateado
Ainda sobre a disputa entre lulistas e bolsonaristas, em visita a Manaus, o então ministro da Saúde, o médico Marcelo Queiroga, criticou duramente o presidente Lula (PT), a quem acusou de destruir o Sistema Único de Saúde (SUS). O ministro do presidente Jair Bolsonaro também falou sobre o Amazonas.
Queiroga diz que deixa a Saúde “muito melhor do que quando recebemos. Quando essa gente estava no poder, eles destruíram o sistema de saúde do Brasil”, afirmou. E citou o Amazonas como exemplo. “Aqui em Manaus e no Amazonas, nós vimos a consequência desse desmando. Tinha leitos de UTI apenas em Manaus. O que se esperar de um estado que é de um tamanho de um país, onde só há leitos de UTI em uma cidade?”
Queiroga disse que “hoje o sistema de saúde de Manaus é muito melhor”, falou sobre o Delphina Aziz e disse que Bolsonaro acabou com a corrupção e não mandou dinheiro para ditaduras, que impediu que o Brasil investisse na saúde indígena no interior do Amazonas.
“A população de Manaus sabe o que foi feito”.
Reeleição Wilson Lima
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Wilson Lima (União Brasil) foi reeleito governador do Amazonas. Com um total de 87,72% das urnas apuradas, Lima tem 57,05% (927.448 votos válidos) contra 42,95% de Eduardo Braga, do MDB, (698.242 votos), ele não pode mais ser ultrapassado.
Wilson comandará o Amazonas por mais quatro anos ao lado de Tadeu de Souza como seu vice, indicação do prefeito David Almeida (Avante).
Morte delegado
O delegado da Polícia Civil do Amazonas Aldeney Goes Alves foi assassinado na noite do dia 28 de outubro, em Belém, no Pará, onde passava férias com a família. Todos os envolvidos no latrocínio (roubo seguido de morte) já estão presos.

O delegado era titular do 19° Distrito Integrado de Polícia (DIP), localizado no bairro Ponta Negra, zona oeste de Manaus. No momento do crime, ele estava em uma drogaria, quando foi surpreendido por bandidos. Delegado chegou a ser levado a um hospital da capital paraense, mas não resistiu.
Bancada federal do AM renovada
O Tribunal Regional Eleitoral (TRE) diplomou oito políticos eleitos pelo voto popular para assumir a representação do Amazonas na bancada federal, a partir de 2023. São eles: Amom Mandel (Cidadania), Saullo Vianna (UB), Fausto Jr (UB) e Adail Filho (Republicanos) são os novatos da lista. Capitão Alberto Neto (PL), Silas Câmara (Republicanos), Sidney Leite (PSD) e Átila Lins (PSD).
Deste grupo, Sidney Leite e Átila lins são da base do presidente Lula, enquanto Fausto Jr, Alberto Neto e Silas Câmaras são aliados ao presidente Jair Bolsonaro (PL). Os demais começam o mandato de forma independente. Mais uma vez, o Amazonas não elegeu nenhuma mulher para a bancada federal. Marcelo Ramos (PSD), Zé Ricardo (PT), Delegado Pablo (União Brasil) e Bosco Saraiva (Solidariedade) deixam Brasília.
Novo presidente da CMM
O vereador Caio André (PSC) confirmou o favoritismo e venceu a eleição para presidente da Câmara Municipal de Manaus (CMM). "Vamos fazer uma administração independente, pensando nos interesses de Manaus, mas priorizando o diálogo." Foi com esse discurso pacificador que o parlamentar foi declarado vencedor. O parlamentar obteve 22 votos, entre 41 vereadores.
A chapa vencedora é formada ainda pelos vereadores Yomara Lins (primeira vice-presidente); Ewerton Assis (segundo vice-presidente); Lissandro Breval (terceiro vice-presidente); João Carlos (secretário geral); Glória Carrate (primeira secretária); Jaildo Oliveira (segundo secretário); Ivo Neto (terceiro secretário); Capitão Carpê (ouvidor) e Rosivaldo Cordovil (corregedor).
Arthur Neto fora do PSDB
Em novembro, o ex-senador e ex-prefeito de Manaus Arthur Neto anunciou pelas redes sociais sua saída do PSDB. A decisão vem em seguida ao anúncio de que o senador Plínio Valério será o novo presidente do partido no Amazonas. A derrota nas eleições para o Senado, o fato do partido não eleger nenhum deputado estadual no estado e o desgaste no período de campanha são apontados nos bastidores como causas do fim do casamento.
Arthur deixou claro em sua nota que se sentiu traído pelo presidente do partido, Bruno Araújo. O agora ex-tucano diz que foi avisado pelo filho que havia perdido o comando da sigla. Arthur tentou ser candidato a presidente pelo PSDB, disputou as prévias com João Dória e Eduardo Leite, mas sequer esteve na lista de favoritos para vencer a disputa.
“Obrigado, portanto, por me propiciar a oportunidade de sair, de cabeça erguida e aliviado da carga que já não me agradava carregar. Fico feliz, porque me machucava bastante o coração ver aquele que já foi o melhor - e de mais significativo legado - partido da história republicana brasileira se descaracterizar e se ir transformando numa agremiação parecida com tantas outras, filhas da mesmice, da irrelevância e da mediocridade”, aponta o ex-senador.
Operação contra Henrique Oliveira
A Polícia Federal no Amazonas deflagrou, no final de novembro, a Operação Amor Fantasma, destinada a repressão de possível crime de Caixa 2 eleitoral. Um dos alvos da operação é a ex-mulher do ex-vice governador do Amazonas, Henrique Oliveira (Podemos), e ele próprio.
Adriana Mendonça (Pros) recebeu R$ 3 milhões do Fundo Especial de Financiamento de Campanha e teve a campanha mais rica na disputa por uma vaga na Câmara Federal pelo Amazonas.
No entanto, assim como Henrique Oliveira — que disputou o Governo — não conseguiu se eleger e nem alcançar votação expressiva. A investigação policial apontou que não há evidência de prática de atos de campanha do uso desses recursos.
Henrique Oliveira (Podemos) decidiu falar sobre a operação “Amor Fantasma”. Ele garantiu que não houve desvio de verba do Fundo Eleitoral.
“A PF esteve na casa da minha ex-mulher e levou um celular. Ela não foi presa, como chegou a circular. Ela foi a única candidata do Podemos à Câmara Federal e recebeu de acordo com o teto. Recebeu e investiu na campanha contratando a melhor empresa de comunicação de Manaus. Agora, se ela não teve os votos esperados, isso é imensurável né? Eu mesmo esperava ter 200 mil votos, tive somente 10 mil”, argumentou.
Policiais da Rocam e a Chacina na AM-010
12 policiais militares da Rocam foram presos por suspeita de envolvimento em uma chacina realizadano dia 21 de dezembro na AM-010. Uma câmera de monitoramento do trânsito flagrou o momento em que duas viaturas da Rocam escoltam o veículo modelo onix, de cor branca, onde quatro pessoas foram encontradas mortas.
Os corpos estavam com as mãos amarradas e com balaclava nos rostos (máscara usada por militares em ações de segurança). Uma das vítimas era filha de um sargento da Polícia Militar do Amazonas. Ele era quem digira o veículo. A esposa dele, que estava no banco do passageiro, também foi assassinada, além de dois irmãos conhecidos do casal. Outra mulher estava grávida. segundo a perícia. Um dos corpos estava no porta malas do veículo.
O delegado Danniel Antony, responsável pelo inquérito que investiga a chacina da AM-010, não tem dúvidas de que os policiais da Rocam montaram um grupo para efetuar o crime. No inquérito ele diz com todas as letras que “há uma relação entre os investigados com os indícios encontrados pela investigação, pois os policiais agiram de maneira concatenada, em atividade típica de grupo organizado e que a liberdade dos suspeitos pode prejudicar as investigações.”
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