Manaus, 01 de June de 2026   |  

Recusa da Prefeitura em financiar Festival Gospel de Arte de Manaus, criado por PL, gera embate na CMM

| 25/05/2022 - 16:05
Por: Diogo Rocha
Foto: Robervaldo Rocha/CMM

Base do prefeito na Câmara defendeu veto parcial, do Poder Executivo, ao projeto de lei alegando ser inconstitucional gerar despesas ao erário. Vereadores de oposição rebateram afirmando que STF já tornou legal legislar criando gastos

Projetos de lei de vereadores de Manaus podem gerar despesas à Prefeitura? Segundo os parlamentares de oposição sim, mas conforme a base do prefeito David Almeida (Avante) na Câmara Municipal de Manaus (CMM) a resposta é não. O veto parcial da Procuradoria-Geral do Município (PGM) ao projeto de lei (PL) nº 131/2021, de autoria do vereador Raiff Matos (DC), que cria o Festival Gospel de Arte de Manaus (FEGAM), causou uma grande discussão, na sessão desta quarta-feira (25), sobre a legalidade em solicitar financiamento do Poder Executivo para qualquer evento.

“Esse veto parcial é, justamente, no aporte financeiro. Sem o aporte financeiro da Prefeitura fica ruim de acontecer esse evento [...]. Sem o patrocínio da Prefeitura não tem como realizar o evento (Festival Gospel de Arte de Manaus). E eu creio que pelo prefeito ser cristão, a classe artística manauara do segmento gospel e as igrejas esperam um aporte financeiro do prefeito neste projeto de lei”, disse Matos.

A recusa formal da Prefeitura de Manaus em gastar recursos com o FEGAM recebeu apoio massivo dos parlamentares da situação. Mas na justificativa do veto parcial, a PGM associou erroneamente o festival a um culto religioso e que não poderia custear um evento desta magnitude, de acordo com o responsável pela propositura.

O líder do prefeito na CMM, Marcelo Serafim (Avante), disse que o apelo de Raiff Matos, hoje de manhã, para que os colegas da Casa Legislativa derrubassem o veto parcial, que impede o financiamento ao FEGAM pelo Executivo, era irresponsável e inconstitucional.

“A gente tem que ter responsabilidade, todo mundo aqui sabe que um projeto de lei não pode impor gastos e gerar custos para o erário público. O prefeito David [Almeida] sancionou o projeto [de lei] e vetou apenas o artigo que dizia que tinha que fazer o aporte financeiro [ao FEGAM], porque esse Parlamento não tem poder para fazer isso”, disse Marcelo Serafim, que sugeriu ainda que Matos aplicasse R$ 1 milhão que tem disponível em emenda parlamentar para patrocinar o Festival Gospel de Arte.  

Os vereadores Professor Samuel (PL), Marcel Alexandre (Avante), Wallace Oliveira (PROS), com ressalvas sobre o uso da emenda parlamentar, Sassá da Construção Civil (PT), Caio André (PSC), Raulzinho (PSDB), William Alemão (Cidadania), Elissandro Bessa (Solidariedade) e João Carlos (Republicanos) se manifestaram na discussão do PL a favor do veto parcial da Prefeitura. A maioria deles argumentou que caso o Poder Executivo financiasse o FEGAM, por força da lei, seria aberto um precedente para que outros eventos criados por PLs na CMM tivessem direito ao mesmo apoio financeiro do erário.

Lado da oposição

Indignado com a defesa do líder do prefeito na Câmara para manter o veto parcial ao projeto de lei que cria o FEGAM, o vereador de oposição, Amom Mandel (Cidadania), explicou que a justificativa de Marcelo Serafim não fazia sentido, conforme uma jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF).

Mandel ainda culpou Serafim de ser contraditório por não ter barrado antes a tramitação do PL, como membro da 2ª Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJR) da CMM, já que considera pelo discurso de hoje inconstitucional o artigo que solicita o aporte financeiro da Prefeitura ao evento.

“É simplesmente inacreditável escutar um vereador [Marcelo Serafim] se referir a outro [Raiff Matos] como irresponsável ou ao Parlamento, como se fosse responsável, sabendo que na discussão [do PL] na Comissão de Constituição e Justiça, o vereador participou da discussão e não levantou essa matéria [...]. Senhoras e senhores, não há inconstitucionalidade nenhuma. O tema 917 [das Teses com Repercussão Geral] do Supremo Tribunal Federal já tratou essa questão [...]. Desde 2016, já é aceito no Brasil que os vereadores podem legislar criando despesas. Isso é no Brasil inteiro [...]. O vereador pode criar despesas [ao erário público] sim e deve”, afirmou Mandel.

O vereador Rodrigo Guedes (Republicanos), que também é de oposição na CMM, disse que era inexplicável um projeto de lei passar pelo crivo das comissões da Casa, como a CCJR e a 3ª Comissão de Finanças, Economia e Orçamento (CFEO), ser aprovado pelo Parlamento e, no final, a maioria dos vereadores defender o veto parcial da Prefeitura alegando inconstitucionalidade no artigo da propositura.

“A gente sabe que se trata de algo [o PL] que eventualmente pode criar uma despesa [para a Prefeitura de Manaus], o plenário vota e aprova. Ou estamos votando sem saber o que estamos votando? Eu não quero acreditar nisso. Quero acreditar na responsabilidade de todos. Estava muito claro no projeto que trazia sim uma obrigação [o aporte financeiro pelo lado Poder Executivo] para a realização do evento”, disse Guedes.

Veto mantido

Depois de uma enxurrada de argumentos a favor e contrários ao veto parcial da Prefeitura de Manaus sobre o Festival Gospel de Arte de Manaus (FEGAM), a maioria dos vereadores durante a votação na Câmara Municipal, hoje de manhã, decidiu manter a recusa ao financiamento do evento pelo Executivo. O autor da propositura, junto com Amom Mandel, Rodrigo Guedes e Capitão Carpê, foram os únicos que votaram contra o veto parcial. 

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