A presidência estadual do Psol Amazonas espera, na próxima semana, que o diretório regional do partido e a executiva nacional possam decidir sobre o pedido de afastamento, que pode culminar em expulsão, do secretário-geral da legenda no Estado, Raoni Lopes.
Ele foi denunciado à polícia, por calúnia e difamação; e à direção do partido por suspeita de cometer violência política de gênero contra uma ex-integrante do Psol, Marklize Siqueira, que, após o episódio, no ano passado, deixou a sigla e hoje está filiada ao PCdoB-AM.
O manifesto, que pede o afastamento de Raoni, foi assinado por cinco das sete tendências do partido: Fortalecer; Coletivo Manaós; Bloco de Esquerda; Ação Popular Socialista e Movimento de Esquerda Socialista. Não assinaram: Revolução Solidária e Primavera Socialista.
"Apresentei o documento ao Diretório do PSol, agora vamos formalizar uma reunião na semana que vem para saber se esse pedido será acatado e se vai ser definitivo. Estamos agindo com o direito de ampla defesa. Esperamos que seja criada uma comissão e o caso seja levado ao Conselho de Ética do partido, pois esse tipo de violência política de gênero deve ser combatido todos os dias", disse a presidente regional da sigla, Rosilane Almeida.
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Rosilane Almeida avalia com o diretório do PSol a denúncia contra Raoni (Foto: Reprodução/Facebook)
Marklize Siqueira diz que espera decisão coerente do PSol sobre denúncia contra Raoni Lopes
Sobre a reunião da presidente estadual com o diretório do PSol a cerca da representação de cinco tendências do partido pelo afastamento de Raoni Lopes, Marklize diz que espera que "o partido seja coerente com as bandeiras de luta que defende e não se permita compactuar com violência política de gênero cometida por seus quadros dirigentes contra mulheres negras na política".
Ela revela que não foi convidada a participar da reunião e não tem notícias a respeito de nada do processo ético que enviou antes de sair do partido. Segundo ela, o processo foi aberto para a garantia de sua própria segurança.
Marklize diz que depois de denunciar o caso, Raoni nunca a procurou. Ela conta que, além do processo aberto no PSol Amazonas, também denunciou o caso à Polícia Civil do Amazonas. "Registrei Boletim de Ocorrência por crime virtual, calúnia e difamação. Junto com minha advogada, estou acompanhando os trâmites do processo", comunicou ela.
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Marklize Siqueira denunciou Raoni ao conselho de ética do Psol e à Polícia Civil do Amazonas (Foto: Divulgação)
Justiça estipular multa a quem participar de encontros do PSol de fora da agenda da presidência do partido
Esta semana, a presidente convocou uma reunião, mas, para sua surpresa, a maioria não participou. No dia seguinte, Raoni liderou um encontro com filiados do partido e, ao contrário do dia anterior, teve a adesão de filiados.
A direção estadual da sigla recorreu ao Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), que concedeu, ontem, liminar tornando legítimas apenas reuniões e assembleias realizadas pela presidente da sigla. Na ocasião, a Justiça estipulou multa de R$ 5 mil em caso de descumprimento da decisão por parte de qualquer membro do PSol Amazonas.
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Raoni fala em perseguição política, diz que tem respeito por Marklize e dá aviso a Marcelo Amil
Em entrevista ao Canal92AM, Raoni defende que não existe perseguição política dele com Marklize. "Há uma diferença na tática eleitoral entre eu e Marklize por conta de interesses dela em participar de outra chapa fora do PSol. Considerava descartada essa possibilidade porque acredito que devemos fortalecer o partido para superar a cláusula de barreira, que é uma proposta antidemocrática para o funcionamento do processo eleitoral em si. Por conta disso, ela saiu do PSol e respeito a decisão dela", informou o secretário-geral do PSol.
Sobre a denúncia apresentada à direção do partido e que posteriormente foi apresentada pela presidencial estadual ao diretório do PSol, Raoni diz que sabe da existência do documento e que a proposta está no conselho de ética, porém ainda não foi notificado. "Assim que me chamarem, vou responder e estou tranquilo quanto a isto", comunicou.
Já sobre a liminar concedida pelo Tjam e que torna nulo atos organizados por Raoni dentro do PSol Amazonas, ele diz que ainda não foi notificado oficialmente sobre a decisão, mas quando isso ocorrer irá se manifestar nos autos do processo. Para ele, questões como essa não se revolvem na Justiça.
"Partido não resolve questões na Justiça, mas sim com acordos em consenso e deliberação. Infelizmente estou sofrendo uma perseguição por parte do Marcelo Amil, pois ele sabe que não é o candidato do PSol ao Governo do Amazonas porque ele não tem maioria para isso. Ele não vai fazer no PSol o que fez em outros partidos como o PMN e o Partido da Mulher. Ele tá muito enganado, e vai sofrer as consequências disso principalmente porque ele instrumentaliza a partir de uma camada muito valorosa", alertou Raoni Lopes.
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Roani Lopes é secretário-geral do PSol Amazonas (Foto: Reprodução/Facebook)
Marcelo Amil diz que ajudou Raoni e lamenta episódio de violência política dentro do PSol
Marcelo Amil diz que lamenta profundamente que "exista no partido quem se valha de violência política de gênero para conseguir seus fins, como também lamento que ainda haja quem o defenda. A pequenez de Raoni é fato antigo. Além de misógino é ingrato, pois em 2019, quando estava em situação desesperadora à frente do PSOL pediu minha ajuda e recebeu. Não me arrependo de tê-lo ajudado à época, cada um dá o que tem. Não concordo com a sabotagem covarde que ele pratica contra a presidenta Lane. Não foi a primeira vez que ele praticou essa violência, mas garanto que, pelo menos dentro do PSOL, foi a última. Golpistas, machistas e misóginos não passarão".
Tendências e diretórios falam em tentativa de golpe contra presidência do PSol no AM
Movimentos ligados ao PSol na capital e no interior do Amazonas, incluindo diretórios municipais, se manifestarem por meio de notas sobre a atual situação do partido.
O diretório municipal em Itacoatiária, por meio do presidente em exercício, Clóvis Mota dos Santos, disse que "acompanha estarrecido a tentativa de golpe contra a presidência do partido mobilizada por Raoni Lopes e que apoia a permanência de Rosilane Almeida no cargo". Acompanhe aqui.
A presidente estadual do partido, Rosilane Almeida, também divulgou nota, ontem. Ela afirma que não tem medo de Roani e não vai se desfiliar do partido. "Vou enfrentá-lo com a mesma coragem que enfrentei o machismo, a misoginia e o racismo a vida inteira". Clique aqui e veja.
O advogado Marcelo Amil, coordenador estadual do Fortalecer, uma das tendências do PSol Amazonas; disse que a mesquinharia da sabotagem impediu que Rosilane Almeida, construísse uma gestão como ela planejou e destacou que não aceitará mais essa prática. "O compromisso com o partido deve ser maior que os anseios pessoais de poder de alguém que se acha dono do PSol. Enfrentaremos", pontuou Amil. Clique aqui para ler o posicionamento completo.
As tendências Movimento Esquerda Socialista (MES) e Ação Popular Socialista (APS), que integram o Núcleo PSol no bairro Coroado, zona Leste de Manaus; pedem uma reunião extraordinária para este sábado, das 13h às 18h, para deliberação do diretório sobre os rumos do partido. Cliquei aqui e confira a convocação na íntegra.
O pedido foi aceito pela presidente estadual do PSol-AM. Veja aqui.
Da Redação do Canal92AM
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