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Presidente do PCdoB-AM nega suposto acordo de R$ 150 mil entre representantes de partidos de esquerda

| 24/02/2022 - 12:18
Por: Diogo Rocha
Foto: Arte/Canal 92AM

Eron Bezerra desmentiu que negociou com a dirigente do PSOL para migrar a Bancada das Manas para o partido comunista

A briga interna entre dirigentes do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) do Amazonas exposta em redes sociais desde sábado passado com a ida da Bancada das Manas, antiga Bancada Coletiva, para o Partido Comunista do Brasil (PCdoB) do Estado ganhou uma nova versão. Apontada como pivô de toda a movimentação para a troca de legenda pelo grupo de mulheres militantes da esquerda, a tesoureira do PSOL-AM, Marklize Siqueira, foi isenta de qualquer responsabilidade pelo presidente do PCdoB-AM, Eron Bezerra.

O secretário-geral estadual do PSOL, Raoni Lopes, chegou a anunciar que faria uma live para revelar um suposto acordo financeiro entre Marklize e a cúpula do PCdoB para uma campanha eleitoral. Não fez a transmissão ao vivo prometida nas redes sociais e acabou sendo acusado pela socióloga e professora de Serviço Social da Ufam de cometer violência política de gênero dentro do partido.

Mas, conforme a explicação ao Canal 92AM do presidente do PCdoB-AM, Marklize Siqueira nem sequer está filiada à sigla ou concorrerá diretamente à vaga na Assembleia Legislativa do Estado (Aleam). A produtora cultural e também integrante da Bancada das Manas, Michelle Andrews, que trocou o PSOL pelo PCdoB em busca de apoio político, será a única candidata de fato do grupo formado por mulheres militantes nas Eleições de 2022. Ela que brigará pelo cargo de deputada estadual pelo partido comunista.

"A filiação partidária no Brasil é livre. A Michelle Andrews que nos procurou para ser candidata e aceitamos a filiação dela de bom grado. Ela também perguntou se poderia levar a Bancada das Manas para o PCdoB e disse que sim e que não precisaria todas se filiarem ao partido. O nome que vai aparecer nas urnas [como candidata à deputada estadual] será apenas da Michelle Andrews. A nossa legislação eleitoral nem permite mais de um candidato”, explicou Bezerra.

E com exceção de Michelle Andrews, ainda segundo o dirigente do PCdoB-AM, Marklize e as outras três integrantes da Bancada das Manas - Alessandrine Silva, Val Fontes e Patrícia Andrade - não irão receber nenhum apoio financeiro do partido comunista. Foi especulado, nos bastidores da política, um financiamento de R$ 150 mil para a campanha do grupo. Boato desmentido por Eron Bezerra ao afirmar que a verba para cada candidato do partido para o pleito deste ano não está ainda definida. 

“Do ponto de vista legal, elas [Marklize Siqueira, Alessandrine Silva, Val Fontes e Patrícia Andrade] são apoiadoras [da campanha da Michelle Andrews] e não candidatas. Não podem receber recursos. A Michelle e qualquer outro candidato do PCdoB receberão recursos do fundo partidário para atividade eleitoral. Algo totalmente legal e transparente. E depois, ela precisará prestar contas do que gastou”, disse o presidente do PCdoB-AM.

“Nossas candidaturas sempre tiveram esse caráter coletivo”, completou Bezerra, afirmando que da Bancada das Manas somente Michelle Andrews, Alessandrine Silva e Patrícia Andrade são filiadas ao PCdoB-AM. Marklize Siqueira e Val Fontes seguem no PSOL-AM.

 PSOL-AM se pronuncia

A presidente estadual do PSOL, Rosilane Guimarães de Almeida, se pronunciou oficialmente, na última quarta-feira (23), por meio de nota, sobre os “incidentes envolvendo militantes dirigentes” do partido. Sem citar os nomes de Raoni Lopes, secretário-geral da legenda, e de Marklize Siqueira, tesoureira do PSOL-AM que registrou um Boletim de Ocorrência (B.O) acusando Lopes de perseguição e violência política de gênero, ela lamentou a exposição nas redes sociais e na mídia sobre o caso. Um racha evidente no partido de esquerda.

“Lamentável que debates que deveriam permanecer intramuros sejam externalizados de forma pouco prudente, e capitalizados politicamente de forma menos prudente ainda.”, diz a presidente do PSOL-AM sobre a briga interna, em um trecho da nota oficial.

Rosilane de Almeida afirma também que “nenhuma representação foi formalizada contra qualquer filiado, o que não impede esta presidência de agir de ofício, se assim entender necessário”.

Consultada pelo Canal 92AM, a presidente estadual do PSOL disse que tomará as devidas providências, sem revelar quais, e que os envolvidos responderão conforme as regras do estatuto do partido.

“Temos as instâncias internas que irão responder ao que rege ao estatuto, o PSOL é um partido que preza pelas disciplinas aos seus filiados. Quanto ao partido, somos um partido atuante onde desempenhamos um papel fundamental para a sociedade brasileira. Estaremos tomando procedimentos internos juntos as partes”, declarou Rosilane.

O Canal 92AM tem buscado entrar em contato com Marklize Siqueira desde a última segunda-feira (21) para revelar sua versão dos fatos expostos nas redes sociais e futuros procedimentos sobre o caso. Mas até o momento não tivemos respostas da tesoureira do PSOL-AM. 

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