Manaus, 01 de June de 2026   |  

Políticos do AM pedem mais fiscalização em área onde indigenista e jornalista desapareceram

| 09/06/2022 - 20:59
Por: Jornalismo/Canal92AM
Foto: Arte Canal 92AM

Eles estão sumidos desde o último domingo (9), em uma área do Vale do Javari

O desaparecimento do indigenista Bruno Pereira e do jornalista inglês Dom Phillips ganhou repercussão mundial e colocou em xeque ainda mais as questões de conflitos em terras indígenas. Eles estão sumidos desde o último domingo (9), em uma área do Vale do Javari, no município de Atalaia do Norte, no interior do Amazonas.

A classe política também se manifestou sobre o caso e pediu mais fiscalização na região do desaparecimento para evitar novos casos, além de coibir as atividades ilegais como o garimpo e a extração de madeira em regiões de terra indígena.

O deputado federal Zé Ricardo (PT/AM) cobrou do Ministério da Justiça e Segurança Pública, do Ministério da Defesa e da Polícia Federal investigação e apuração desse caso, juntamente com a Frente Parlamentar Mista em Defesa dos Direitos dos Povos Indígenas, da qual é vice-coordenador.

“Estamos cobrando urgência nas buscas aos desaparecidos. Sabemos que houve ameaças e até intimidações, o que é muito comum quando se trata de indigenistas e de quem defende os direitos dos povos indígenas”, declarou Zé Ricardo.

De acordo com o deputado, é nítido o abandono da Amazônia por parte do Estado e do Governo Federal, com Funai sucateada, pequena estrutura da Polícia Federal em relação ao tamanho da Amazônia, além da Base Anzol funcionar de forma precária.

O parlamentar acrescenta que o Conselho Indigenista Missionário (Cimi) está denunciando a incapacidade operacional de enfrentamento das atividades ilícitas nas áreas indígenas, prejudicando pescadores e ribeirinhos daquela região.

“Então, cobramos que o Governo haja nessa situação e em todas as outras onde a população está à mercê da violência e da pirataria, sem qualquer controle adequado”, finalizou o parlamentar.

O deputado estadual Serafim Corrêa (PSB) disse que “o problema da tríplice fronteira é a ausência do Estado brasileiro” e cobrou policiamento efetivo, principalmente nas regiões de conflito.

“O grande problema é a segurança pública no Brasil. Finalmente, não apenas a imprensa do Sul do país, mas do mundo inteiro, descobriu que o grande problema da Amazônia é a ausência do Estado brasileiro. Aquela região do Alto Solimões está dominada pelo garimpo ilegal, pelos madeireiros ilegais, pelo tráfico de drogas. E por tudo aquilo que não deveria existir, mas que existe exatamente pela ausência do Estado brasileiro”, lamentou Serafim da tribuna da Assembleia do Amazonas.

O parlamentar ainda disse que a região do Vale do Javari, por ser considerada uma região de difícil acesso e com um contexto suscetível ao crime organizado, deveria ter a presença da Marinha em grande escala na proteção de fronteiras aquáticas, o que não ocorre na prática.

“O Brasil mantém no Rio de Janeiro um enorme contingente da Marinha, mas lá em Tabatinga, Benjamin Constant e Atalaia do Norte, a presença da Marinha é muito tímida. Deveria ser o inverso. A Marinha deveria estar lá protegendo as nossas fronteiras aquáticas, ao invés de estar na Praia de Copacabana. Esse é o meu sentir e esse é o meu olhar e, por certo, será o olhar do Brasil e do mundo, agora que o indigenista e jornalista de nacionalidade inglesa, do The Guardian, estão desaparecidos naquela região”, disse.

O líder do PSB na Assembleia do Amazonas também fez críticas à fala do presidente da República, Jair Bolsonaro (PL), considerada “infeliz”, que atribuiu a expedição como “aventura não recomendável” por se tratar de uma “região selvagem”.

“A reação do Presidente da República não poderia ter sido mais infeliz. Ele disse que é uma aventura andar no Rio Javari. Mas como? Ele é o Presidente da República. Ele teria que ser o primeiro a garantir que os cidadãos brasileiros ou estrangeiros no país pudessem andar livremente pelos rios da região amazônica, sem receios de serem interceptados ou talvez até eliminados. Quero manifestar a minha solidariedade a toda a imprensa nacional, internacional e local. E rezar no sentido de que eles sejam encontrados com vida e que tudo não tenha passado de um desencontro”, disse.

O deputado Marcelo Ramos (PSD) também criticou a ausência do Estado na região e disse que com o desaparecimento de Bruno e Dom Phillips um Brasil invisível veio à torta.
“Atalaia do Norte tem o 3 º pior IDH do Brasil, nos rios dessa área há uma total ausência do Estado Brasileiro. Ali, na tríplice fronteira, o dono dos rios é o tráfico”, disse o deputado.

Já o senador Plínio Valério (PSDB) avalia o empenho de órgãos federais, como a Marinha e o exército brasileiro, de forma positiva.

“Até onde eu sei, a Marinha está dando todo apoio nessa busca toda, assim como o exército. Eu vejo essa mobilização salutar que não está sendo reconhecida, mas o exército e a Marinha estão dando a sua parcela sim de colaboração.”, declarou o parlamentar.

O indigenista Bruno Araújo Pereira, licenciado da Fundação Nacional do Índio (Funai), e o jornalista inglês e correspondente do jornal The Guardian, Dom Philips estão desaparecidos, desde o último domingo (5), na região do Vale do Javari.

As buscas estão sendo feitas na região com ajuda de helicópteros e lanchas.

 

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