Manaus, 02 de June de 2026   |  

Políticos do AM criticam decreto de Bolsonaro e veem como 'mortal para a ZFM'

| 26/02/2022 - 13:02
Por: Redação Canal92AM
Foto: Divulgação

Os políticos se manifestaram contrários a decisão do presidente Bolsonaro

Os políticos amazonenses criticaram o decreto de Bolsonaro, que reduz em 25% a alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), e veem como mortal para a Zona Franca de Manaus (ZFM).

Um dos primeiros a se posicionar foi o vice-presidente da Câmara, Marcelo Ramos (PSD). Ele comparou o decreto com a guerra entre Rússia e Ucrânia.

“É como se o Governo Federal fosse a Rússia e o Amazonas a Ucrânia. O ataque desse decreto, que reduz o IPI de todos os produtos industrializados do Brasil, acaba com a Zona Franca de Manaus”, declarou Ramos.

Marcelo afirmou que deve entrar com uma ação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o decreto do governo.

O mais grave, conforme Marcelo Ramos, é que o ministro da Economia, Paulo Guedes, havia se comprometido em excluir o desconto para os produtos produzidos na Zona Franca, durante uma reunião, mas o decreto vai contra o que foi dito.

“Esse compromisso foi confirmado pela secretária especial de Produtividade, Emprego e Competitividade, Daniella Marque Consentino, durante a reunião do CAS, em Manaus, nesta semana, mas não foi cumprido e os empregos dos amazonenses estão em risco”, diz.

Inimigo do Amazonas

O também deputado federal Zé Ricardo (PT/AM) afirmou que Bolsonaro é o inimigo número um do Amazonas.

Zé garante que irá apresentar, junto com outros políticos amazonenses, um Projeto de Decreto Legislativo (PDL), para barrar o decreto. “Esse ‘presente’ de carnaval de Bolsonaro e de seus aliados, quer fazer o Amazonas regredir cerca de 100 anos na história e voltar para a escassez econômica pós-ciclo da borracha.

Ele relembrou que Lula e Dilma prorrogaram os incentivos da Zona Franca por mais 60 anos, até 2073, garantindo os empregos e a arrecadação do Estado. No entanto, com o decreto de Bolsonaro, empresas podem deixar Polo Industrial de Manaus e causar milhares de desempregos.

Conforme o senador Plínio Valério (PSDB), depois de ouvir a Federação das Indústrias do Amazonas (Fieam), Cieam e a Secretaria Estadual da Fazenda (Sefaz), a bancada amazonense deve apresentar uma alternativa ao governo federal.

“Vamos apresentar uma alternativa técnica para o governo federal e depois tomaremos uma decisão política. Devemos, imediatamente, criar matrizes econômicas. Não podemos viver exclusivamente da Zona Franca, pois sempre será na lâmina da navalha, mas a classe política vai lutar por isso, mais uma vez, porém o governo federal está sendo ruim com a gente”, afirmou.

Ataque moral

Os senadores Omar Aziz e Eduardo Braga caracterizaram como um ataque mortal à decisão de Bolsonaro.

“Esse decreto, lamentavelmente, prejudica grave e seriamente a Zona Franca de Manaus. Os produtores de motocicleta, de televisão e de bens de informática, todos serão gravemente penalizados. A partir de agora o governo do presidente Bolsonaro assume uma posição contra a Zona Franca e contra os trabalhadores do Amazonas. Lamento muito dizer isso, espero que todos nós possamos nos unir”, disse Braga.

“Ataque mortal contra o Polo Industrial de Manaus. Essa medida adotada pelo ministro da Economia e governo federal atinge em cheio milhares de empregos no Amazonas; mas, a bancada não vai se calar. Lutaremos pelos empregos no nosso Estado. Lutaremos pela nossa economia”, escreveu Omar no Twitter.

O deputado estadual Serafim Corrêa (PSB), que é economista, chamou de canalhas a cúpula do governo federal.

“Confirmando os rumores, o governo federal reduziu o IPI em 25%, prejudicando Estados, Municípios e a ZFM. Para amortecer a repercussão publicaram às 18:00, em edição extra do DOU, na sexta feira antes do carnaval. São os verdadeiros Canalhas”, criticou.

O deputado Roberto Cidade (PV), presidente da Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE-AM), também lamentou a decisão do governo federal.

“Prevejo, infelizmente, uma fuga de indústrias e um grande número de desempregados em nosso Estado. Justamente num momento em que começamos a nos erguer, após dois anos de pandemia. É preciso que todos os representantes de nosso Estado se unam para que tentemos, junto ao Presidente da República e ao Ministro da Economia, para que voltem atrás dessa decisão”, disse.

O prefeito de Manaus, David Almeida, e o governador do Amazonas, Wilson Lima, também se posicionaram e vão participar de uma reunião com Guedes.

“Já marquei uma reunião com o ministro da Economia, Paulo Guedes, para tratar pessoalmente do assunto. Estarei acompanhado do prefeito de Manaus, David Almeida, de representantes da indústria e dos demais segmentos econômicos do estado. Vou lutar até o fim para que a medida, tão prejudicial ao povo do Amazonas, seja revogada pelo Governo Federal”, afirma Wilson Lima.

Conforme David Almeida, o decreto retira totalmente a competitividade da ZFM, abrindo caminho para que empresas deixem o Polo Industrial de Manaus.

“Os produtos, aqui fabricados, passarão a ser importados de outros países. Isso significa real ameaça para mais de 100 mil empregos e menos receita para investimentos em saúde, educação, tecnologia e infraestrutura em benefício do nosso povo. É inaceitável uma decisão como essa três dias antes do aniversário de 55 anos da Suframa”, afirmou.

*Da Redação do Canal92AM
 

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