Escritor e presidente da Associação de Letras do Brasil no Amazonas (ALB-AM), Leonardo Mississipe, e o pernambucano Guilherme Cordel, que é cordelista e pedagogo, foram os convidados do programa na última quinta-feira (17)
Na última quinta-feira (17) à noite, o 4º episódio do Pod’s Crer, podcast do Canal 92AM, mudou o foco das últimas entrevistas comandadas pelos apresentadores Nivaldo Mota e Paulo Gravata. Saiu a discussão sobre política com pré-candidatos ao governo do Amazonas e Senado Federal, para dar vez à cultura, em especial no campo literário.
Os convidados do programa foram o escritor e presidente da Academia de Letras do Brasil no Amazonas (ALB-AM), Leonardo Mississipe de Souza, e o poeta pernambucano Guilherme Cordel, que como o sobrenome já diz é cordelista, mas também pedagogo. A terceira participação ilustre no podcast seria do presidente da Academia de Letras e Culturas da Amazônia (Alcama), Paulo Queiroz, que precisou se ausentar por questões profissionais.
Natural do município de Fonte Boa, na região do Alto Solimões, Mississipe chegou em Manaus ainda distante da sua vocação como escritor. Ele trabalhou por vários anos no setor da construção civil e trabalhando como técnico de segurança do trabalho no Sesi, ganhou reconhecimento nacional.
Após sofrer duras perdas com a morte da filha mais nova e da esposa, o presidente da ALB-AM decidiu que era hora colocar no papel tudo que queria deixar como legado literário. “Sempre achei que nós não devemos passar simplesmente pela História, nós temos que fazer parte da História”, disse Leonardo Mississipe, que publicou sua primeira obra, “A Contemplação”, em 2009, época que entrou na Associação dos Escritores do Amazonas (ASSEAM).
Chamado divino
Posteriormente, com uma cadeira na Academia de Letras, Ciências e Artes do Amazonas (ALCEAR), Leonardo Mississipe foi aclamado presidente da ASSEAM, onde permaneceu no cargo por dois mandatos consecutivos. “A partir daí, eu passei realmente a andar abraçado com a literatura e a cultura amazonense e brasileira”, disse o escritor, que também é fundador do Sindicato Rural Patronal de Presidente Figueiredo após se sentir lesado ao ganhar a posse de um lote de terra no município.
A vocação para a poesia, conforme o dirigente da ALB-AM, surgiu como um chamado divino depois do falecimento da mãe. Inclusive, os primeiros versos de Mississipe foram em homenagem a ela, quando estava isolado na comunidade Jardim Floresta, em Presidente Figueiredo.
"Tudo que faço eu recebi uma revelação para ser escritor. Eu acordei uma madrugada e a parede do meu quarto estava com dores diferentes, sentei e fiquei olhando pasmo e uma voz disse para mim: escreva um livro e contemple as obras do Senhor [Deus]", relembrou Mississipe, que quatro anos depois recebeu o mesmo chamado para escrever.
Homenagem as mulheres
Morando há 16 anos em Manaus após deixar Recife (PE) à trabalho, o cordelista e pedagogo Guilherme Cordel recitou no Pod’s Crer o cordel "Machismo e Violência", de sua autoria, que critica o machismo estrutural, sexismo e misoginia para homenagear as lutas e reflexões que marcam o Dia Internacional da Mulher, a pedido do apresentador do podcast Nivaldo Mota.
"No país das injustiças/Temos muito a rever/A desigualdade é grande/É difícil conviver/Com a cultura do machismo/Esse imenso egoísmo/ Nós temos que combater/Combater o preconceito/Homem ganha muito mais/Mulher na mesma função/No salário fica atrás", disse o cordelista no início da obra.
No final do programa, Mota e cada convidado recitou novamente um poema e um cordel. E para ver na íntegra a entrevista com o escritor e presidente da Academia de Letras do Brasil no Amazonas (ALB-AM), Leonardo Mississipe, e o poeta Guilherme Cordel basta acessar a página do Canal 92AM no Facebook ou este link.
Veja o cordel "Machismo e Violência" sendo recitado:
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