Manaus, 31 de May de 2026   |  

Conheça alguns dos desafios do próximo governador do Amazonas

| 01/10/2022 - 10:46
Por: Jornalismo/Canal92AM
Foto: Divulgação

O primeiro turno das eleições acontece neste domingo (2)

Neste domingo (2), 2.352.330 amazonenses vão às urnas escolher o novo governador que vai comandar o estado pelos próximos quatro anos. O vencedor tem alguns desafios pela frente, como na economia, meio ambiente, saúde, segurança pública e na educação. O Canal92AM conversou com o cientista político Helso Ribeiro, que fez uma análise dos assuntos.

Segurança

Sem sombra de dúvida, um dos grandes desafios do próximo governador é na segurança pública. Como é de conhecimento geral, o Amazonas é um dos corredores do tráfico de drogas no Brasil e conta com forte atuação de facções criminosas que estendem seus tentáculos a vários tipos de crimes, principalmente em assassinatos, número que cresceu muito nos últimos anos.


Para Helso, não há como combater o crime organizado somente com o efetivo estadual.

“O Brasil é uma federação dividida em três entes (União, Estados e Municípios). Sem a união desses três entes, colocando a inteligência para funcionar, nós iremos continuar sendo campeões mundiais de número de homicídios, o tráfico continuará imperando. Então, eu penso que o futuro governador tem que se aproximar e fazer acordos com o Governo Federal, para tratar desse assunto, pois sem isso não tem como combater o crime organizado”.

Saúde

Na área da saúde, assim como em todo o mundo, a pandemia causou danos irreparáveis no Amazonas e também revelou que o estado contava com um sistema de saúde sem capacidade em termos de recursos físicos e humanos. No interior, apesar da instalação de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) em alguns municípios após a pandemia, o problema ainda está longe de ser resolvido. Com isso, o próximo governador tem a missão de equipar os hospitais e dar um atendimento digno à toda a população.

O cientista político volta afirmar que, assim como na segurança pública, somente a junção dos três entes poderia dar resultado na saúde do Amazonas.

“A pandemia desnudou uma triste realidade do Amazonas. Não existia um leito de UTI nos 61 municípios do interior. Não tem como um estado como o nosso deixar na conta dos municípios ou ficar com a responsabilidade sozinho. Quantos hospitais federais nós temos no Amazonas, tirando os universitários? Nenhum. Então, enquanto não houver a ajuda desses três entes, a gente vai continuar fingindo que faz saúde e que presta assistência, mas, na verdade, vai deixar a Deus dará a população do interior”, afirma.

Educação

No campo da educação, o novo governante tem pela frente um antigo problema: a evasão escolar. Isso, muitas das vezes, acontece por conta da distância geográfica e a falta de estrutura em quase todos os municípios, além dos índices baixos analisados nos últimos anos pelo Ministério da Educação (MEC). Mas como o próximo governador deve lidar com o problema para que o Amazonas saia da lanterna em termos educacionais?

Para Helso, o problema pode ser resolvido com algo que chega a ser singelo: escola de tempo integral.”

“As crianças entram na escola às 7h30 e saem às 17h30. Tem muito discurso e pouca prática, quanto não resolverem essa questão vamos continuar com arremedos de escola. O professor finge que está ensinando e o aluno finge que está aprendendo. No fim do ano, todo mundo passa e o ensino continua péssimo, continua uma lastima”, garante.

O especialista acrescenta que nenhum dos 40 países, como Noruega, Alemanha, Dinamarca, Bélgica, Canadá, com melhor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) no mundo, não resolveu o problema da educação sem o sistema de tempo integral.

Economia

O principal modelo econômico do Amazonas, a Zona Franca de Manaus (ZFM), sofreu vários ataques do governo Bolsonaro, por meio do ministério da economia. Muitos governadores já falaram em novos modelos como Zona Franca Verde, bioeconomia e uso de recursos sustentáveis, porém até agora nada saiu do papel e do campo das ideias.

Investir no Amazonas, conforme Helso, tem um custo muito elevado. Uma das dificuldades é a questão da falta de estradas, já que a BR-319, única ligação com o restante do país, é praticamente intrafegável.

“O modelo Zona Franca, instituído em 1967, foi uma espécie de salvaguarda para gerar empregos. E esse modelo dá para ser substituído a médio e longo prazo, não pode ser de imediato. É bonito quando as pessoas falam em turismo e bioeconomia, mas não tem como fazer essa substituição de hoje para amanhã. Grandes economistas do Amazonas dizem que o PIM não tem como ser substituído sem gerar um grande número de desempregados pelos próximos 20 anos”, afirma.

O cientista político também criticou os ataques do governo Bolsonaro, que, segundo ele, “Apunhalou as costas do Polo Industrial”.

“Enquanto não houver consciência do Governo Federal que a nossa região é dificultosa, não adianta vir com esses discursos de substituição por crédito de carbono, economia sustentável, biofármacos, que isso não ocorre do dia para noite”.

Meio ambiente

O Amazonas é o maior estado da Amazônia e já contou com grandes recursos do Fundo Amazônia, enviados pela Noruega e Alemanha, para proteção do meio ambiente, recursos esses que foram interrompidos após os discursos inapropriados do presidente Jair Bolsonaro.

O desafio do próximo governador é mostrar ao mundo que pode gerar desenvolvimento, como emprego e renda para população, e ao mesmo tempo preservar o meio ambiente.

O especialista afirma que um estado com dimensões continentais como o Amazonas precisa de ajuda federal e mundial nas questões de meio-ambiente.

Política

No campo político, Helso afirma que qualquer um dos candidatos que vença a eleição não terá dificuldade para firmar um arco de aliança política.

“O governador Wilson Lima nunca concorreu a nenhum cargo. Com detalhe, quando ele foi eleito, em 2018, nenhum deputado estadual do partido dele foi eleito. Ele construiu esse arco de aliança durante o mandato. Eu não tenho dúvida que quem ganhar as eleições em janeiro terá boa parte dos partidos ao seu lado. Isso faz parte do jogo do toma lá, dá cá da política brasileira. Então, ainda que eu veja uma diferença grande de intenções de voto para o atual governador, Wilson, eu penso que se ganhar Amazonino ou Eduardo Braga eles não terão problemas para fazer um arco de aliança”, conclui.
 

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