Manaus, 01 de June de 2026   |  

Omar Aziz passa uma semana criticando Bolsonaro nas redes sociais e faz de embate 'cabo eleitoral'

| 16/05/2022 - 21:10
Por: Diogo Rocha
Foto: Montagem/Canal 92AM

Pelo Twitter, na maioria das vezes, senador do PSD-AM detonou ações do Governo Federal direcionando críticas, principalmente, a política econômica e se defendeu de acusações de ser demagogo

O presidente da República, Jair Bolsonaro (PL), e o senador pelo Amazonas, Omar Aziz (PSD), são inimigos políticos declarados. Desde que presidiu a CPI da Pandemia no Senado no ano passado, quando foram expostas muitas falhas e decisões suspeitas do Governo Federal no enfrentamento à pandemia de Covid-19, Aziz virou alvo frequente de críticas pelo lado de Bolsonaro e vice-versa.

Neste ano eleitoral, o senador e o chefe do Poder Executivo Federal intensificaram as trocas de farpas, carregadas de ironia e deboche muitas vezes, para fortalecer a base para o futuro pleito, no caso de Omar Aziz. E o campo de guerra escolhido para mostrar quase em tempo real para a população os conflitos entre um lado e outro tem sido as redes sociais, como Twitter, Facebook e YouTube. Só na última semana, por exemplo, Aziz criticou o Governo Bolsonaro, praticamente, todos os dias, entre 9 e 16 de maio, e também se defendeu de acusações.

Desde a CPI da Pandemia, o Twitter virou o meio recorrente do parlamentar do Estado para apontar tudo que considera negativo e impactante para o País causado pelo Governo Bolsonaro. Na segunda-feira passada, dia 9, Aziz destacou uma notícia publicada em um grande jornal do Brasil, estratégia que usa com frequência, para criticar o presidente da República e sua política econômica. 

‘Bolsonaro será 1º presidente desde o Real a deixar salário mínimo valendo menos’, dizia o título da notícia mostrada por Omar Aziz no Twitter, com o seguinte comentário do senador na publicação: “A semana começa com a realidade sendo retratada nos principais jornais do Brasil. Pela primeira vez em 28 anos, o salário mínimo perde valor no País. Muitos nem eram nascidos quando esta realidade atormentava os brasileiros.”

Na mesma publicação, Omar segue criticando o Governo Federal:

“Hoje a desvalorização do nosso dinheiro já é vista nos bolsos das famílias que vão ao supermercado e cada vez mais são obrigadas a levar menos compras.

O Governo Bolsonaro tem data para acabar.”, disse o senador do PSD se referindo às Eleições Gerais deste ano.

Política econômica x ZFM

No dia seguinte, dia 10, Omar Aziz postou outra manchete de jornal: ‘Diesel tem aumento de R$ 0,40’. Apesar de direcionar as críticas a Petrobras, o senador está ciente que o Governo Federal é o maior acionista da estatal.

“Mais um aumento que deve impactar em outros setores. Desta vez é o do diesel com reajuste de 40 centavos, o que deve encarecer o trabalho dos caminhoneiros e inflacionar toda a logística pelo Brasil.

É uma reação em cadeia e o maior prejudicado é o consumidor final.”, postou. “Enquanto a Petrobras não mudar essa política que privilegia os acionistas em detrimento dos brasileiros, este poço não terá fundo.”, completou Aziz.

Ainda na terça-feira passada, Omar Aziz mostrou também a reunião com a bancada federal do Amazonas para montar as próximas estratégias para garantir que o Supremo Tribunal Federal (STF) assegure definitivamente a excepcionalidade dos produtos da Zona Franca de Manaus (ZFM) sobre os decretos de redução do IPI pela União.

Ele destacou ainda que o ministro do STF, Alexandre de Moraes, fará audiências públicas para explicar a relevância da ZFM para o Amazonas e o restante do País. Moraes concedeu, no dia 6 de maio, uma decisão liminar favorável ao principal modelo econômico do Estado após a ADI impetrada pela bancada por meio do Solidariedade, na semana retrasada.

“Na semana passada, conseguimos uma grande vitória com a decisão liminar do Ministro Alexandre de Moraes. Mas não podemos baixar a guarda diante de tantos ataques que já sofremos no Governo Bolsonaro.”, postou Aziz.

Defesa da ZFM e reduflação

No dia 11, o senador fez uma série de publicações no Twitter apontando os pontos positivos da Zona Franca e aproveitou para detonar o Ministério da Economia, de Bolsonaro. “O que prejudica o Brasil é a falta de uma política econômica, de uma política de distribuição de renda, de inclusão e de geração de emprego.

O que prejudica o Brasil é esse desgoverno!”, tuitou.

No dia 12, os ataques ao Governo Bolsonaro foram concentrados na alta da inflação no País, com outra notícia jornalística falando sobre ‘reduflação’.

“Para driblar a inflação, os produtos estão sendo encolhidos nas prateleiras dos supermercados. É a tática do menos pelo mesmo preço.

Vale destacar que a prática não é ilegal, desde que o consumidor seja informado da redução dos tamanhos.

A medida evita a subida de preços ao consumidor final.

A inflação alta é um dos grandes retrocessos do Governo Bolsonaro. Se o Ministério da Economia não achar uma solução, a população deve encontrar uma em outubro.”, postou Omar Aziz, em mais uma referência às Eleições para a Presidência da República.

Pandemia e fake news

No dia 13 de maio, sexta-feira passada, as críticas de Aziz foram contra as medidas do chefe do Poder Executivo Federal na pandemia. Ele destacou a notícia de um jornal: ‘Saúde tenta driblar a resistência de Bolsonaro e avançar vacinação da Covid’.

“Um presidente da República que atrapalha o próprio Ministério da Saúde na sua estratégia de imunizar a população. É disso que se trata esta reportagem publicada na edição de hoje do jornal Folha de São Paulo. É estarrecedor!”, comentou o senador na publicação.

Neste mesmo dia, Omar Aziz rebateu uma declaração feita por Jair Bolsonaro em sua live semanal de quinta-feira no YouTube. Na transmissão, o presidente da República afirmou que os decretos de redução do IPI do Governo Federal não impactavam nos empregos gerados pela Zona Franca e acusou Aziz e outros parlamentares do Estado de serem “políticos carreiristas” que fazem demagogia usando a bandeira de defesa da ZFM em benefício próprio e que nunca fizeram nada pelo Estado.

Em resposta, o senador do PSD acusou Bolsonaro de espalhar fake news sobre a redução do IPI e seus efeitos no modelo Zona Franca e comparou suas ações como governador do Amazonas no passado com as do desafeto político como presidente do Brasil.

“Presidente, eu fiz em quatro anos [como governador do Estado] 30 mil casas. Sabe quantas o senhor construiu aqui no Estado do Amazonas? Nenhuma. Presidente, eu fiz 24 escolas de tempo integral em quatro anos. Sabe quantas de escola integral o senhor fez aqui? Nenhuma. Sabe a BR-319? Que teve gente que falou que ia comer a boina se não fizesse? Até hoje vocês não botaram um centímetro de asfalto. Continua do mesmo jeito”, disse Aziz, em vídeo gravado no YouTube e repostado no Twitter.

“Nós dois tivemos quatro anos e o máximo que o senhor fez aqui pelo Estado foi uma ponte de madeira em São Gabriel da Cachoeira, que o senhor gastou mais com a inauguração do que com a obra.

O senhor fala em segurança pública. Procure saber quanto ganhavam os policiais militares e civis no meu governo. Aqui sim houve valorização pro servidor público.

Presidente, honre o cargo para o qual o senhor foi eleito e não minta mais para a população.”, seguiu Aziz nas críticas à Bolsonaro em publicações no microblog.

Intervalo e retomada das críticas

No último final de semana, dias 14 e 15, Omar Aziz teve uma agenda intensa no interior do Amazonas e preferiu divulgar suas medidas como senador em benefício dos municípios. Mas nesta segunda-feira (16), ele voltou a focar nas críticas ao Governo Bolsonaro.

“Semana começa com um dilema da vida real para muitos brasileiros. Resultado da tragédia que é a política econômica do Governo Bolsonaro: uma família tendo que escolher entre pagar uma conta ou comer.”, comentou Aziz, na publicação com uma manchete do Jornal do Commercio, de Pernambuco de hoje: ‘Entre pagar a luz ou comer’.

“Com o desemprego elevado e inflação em alta, as pessoas estão direcionando os gastos para o consumo básico de comida e até se arriscam a ter luz e água cortadas ao deixar de pagar a conta. Esta política econômica do Governo Bolsonaro está fazendo mal ao Brasil. Precisa mudar.”, escreveu ainda no Twitter.

Em busca da reeleição para o Senado, Omar Aziz decidiu usar o embate com o presidente Jair Bolsonaro, pelas redes sociais, como um cabo eleitoral. Afinal, o próprio Bolsonaro comprovou nas Eleições de 2018, que o levaram para a Presidência da República, que usar ferramentas como Twitter e grupos de WhatsApp influenciam a opinião pública, atraem mais eleitores e até podem decidir um pleito para o maior cargo do País.   

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