Omar Aziz, Randolfe Rodrigues e Renan Calheiros são membros do Observatório da Pandemia no Senado
O senador Omar Aziz (PSD-AM cobrou providências do procurador-geral da República, Augusto Aras, em relação ao relatório da CPI da Covid-19 e afirmou que o magistrado “desmerece” as provas encaminhadas pelo colegiado.
Omar e o vice-presidente da CPI da Covid-19, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), e o relator, Renan Calheiros (MDB-AL), organizaram uma coletiva de imprensa nesta quarta-feira (23), em que apresentaram um cronograma do que foi feito após a entrega do relatório final e conclusões da Comissão.
Os parlamentares criticaram Aras por questionar a existência de provas contra autoridades na condução da pandemia, citaram a suposta omissão do governo federal na compra de vacinas e declarações do presidente Jair Bolsonaro (PL) sobre a Covid-19.
Em vídeo, publicado nas redes sociais, Omar Aziz, que é presidente da CPI, afirma que não faltam provas das omissões no enfrentamento à Covid-19 no Brasil.
“Tentam diminuir o trabalho que fizemos e, muitas vezes, confundir a população brasileira e não vamos permitir isso. Temos todo o respeito pelo procurador-geral, como temos por todas as autoridades do Brasil, mas não podemos permitir que o trabalho de seis meses mostrando ao Brasil como foi tratado a questão da pandemia e como chegamos a mais de 630 mil mortes, seja desmerecido. Fizemos isso com documentos, depoimentos e informações. Colocamos tudo, alguns documentos sigilosos, e entregamos à PGR e a outros órgãos”, afirma Omar.
O senador salienta que os Ministérios Públicos e Federais das cidades de Brasília, São Paulo e Manaus estão dando andamento nas investigações. “Somente aqui (PGR) que o pessoal acha que não tem prova nenhuma”.
"Não queremos vingança"
Conforme Omar, o objetivo da CPI nunca foi de vingança, mas mostrar a verdade e não permitir que a impunidade prevaleça para as pessoas que foram omissas, negacionistas e que propagaram Fake News diminuindo a gravidade da doença.
“Que os responsáveis sejam penalizados e os que não são que sejam absolvidos pela lei, pois é isso que queremos, não queremos vingança, queremos justiça. O Dr Aras, como procurador-geral da República, pode condenar, ou absolver, mas nunca dizer que não tem provas”, salienta.
"Tenta ganhar tempo"
Renan Calheiros diz que Aras tenta ganhar tempo. “Nós estamos tendo dificuldade com esses encaminhamentos na PGR exatamente porque há um esforço para desmerecer as provas. Não vão conseguir porque essa CPI investigou tudo à luz do dia. A sociedade acompanhou os interrogatórios e as provas que esses interrogatórios produziam”, afirmou Renan Calheiros.
“Se Aras tem convicção com relação à ineficácia das provas, que ele absolva os acusados. Mas não diga que não tem prova e participe de um processo de enrolação, que significa ganhar tempo através de uma petição mandada em caráter sigiloso para o STF”, defendeu.
Já Randolfe Rodrigues elogiou Aras por ter pedido ao STF a abertura do sigilo das investigações preliminares decorrentes da CPI, mas cobrou o prosseguimento da apuração.
“É de bom tom terem aberto o sigilo do inquérito, nesse aspecto saudamos o doutor Aras, mas queremos a sequência disso”, comentou.
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