Observatório vai detectar planetas capazes de abrigar vida, enxergar as primeiras luzes do Cosmo e a formação das primeiras estrelas e galáxias após o Big Bang
Mais de 30 anos depois do lançamento do telescópio espacial Hubble, que revolucionou nossa visão do Universo, a Nasa dá um novo salto crucial na compreensão do cosmos. Na manhã deste Dia de Natal, a agência espacial americana lançou o novo observatório James Webb. O observatório pretende detectar planetas capazes de abrigar vida, além de enxergar as primeiras luzes do Universo e a formação das primeiras estrelas e galáxias logo após o Big Bang – a explosão primordial que deu origem a tudo.
Desenvolvido pela Nasa, com a colaboração da Agência Espacial Europeia (ESA) e da Agência Espacial Canadense (CSA), o novo telescópio foi lançado pelo foguete europeu Ariane 5, a partir da base da ESA em Kouru, na Guiana Francesa. O lançamento foi um dos mais tensos da história da Nasa, depois de décadas de atraso e vários reajustes orçamentários. Esses recálculos levaram a missão a um custo final inédito: R$ 51 bilhões.
O projeto do telescópio, batizado com o nome de um antigo diretor da Nasa, já tem mais de 30 anos. Nesse tempo, enfrentou ameaças de cancelamento, adiamentos e obstáculos tecnológicos. Vários outros projetos científicos tiveram de ser cancelados para que a Nasa bancasse a construção do telescópio. Tanto assim que a Nature, uma das mais importantes revistas científicas do mundo, se referiu ao James Webb, em um texto de 2015, como "o telescópio que engoliu a astronomia".
"O James Webb começou a ser planejado ainda na década de 1990, como um projeto curto e barato", conta a astrônoma Duília de Mello, da Pontifícia Universidade Católica da América e colaboradora da Nasa. "Mas foi repensado, ganhou nova cara e bilhões de dólares a mais. Originalmente, deveria ter sido lançado em 2007."
Projetado para ser o substituto do telescópio Hubble – lançado em 1990 e ainda em funcionamento –, o James Webb é um instrumento bem maior, muito mais complexo e com metas mais ambiciosas. O novo telescópio não vai estudar a parte visível do espectro eletromagnético como fazem o Hubble e observatórios em operação na Terra. O JW captará a radiação em infravermelho.
"Há muitas razões para isso", explicou ao jornal britânico The Guardian Gillian Wright, diretor do Centro de Tecnologia Astronômica de Edimburgo, no Reino Unido, que faz parte do projeto. "Para começar, o infravermelho é a parte perfeita do espectro para olhar através da poeira e isso é importante porque estrelas e planetas se formam em regiões cheias de poeira. Para quem quer entender onde e como outros sistemas solares se formaram, o James Webb vai oferecer dados cruciais", afirmou.
*Com informações do jornal O Estado de S.Paulo
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