Manaus, 30 de May de 2026   |  

Ministro da Defesa diz ter 150 militares nas buscas por jornalista e indigenista desaparecidos no Amazonas

Amazonas | 08/06/2022 - 17:25
Por: Jornalismo/Canal92AM*
Foto: Montagem/Folha de S.Paulo

Paulo Sérgio Nogueira também negou, em audiência na Câmara dos Deputados, ter ocorrido um atraso pelas Forças Armadas nas buscas por britânico Dom Phillips e brasileiro Bruno Pereira e justificou que região do Vale do Javari é de difícil acesso

Em uma audiência na Câmara dos Deputados, o ministro da Defesa, general Paulo Sérgio Nogueira, afirmou nesta quarta-feira (8) que não teve atraso das Forças Armadas para atuar nas buscas do jornalista britânico Dom Phillips e do indigenista da Funai, Bruno Pereira, desaparecidos desde domingo (5) na região do Vale do Javari, no Amazonas. Cerca de 150 militares estão atuando na área neste momento atrás do paradeiro deles, conforme Nogueira.

"Tão logo surgiu a notícia, passei uma mensagem ao grupo dos comandantes das Forças [Armadas] e mandei imediatamente colocar o que tinha de perto à disposição. Pessoal do Exército, guerreiros de selva, agentes especializados em entrar no mato, no rio, no igarapé e no furo. Pessoal da Marinha está lá também, a Força Aérea transportando, helicópteros na área. Então, tudo está sendo feito em coordenação com a Polícia Federal, com as agências governamentais da área do meio ambiente que estão lá", garantiu.

"A gente torce e reza para que eles sejam encontrados os dois com vida, sãos e salvos. E [existe] o esforço da Defesa com as Forças [Armadas], para a gente ajudar nas buscas desses dois, do jornalista e do indigenista, isso não há dúvida. É só ligar a televisão agora que os senhores vão ver”, completou o ministro da Defesa na Câmara dos Deputados.

Paulo Sérgio afirmou também que conhece bem a região do Vale do Javari, onde foram vistos pela última vez os desaparecidos. “E eu conheço bem aquela área de Atalaia do Norte, subindo o Javari na direção do pelotão do estirão do Equador. É uma área crítica, mas é uma área muito sensível. Tem muito problema na área, e a gente não tem noção do que possa ter acontecido”, admitiu.

Ainda conforme o ministro da Defesa, a impressão de que houve atraso para o trabalho de buscas das Forças Armadas é resultado da dificuldade de acesso ao Vale do Javari. "O helicóptero mais próximo é de Manaus, e ele estava pronto, na manhã de ontem (7), para levantar voo e atuar na área. A Marinha da mesma forma. Não houve retardo e, considerando as distâncias e o tamanho da Amazônia, pode parecer que houve retardo”, voltou a justificar Nogueira.

Dom Phillips e Bruno Pereira viajavam pelo Vale do Javari, no Amazonas, e segundo a Univaja (União dos Povos Indígenas do Vale do Javari) e o Opi (Observatório dos Direitos Humanos dos Povos Indígenas Isolados e de Recente Contato), o último registro que se tem dos dois aconteceu na manhã do domingo, na comunidade de São Rafael. As duas entidades afirmam que o indigenista vinha sofrendo ameaças de invasores de terras, garimpeiros e narcotraficantes.

A Polícia Militar do Amazonas (PMAM) afirmou que um homem, que seguiu Pereira e Phillips pelo rio Itacoaí na manhã em que desapareceram, foi preso na última terça-feira (7) por porte de munição proibida.

Segundo divulgou a PMAM, testemunhas que viram a lancha com o jornalista e indigenista descer o rio rumo a Atalaia do Norte no domingo "avistaram também uma outra lancha de cor verde, com o slogan da 'Nike' bem visível, que trafegava no rio, logo após passar a lancha dos desaparecidos". 

*Com informações do jornal Folha de S.Paulo

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