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Mais de 600 auditores da Receita Federal entregam cargos em protesto ao reajuste salarial de policiais

Brasil | 23/12/2021 - 16:25
Por: Redação Canal92AM*
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Debandada começou na noite da última terça-feira (21) após o Congresso Nacional aprovar o Orçamento de 2022

A adesão ao movimento de auditores da Receita Federal de entrega de cargos de chefia após o Congresso Nacional prever no Orçamento de 2022 reajuste salarial para policiais federais cresceu nesta quinta-feira (23). A mobilização da categoria chegou ao Carf (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais). O órgão é uma espécie de tribunal da Receita.

Segundo o Sindifisco (sindicato da categoria), 44 auditores deixaram seus cargos. Com a medida, eles irão voltar para funções na Receita. Ao todo, 635 auditores já abriram mão de cargos comissionados.

O movimento é uma resposta à aprovação do Orçamento por deputados e senadores com um pedido feito pelo presidente Jair Bolsonaro (PL), de contemplar com aumento salário policiais, sua base política, em ano eleitoral. A Receita tem 7.950 auditores, 6.071 analistas e 2.938 funções comissionadas. Com a debandada, os servidores deixam os postos, mas seguem na carreira, uma vez que são concursados.

O Sindifisco afirmou nesta quinta que a entrega dos cargos de conselheiros do Cart têm potencial para já começar a afetar o julgamento de recursos no órgão. A entidade realiza nesta quinta-feira assembleia para decidir sobre uma paralisação nacional.

"O Sindifisco Nacional fará ao longo do dia assembleias telepresenciais com a categoria em todo o país a respeito das ações a serem tomadas diante dos cortes orçamentários na Receita Federal, do descaso e quebras de compromisso do governo para com a categoria. A pauta prevista é para decidir pela paralisação da categoria, para referendar a entrega de cargos, que já está ocorrendo", afirma nota divulgada pelo sindicato.

"A entrega de cargos envolve o compromisso de que ninguém irá ocupar o cargo que o outro entregou. A assembleia também definirá se a categoria partirá para a operação padrão na Aduana, se adotará o desligamento dos projetos nacionais e regionais, e o não preenchimento de relatórios gerenciais".

Os auditores fiscais iniciaram mobilização na noite de terça-feira (21), quando o Congresso Nacional aprovou o orçamento 2022. A lei orçamentária prevê um total de R$ 4,9 bilhões para fundo eleitoral e também R$ 1,7 bilhão para o reajuste para policiais federais.

O reajuste aos policiais foi um pedido do próprio presidente Jair Bolsonaro. Apenas policiais e agentes comunitários de saúde obtiveram reajuste dentro do funcionalismo. Os auditores reclamam que havia um acordo com a Economia para honrar o pagamento de bônus de produtividade, instituído em 2016, mas que nunca entrou em prática.

*Com informações do jornal Folha de S.Paulo 

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