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Mais de 500 crianças indígenas dos Estados Unidos morreram em escolas do governo

Mundo | 11/05/2022 - 18:15
Por: Redação Canal92AM*
Foto: GETTY IMAGES NORTH AMERICA/AFP/Arquivos

Investigação preliminar encomendada pela secretária do Interior dos EUA catalogou algumas das condições brutais que crianças indígenas norte-americanas sofreram em mais de 400 internatos entre 1819 e 1969

Uma investigação preliminar encomendada pela secretária do Interior dos Estados Unidos, Deb Haaland, catalogou algumas das condições brutais que crianças indígenas americanas sofreram em mais de 400 internatos que o governo federal as obrigou a frequentar entre 1819 e 1969.

O inquérito foi um passo inicial, segundo Haaland, para se abordar o "trauma intergeracional" causado por essa política.

O relatório do Departamento do Interior divulgado nesta quarta-feira (11) destacou o abuso de muitas crianças nas escolas administradas pelo governo, como espancamentos, negação de comida e confinamento solitário. Também identificou cemitérios em mais de 50 das antigas escolas, número que o departamento prevê que cresça conforme a revisão continue.

O relatório é o primeiro passo de uma revisão abrangente que Haaland, a primeira secretária de governo nativa, anunciou em junho depois que a descoberta de centenas de sepulturas não identificadas de crianças que frequentavam escolas semelhantes no Canadá provocou indignação nacional.

A investigação inicial apontou que "aproximadamente 19 internatos federais indígenas foram responsáveis por mais de 500 mortes de crianças indígenas americanas, nativas do Alasca e do Havaí". Esse número ainda deverá crescer, segundo o relatório.

A partir de 1869 e até a década de 1960, centenas de milhares de crianças nativas americanas foram retiradas de casa e da família e colocadas em internatos, que eram dirigidos pelo governo e por igrejas.

Havia 20 mil crianças nas escolas em 1900; em 1925, o número mais do que triplicou, de acordo com a National Native American Boarding School Healing Coalition.

A descoberta de sepulturas não identificadas no Canadá no ano passado —215 na Colúmbia Britânica e mais 750 em Saskatchewan— levou Haaland a anunciar que sua agência vasculharia os terrenos de antigas escolas nos EUA e identificaria quaisquer restos mortais. Os avós da secretária frequentaram essas escolas.

"As consequências das políticas de internatos indígenas federais —incluindo o trauma intergeracional causado pela separação familiar e a erradicação cultural infligida a gerações de crianças de até quatro anos de idade— são comoventes e inegáveis", disse Haaland em comunicado. "É minha prioridade não apenas dar voz aos sobreviventes e descendentes das políticas dos internatos indígenas federais, mas também abordar os legados duradouros dessas políticas para que os povos nativos possam continuar a crescer e se curar."

O relatório de 106 páginas, elaborado por Bryan Newland, secretário-assistente da Agência para Assuntos Indígenas, conclui que são necessárias mais investigações para entender melhor os efeitos duradouros do sistema de internatos sobre os indígenas nativos do Alasca e do Havaí.

O governo ainda não forneceu um fórum ou oportunidade para sobreviventes ou descendentes de sobreviventes dos internatos ou suas famílias descreverem suas experiências nas escolas. Na tentativa de assimilar as crianças nativas, as escolas lhes deram nomes em inglês, cortaram seus cabelos e as proibiram de falar suas línguas e praticar suas religiões ou tradições culturais.

Haaland também anunciou planos para uma turnê de um ano pelo país, chamada O Caminho da Cura, durante a qual os sobreviventes do sistema de internatos poderão compartilhar suas histórias.

O governo canadense criou iniciativas semelhantes e destinou cerca de 320 milhões de dólares canadenses (R$ 1,26 bilhão) para comunidades afetadas pelo sistema de internatos, buscas de locais de sepultamento e homenagens às vítimas.

*Com informações do jornal Folha de S.Paulo 

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