Mais 2,5 milhões de eleitores irão às urnas para escolher o novo presidente
Em 2022, mais de 2,5 milhões de eleitores irão às urnas no Amazonas. A população terá a oportunidade de escolher novos líderes para a Presidência da República e o Governo do Estado, além dos parlamentares: deputados estaduais e federais e um senador. Com foco nas Eleições Gerais, o Portal Canal 92 AM convidou um dos cientistas políticos mais conceituados de Manaus, Helso Ribeiro, para fazer uma análise sobre o perfil do eleitorado amazonense.
O especialista explica que os eleitores podem apresentar mudanças, tendo em vista que a pandemia da Covid-19 desnudou problemas que não haviam sido enfrentados antes e gerou novas perspectivas sobre o que o cidadão espera dos representantes políticos.
Canal92Am - A tendência do povo é escolher representantes de direita, esquerda ou centro?
HR - Essas tendências ideológicas passam distante da escolha da maioria da população. Claro que existe um certo percentual de eleitores que vota de forma bem ideológica, mas a grande maioria, 80%, talvez mais, não está preocupada com essa divisão: direita, esquerda, centro.
Vejo que a tendência do eleitor é escolher aquele candidato que tenta, pelo menos, demonstrar que vai fazer melhorias para a vida daquela pessoa. Eu diria que essa é a escolha que norteia o voto da grande maioria.
As eleições em Manaus sempre foram muito apertadas. Não lembro quando algum prefeito ou governador ganhou com larga margem de votos. É muito dividida, então, aquele que se vende melhor, que passa suas propostas de forma mais adequada, independentemente, de ser de centro, de direita ou de esquerda, ele acaba ganhando a simpatia do eleitorado.
Helso Ribeiro é advogado, professor e cientista político
Canal92Am - Haverá mudanças no perfil do voto dos amazonenses, principalmente, em virtude das consequências socioeconômicas provocadas pela pandemia da Covid-19?
HR - Em 2018, a população escolheu Wilson Lima, que era um novo nome, e o deputado Jair Bolsonaro, que já tinha 30 anos de vida pública, mas que passou a imagem de novo na política, que de novo não tinha nada.
No Amazonas, o presidente Bolsonaro ganhou em apenas três municípios, somos 62. E um dos municípios que ele ganhou, o único com uma larga diferença, foi Manaus. Pelas pesquisas iniciais que têm chegado, noto que ele desidratou um pouco.
Tem um tempo até as eleições, vamos ver como esse novo ‘bolsa família’ vai reagir. Temos visto o aumento da gasolina e a inflação chegando aos dois dígitos. Um detalhe: quando falamos que a inflação está a 10%, isso é com base no IBGE, mas quando vamos ao supermercado notamos que os alimentos aumentaram mais do que isso, pelo menos em Manaus.
Eu acredito que tudo isso deve gerar sim uma mudança no perfil.
A pandemia fez com que fossem desnudadas determinadas realidades. Por exemplo, o interior sem nenhum leito de UTI, em um estado que arrecada bastante como o nosso, então talvez isso faça com que o eleitor tenha outro critério.
Além disso, em eleições nacionais há sempre uma renovação muito grande. Eu diria que essa não será diferente. Na Câmara Federal são oito deputados, com certeza quatro não voltarão, mas vamos ver, eu faço análise como se a eleição fosse esta semana. Também terá uma vaga para o senador e ainda está muito incerto quem serão os candidatos a governador.
Canal92Am - Quais as correntes de pensamento com maior projeção na próxima eleição? Essa tendência deve mudar até o pleito?
HR - Lula e Bolsonaro são os dois grandes candidatos no âmbito nacional. Com um detalhe que é bom ficarmos sempre atentos a esse fenômeno: O ex-presidente Lula já concorreu cinco vezes ao cargo de presidente, nas cinco vezes ele tirou primeiro ou segundo lugar. Então, tudo indica que haverá um segundo turno, eu acredito que ele estará no segundo turno. E ressalto, toda vez que concorreu ficou em primeiro ou segundo.
Eu acredito que o presidente Bolsonaro, como está no poder, é um fortíssimo candidato também. Apesar de que eu o vejo perdendo apoios. Desde que ele assumiu, vários já debandaram, de generais ao Sérgio Moro, que era a estrela maior dele, passando por Mandetta (ex-ministro da Saúde), e o MBL que não o apoia mais.
Acredito que nesse momento a projeção dá esses dois, mas nada impede de vir um terceiro nome. Estamos tendo prévias do PSDB, acredito que João Doria e Eduardo Leite são nomes que podem cair no gosto da população.
Tem o Ciro Gomes, que já governou o estado do Ceará, que tem uma boa projeção. O próprio Sérgio Moro também tem uma certa projeção e também tem a federação dos partidos. Eu diria que o tempo vai dar as respostas, pois ainda é muito cedo.
Canal92Am - O voto de protesto ainda pode ser uma ferramenta ou tem perdido força com a população estando um pouco mais "informada" ou desinformada sobre o cenário político atual?
HR - Voto de protesto sempre houve, vai continuar, mas mais do que o voto de protesto, é bom notar que se pegarmos as eleições nacionais, desde 2006, o voto de protesto é feito através das abstenções. Antigamente, quando o voto era impresso, o cidadão ia lá e colocava um poema, mas, hoje, como ele só pode digitar o número, branco ou nulo, ele prefere não ir.
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