Ex-presidente participa de sabatina nesta quinta-feira (25) ao Jornal Nacional
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) buscou driblar perguntas sobre como evitará corrupção no país caso seja reeleito, admitiu ter havido corrupção na Petrobras em governo petista e erros da gestão Dilma Rousseff na economia e exaltou seu antigo adversário e atual candidato a vice de sua chapa, Geraldo Alckmin (PSDB). Líder nas pesquisas de intenção de voto, Lula participou de sabatina nesta quinta-feira (25) ao Jornal Nacional, da TV Globo.
O petista também admitiu erros do governo Dilma Rousseff (PT) na economia, enalteceu seu vice, Geraldo Alckmin (PSB), e fez críticas a sigilos decretados no governo Jair Bolsonaro (PL) e à ação do procurador-geral da República, Augusto Aras, chamado por ele de "engavetador". "Você não pode dizer que não houve corrupção se as pessoas confessaram", disse Lula, em relação a escândalos na Petrobras em governos petistas. Ele não respondeu de forma clara quais seriam suas propostas para evitar que esse tipo de caso volte a acontecer em nova gestão.
Questionado sobre a corrupção, Lula insistiu em dizer que só surge corrupção em governo que permite a investigação. Ao falar sobre o caso do Mensalão, que ocorreu durante o seu primeiro mandato, Lula comparou o escândalo ao Orçamento Secreto, mecanismo no qual parlamentares conseguem indicar verbas para obras sem a necessidade de detalhar que é o autor da destinação.
Lula disse que Dilma é uma das pessoas por quem mais ele tem respeito, mas que houve endividamento para manter as políticas sociais e desemprego e que a gestão dela "cometeu equívoco na questão da gasolina". Apesar disso, ele defendeu Dilma e culpou os presidentes do Legislativo na época por parte das dificuldades econômicas que Dilma enfrentou durante seu mandato.
Em diversas respostas, Lula fez questão de citar a participação do ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSB) em um futuro governo, caso seja eleito, especialmente na área econômica. De acordo com o petista, uma chapa entre os dois permitirá maior estabilidade na economia.
"Ganhar credibilidade interna e externa para fazer as coisas nesse país", disse. Ainda na área econômica, Lula disse que seu plano de governo será elaborado em conjunto com os dez partidos que fazem parte da chapa do petista que concorre à Presidência da República. "Tenho a experiência do ex-governador Geraldo Alckmin. Muita gente pensava que era difícil Lula se juntar com Alckmin. Política não tem que ter ódio, a politica é extraordinária para conviver".
O petista também defendeu "imprensa livre" e disse que Bolsonaro atualmente "não manda nada", é "refém do Congresso". O ex-presidente disse ainda, ao ser questionado sobre o papel que o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) terá em um eventual governo, que "aquele MST de 30 anos atrás não existe mais" e criticou a política armamentista do presidente Bolsonaro.
"O Bolsonaro está ganhando alguns fazendeiros porque está liberando arma, tem gente que acha que é bom ter arma em casa, que acha que 'eu vou matar alguém'. Não. O que nós queremos é pacificar esse país, porque o pequeno produtor rural e o médio tem que conviver pacificamente com o grande negócio. O Brasil tem possiblidade de ter os dois." Lula também disse que há parte do agronegócio "fascista e direitista" que se coloca contra a preservação do meio ambiente --mas que ela não representa a totalidade do segmento.
"Os empresários sérios que trabalham no agronegócio, que têm comércio com o exterior, que exporta para a Europa, para a China esses não querem desmatar, querem preservar nossos rios, nossas águas e nossa fauna." Lula foi o terceiro candidato à Presidência entrevistado pelos apresentadores William Bonner e Renata Vasconcellos.
Na segunda-feira (22), o JN sabatinou Bolsonaro, que mentiu sobre STF e pandemia e impôs condições para aceitar os resultados das eleições.
Na terça-feira (23), foi a vez de Ciro Gomes (PDT). Ele atacou o que chamou de "polarização odienta" protagonizada por seus dois principais rivais na disputa, Lula e Bolsonaro, e prometeu criar uma "lei antiganância".
A última entrevista que Lula concedeu enquanto candidato ao Jornal Nacional foi no pleito de 2006. Na época o petista enfrentava o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSB), que será seu vice na chapa deste ano.
*Folha de São Paulo
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