Alguns políticos já migraram de partido antes da janela partidária, como é o caso do deputado federal Marcelo Ramos. A expectativa é grande em torno de Amazonino, que pode concorrer ao governo mas está sem partido
O início do período da janela partidária abrirá caminhos para deputados estaduais e federais no Amazonas. Isto porque há quem esteja sem partido e também quem deseja trocar de sigla.
A movimentação de troca de partidos teve início antes mesmo do período da janela partidária, como aconteceu com o deputado Marcelo Ramos, que era do PL e hoje está no PSD, do senador Omar Aziz. Mas, pela janela partidária, os parlamentares podem mudar de partido desde o dia 3 de março ao dia 1º de abril.
O deputado federal decidiu sair do PL após Bolsonaro se filiar à sigla. Nesse caso, o parlamentar foi ao Tribunal Superior Eleitoral, onde defendeu sua saída por discordar dos ideais políticos de Bolsonaro. O pedido foi aceito e o deputado conseguiu deixar a sigla sem perder o mandato.
Mas o parlamentar corre o risco de perder o mandato se mudar de sigla fora do período da janela partidária para concorrer à eleição? Sim, uma decisão do TSE diz que o mandato pertencer ao partido e não ao candidato eleito.
Portanto, se você decide deixar um partido, para ir para outro, você tem a oportunidade de negociar com a sigla para continuar ou não com o mandato. Nesse caso, cabe ao partido a decisão.
No caso de Marcelo Ramos, para não correr riscos futuros, o deputado quis garantias de que não perderia o mandato e foi ao TSE para ficar respaldado perante à Lei. A Corte acatou o pedido e autorizou a desfiliação após o parlamentar alegar "mudanças no rumo do partido" e perseguições pessoas e políticas.
Essa fidelidade partidária, onde os mandatos pertencem aos partidos e não aos deputados estaduais, federais e vereadores, pode se tornar um problema, caso um candidato eleito decida mudar de partido sem um comum acordo com a sigla de que ficará com o mandato.
Por exemplo, especialistas em direito eleitoral apontam que o vereador Amom Mandel, que era do Podemos e hoje está sem partido, pode correr o risco de perder o mandato caso dispute e perca as eleições gerais deste ano. Isso porque nos bastidores da política amazonense apontam que o jovem será candidato ou a deputado federal ou a deputado estadual, mas, para se candidatar, Amom precisa estar em um partido.
O fato de trocar de partido pode lhe tirar o mandato, caso assim decida o Podemos, pois, pelo regimento do TSE, o mandato de vereador conquistado por Amom pertencer ao partido e não ao parlamentar.
Diferente de Amom, alguns deputados já começam a sinalizar a troca de partido. Como é o caso do ex-deputado Ricardo Nicolau, que era do PSD. Ontem, ele anunciou que se filiará ao Solidariedade nesta sexta-feira para concorrer ao governo do Amazonas.
Outro nome nos bastidores da política que pode mudar de partido é o do deputado Sidney Leite, que atualmente está no PSD. Porém, com a ida de Marcelo Ramos para a mesma sigla, a reeleição de Sidney Leite pode estar em risco. Uma segunda via seria o PT, que já tem conversas com o parlamentar. Mas, por enquanto, Sidney evita falar do assunto.
Na Aleam, Dermilson Chagas e Wilker Barreto são outros dois nomes que estão sem partido desde julho de 2021. Nesse caso, ambos comunicaram à executiva nacional que deixaram a sigla para seguirem outros caminhos.
Os olhos também estão voltados para o ex-governador Amazonino Mendes, que também deixou o Podemos no ano passado. Ele tem interesse de se filiar ao União Brasil, que surgiu após fusão do DEM, de Parderney Avelino, e o PSL, do Delegado Pablo Oliva.
No entanto, vem encontrando resistência dentro do partido que também é disputado pelo governador Wilson Lima, que hoje está no PSC e pode migrar para outro partido.
Hoje, o União Brasil é o partido que terá o maior tempo de TV e a maior parcela do fundo eleitoral para a Eleição de 2022. Com todas essas vantagens é disputado por dois dos principais nomes que devem se colocar na disputa pelo governo do Estado do Amazonas.
Da Redação do Canal92AM
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