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Games Workshop empolga equipes de e-Sports do AM com iniciativas da classe política para o setor

Esporte | 01/06/2022 - 18:25
Por: Diogo Rocha
Foto: Canal 92AM

Evento organizado pela Federação Amazonense de e-Sports (Faesp), na última terça-feira, debateu sobre marketing, empreendedorismo, direito e psicologia relacionadas aos players de jogos de eletrônicos

A primeira edição do Games Workshop 2022, organizada pela Federação Amazonense de e-Sports (Faesp) com o apoio da Logic Pro Soluções Tecnológicas, Canal 92AM e Player Games, superou as expectativas de público, entregou o que prometeu e renovou as esperanças sobre o futuro dos esportes eletrônicos no Estado. Além das orientações sobre marketing, empreendedorismo, direito e psicologia relacionados ao e-Sports, os mais de 400 players (jogadores) e líderes das 72 equipes federadas que compareceram ao evento, na noite desta terça-feira (31/05), se empolgaram com as ações prometidas pela classe política e as parcerias privadas que devem beneficiar a modalidade.

Os principais anúncios da noite sobre políticas públicas e iniciativas para o e-Sports partiu do deputado federal Marcelo Ramos (PSD-AM), que ao lado do vereador Allan Campêlo (PSC) e da deputada estadual Alessandra Campêlo (PSC), foi um dos convidados do inédito workshop, realizado no Primavera Festas, no bairro Parque 10, Zona Centro-Sul de Manaus.

Ramos afirmou que encaminhará recursos, em 2023, por meio de emenda parlamentar, à Faesp para a compra de equipamentos para ajudar as equipes nas competições; que vai propor uma parceria com o Sidia, o Instituto de Desenvolvimento de Informática para Amazônia da Samsung, para servir de espaço para um centro de treinamento de players; e que negociará com a operadora Claro investimentos para melhorar a internet de banda larga no interior do Estado, já que muitas equipes de e-Sports são de fora da capital.

Vereador Allan e deputada Alessandra Campêlo e deputado federal Marcelo Ramos

Marcelo Ramos se comprometeu ainda a sensibilizar as empresas de produtos eletrônicos, como Samsung, LG e Apple, a doarem celulares de última geração para os clubes federados. O deputado também revelou que pediu ajuda do amigo e senador Omar Aziz (PSD-AM) para que o projeto de lei (PL) nº 383/2017, que regulamenta a prática esportiva eletrônica no País e que está em tramitação no Senado, consiga avançar para ser sancionado. Aziz é, justamente, o relator do PL e que está atualmente na Comissão de Assuntos Econômicos da Casa Legislativa.

“[Esse Projeto de Lei do Senado-PLS] Regulamenta as federações, as atividades dos atletas, cria uma série de regras e institui o ‘Dia do Esporte Eletrônico’, que foi escolhido para ser celebrado no dia 27 de junho [...]. Com o Omar Aziz na relatoria, nós vamos ter chance de escrever junto com ele o texto que vai para votação no plenário do Senado”, explicou Ramos.

O parlamentar prometeu, a exemplo do patrocínio da Coca-Cola que conseguiu para a Amazoncripz após a equipe chegar na divisão de elite da Liga Brasileira de Free Fire, garantir patrocinadores para os clubes do Estado que disputam a segunda divisão da LBFF. Neste caso, os times Coverkings-CKS e Chernobyl Clan.

“Quero conseguir patrocínio regular. Nós já temos uma conversa com o [banco] Itaú”, disse o deputado federal do PSD.

Presidente da Faesp, Andryw Antony, ao lado dos políticos convidados 

Em seu discurso antes de Marcelo Ramos, a deputada estadual Alessandra Campêlo também anunciou que ajudará financeiramente a federação. “Como a Faesp já tem mais de dois anos e a Assembleia (Legislativa do Amazonas-Aleam) só pode direcionar emendas [parlamentares] para entidades que têm mais de dois anos, ano que vem terá uma emenda direcionada para o CNPJ da Faesp”, prometeu.

A parlamentar, que sempre defende a inclusão de mais mulheres nos times e campeonatos de jogos eletrônicos, declarou que é autora de uma lei já sancionada pelo governador que equipara os valores dos prêmios sem distinção de gênero. Ela foi bastante aplaudida na hora.

“Em todo o evento esportivo patrocinado pelo Governo do Estado é proibido [pela lei] a premiação feminina ser menor que a masculina. Nós queremos igualdade no esporte também, porque nós mulheres somos muito discriminadas em muitas áreas”, afirmou Alessandra. 

O público ainda assistiu um vídeo do governador do Amazonas, Wilson Lima (União Brasil), informando que o Estado dará todo o suporte para o Amazon TecnoGames, que já é considerado o maior campeonato de e-Sports da região Norte. O evento será disputado nos dias 30 e 31 de julho, no Centro de Convenções Vasco Vasques, em Manaus.

Deputada estadual Alessandra Campêlo (PSC) revela projetos para setor

Empreendedorismo

Um dos primeiros palestrantes do Games Workshop 2022, Fabrício Simões falou sobre empreendedorismo no e-Sports. Profissional da área, ele explicou para o público que existem pré-requisitos que os patrocinadores buscam em times de esportes eletrônicos, no caso do Amazonas de Free Fire, antes de começarem a investir financeiramente.

“O que mais vejo na questão dos times é que precisam enxergar que irão representar uma marca. Então, existem algumas qualidades que o patrocinador busca e uma delas é a frequência, que é a quantidade de jogos, treinos, exposição e participação em torneios. Outro ponto é a pontualidade, porque o patrocinador quer visibilidade. É importante chegar na hora na competição e fazer sua mídia”, disse o empreendedor da Player Games.

A qualidade de uma equipe, conforme Simões, é mais um requisito crucial indo do visual dos players ao modo de jogar. “A qualidade da logo [do time], da vestimenta, do jogo e de como se comunica. Outra questão é o profissionalismo. Às vezes, o time é montado por quatro amigos, que depois de ganharem três campeonatos já querem um patrocínio. Não é só isso que basta, os investidores querem saber se os times estão levando a sério, registrando os números, qualificando, colocando metas e se há respeito entre os jogadores e a forma que se comportam em um campeonato”, explicou.

Claudioney Alves, CEO da Logic Pro e Logic Pro E-Sport, tem perfil de empreendedor

Um outro ponto, ainda segundo Fabrício Simões, que os times devem ficar atentos é com a taxa de crescimento. “Não adianta sair do zero rapidamente esperando atrair investimentos porque esse é o perfil que o patrocinador tem mais medo de investir por não ter uma base. Às vezes um crescimento escalonado, de 10 em 10, é até melhor que de 1 para 100 porque crescimento exponencial pode trazer rupturas nas bases dos times”, afirmou.

A índole de cada jogador também não pode ser descartada quando se forma uma equipe de e-Sports. “O que mais estamos pedindo [como patrocinador] para o cenário [de e-Sports] é ser respeitoso. Quando joga por um time, você está representando esse time, que representa uma empresa, e tudo isso representa um monte de fãs. Precisa ter respeito e boa índole”, declarou Simões.

Por último, a história de luta e muitas vezes superação de uma equipe desperta o interesse de patrocinadores, conforme o palestrante. A trajetória da Amazoncripz é um case de sucesso, citado por Fabrício Simões. Em 2021, a equipe comandada pelo presidente da Faesp, Andryw Antony, subiu para a divisão de elite da Liga Brasileira de Free Fire (LBFF) e, posteriormente, ganhou o patrocínio da multinacional Coca-Cola.

Evento voltado para equipes federadas de e-Sports lotou espaço no Parque 10

Direito

O advogado e professor universitário Willian Bergman palestrou no Games Workshop sobre o Direito no e-Sports, passando da área civil à trabalhista. Ele explicou que muitos deslizes, no campo jurídico, podem ser cometidos pelas equipes de jogos eletrônicos por falta de uma legislação específica para o setor.

“O Direito caminha tentando acompanhar a evolução que temos. É difícil já criar uma lei, por exemplo, prevendo algo que nem existia há pouco tempo. O e-Sports, querendo ou não, é algo novo e com a expansão dele as leis tentam seguir. Há uma necessidade enorme de regulamentar as relações entre os times, entre os jogadores e os direitos dos jogadores e dos representantes envolvendo patrocínios”, disse Bergman.

Sem uma regulamentação, as questões jurídicas no e-Sports são julgadas conforme as leis existentes que mais se adequam a cada caso, segundo o palestrante. “Quando chega no Judiciário uma causa [dos esportes eletrônicos], tentamos adequar com a CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) e com a Lei Pelé, que tem mais a ver com o futebol, porque não temos uma lei específica”, afirmou Willian Bergman, que aconselha mais debates e reflexões sobre a temática.

Ainda durante o workshop, o público foi agraciado com as palestras sobre “Estratégias de Marketing nas Redes”, explicadas didaticamente por Lucas Cristian, e “Psicologia do Atleta”, apresentada pelo psicólogo Matheus Vasconcelos. No final do evento, todos os participantes receberam um certificado. 

Deputado federal Marcelo Ramos ajudará Faesp com emenda parlamentar

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