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Fim da era dos caciques? Velhos e novos políticos disputam o gosto dos amazonenses

Política | 13/02/2023 - 14:55
Por: Bruna Souza
Foto: Divulgação

Esse é o momento em que a cortina da história política do Amazonas se fecha para uma geração chamada de caciques

O último dos caciques políticos do Amazonas se foi nesse fim de semana, e junto com ele vai também uma parte da nossa história. Segundo o cientista político Carlos Santiago, com a morte de Amazonino Mendes, morre também uma era de comando no Estado. Políticos que fizeram parte do grupo dos caciques perderam espaço para o "novo". A última eleição demonstra, em número, a queda dos antigos versus a ascensão de novos nomes, como Amon Mandel, Joana Darc e Roberto Cidade.

"É muito difícil ter um sucessor de Amazonino Mendes. Não só porque as pessoas são únicas, mas também porque a empatia popular ninguém transfere. A exemplo disso foi o caso de Leonel Brizola, que depois de sua morte o partido dele perdeu força política e nunca mais criou-se um substituto. Temos outros exemplos como Antônio Carlos Magalhães, na Bahia, Miguel Arraes, em Pernambuco, e muitos outros líderes populares que não deixaram sucessores porque a liderança e o carisma são únicos para uma figura pública. Então no atual contexto aqui no Amazonas, já que Amazonino foi campeão de votos, ganhou várias eleições e fez inúmeras obras importantes, além de ser camaleônico ao se adaptar ao destino e ao tempo, ele é insubstítuivel", destacou o cientista.

Questionado se esse é o momento em que a cortina da história política do Amazonas se fecha para uma geração chamada de caciques, o advogado Marcelo Amil diz que as próximas eleições devem dar o tom do novo cenário no Estado.

"O Amazonino foi um grande líder de uma escola política que governou o Amazonas por décadas e até hoje tem reflexos no dia a dia do nosso Estado. Esse poder é inegável, mas acredito que como agentes políticos essa não é a hora de discutir o fim de um cacique político. Para a sociedade esse é um momento de perda de autor político, mas há uma família que perdeu o seu ente querido, um avô, um pai, e por respeito a eles não acho que devemos discutir esses fatores. As próximas eleições devem ser determinantes para saber quais serão os novos rumos dos políticos amazonenses".

Amazonino disse várias vezes que estava saindo da vida pública, desde que foi prefeito biônico de Manaus, em 1982, mas voltou com tudo (mesmo com a saúde já debilitada) nas últimas eleições. Ele se rendeu ao novo e utilizou das redes sociais para atrair os mais jovens. Mesmo quando não esteve em um cargo político, o "Negão" esteve presente, atuando firmemente nas administrações de outros gestores. Ele foi criador de seus sucessores diretos ou alternados ou em brigas de idas e vindas com Eduardo Braga, Alfredo Nascimento (PL), Omar Aziz (PSD) e José Melo (PROS).

De acordo com o cientista político, inclusive, esses "sucessores" formados por Amazonino têm perdido cada vez mais espaço com o eleitorado amazonense. A exemplo disso são os números do último pleito. Campeões de votos em outras eleições, Alfredo Nascimento e Vanessa Grazziotin dessa vez não conseguiram se eleger. O próprio Amazonino Mendes foi um exemplo disso, campeão de votos nos últimos 40 anos, ele viu uma perda gradual da competitividade. Ainda que tenha tido mais de 340 mil votos, a derrota na eleição do ano passado, quando almejava ser o governador do Amazonas em disputa direta com Wilson Lima e Eduardo Braga, repetiu o enredo da eleição anterior que disputou, quando caiu para o próprio Wilson Lima, e de 2020, quando perdeu para David Almeida (Avante).

Alfredo Nascimento não vence há três eleições. Ele disputou ano passado o cargo de deputado federal, perdeu diretamente, mas mantém a suplência ao cargo, em 2020 foi candidato a prefeito de Manaus e em 2018 a senador da República. A mesma coisa aconteceu com a Vanessa Grazziotin. Ela perdeu em 2022 (para deputada federal), em 2018 (quando tentou se reeleger para o Senado Federal) e em 2012 (quando foi candidata a prefeita de Manaus).

"Independente de questões ideológicas, a sociedade já não deposita esperança em quem teve a oportunidade de ter um cargo público, ou em quem já teve todas as oportunidades de mudar o estado e a cidade de Manaus e não o fizeram. Agora, esses políticos estão abrindo espaço para a nova geração. Uma geração que tem a sua ideologia, posicionamento e carisma individuais".

Já na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), entre os 19 deputados estaduais que disputaram a reeleição, Serafim Corrêa (PSB), Álvaro Campelo (PV), Therezinha Ruiz (PL), Dermilson Chagas (Republicanos) e Tony Medeiros (PL) não conseguiram um novo mandato.

Novos e cheios de recordes

Na contramão da queda de popularidade estão os novos nomes do cenário político, que vêm quebrando recordes nas últimas eleições. O atual presidente da Assembleia Legislativa, Roberto Cidade, foi o candidato mais votado, com 105.510 votos, sendo a maior parte de municípios do interior do Estado. A segunda mais votada na Casa, e a primeira entre as mulheres, está Joana Darc (União Brasil) - que foi reeleita com 87.182 mil votos.

Já o deputado federal eleito Amom Mandel (Cidadania), 21 anos, foi o mais votado do Estado do Amazonas, e chega à Câmara dos Deputados como um dos deputados federais mais jovens da nova legislatura. Quando viu o resultado da sua campanha nas urnas, ele ficou surpreso.

“Tivemos quase 25% dos votos da população da capital amazonense. Foi uma surpresa positiva ter mais de 288 mil votos", diz.  

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