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Ex-líder estudantil Gabriel Boric é o novo presidente do Chile ao derrotar no 2º turno pinochetista Kast

Mundo | 20/12/2021 - 10:06
Por: Redação Canal92AM*
Foto: Rodrigo Garrido/Reuters

Esquerdista, de 35 anos, garantiu 55,8% dos votos nas eleições se tornou o candidato mais votado e jovem da história chilena

O esquerdista Gabriel Boric, líder dos protestos estudantis de 2011, foi eleito presidente do Chile neste domingo (19) ao derrotar o ultradireitista José Antonio Kast. Ao reunir o apoio de 4,6 milhões de eleitores (55,8% contra 44,1%), o nome da Frente Ampla se tornou o candidato mais votado da história chilena.

Aos 35 anos, Boric será, ainda, o mais jovem presidente da história do país e vai suceder o direitista Sebastián Piñera, que termina em março de 2022 seu segundo mandato. O pleito também teve 55% de participação, índice superior ao do primeiro turno (47%) e do plebiscito para a Constituinte (42,5%).

Na praça Baquedano - também chamada de Dignidade -, epicentro dos protestos de 2019, apoiadores do novo líder se dirigiram com bandeiras do Chile, outras com o nome de Boric e muitas mais com o símbolo dos indígenas mapuche. Ambulantes vendiam bandeiras, bonés e cerveja, embora houvesse quem passasse pelo local com sua própria garrafa de champanhe para acompanhar o discurso do eleito.

No palco, próximo à praça, o futuro presidente chileno disse que o "crescimento econômico do Chile hoje tem pés de barro" e prometeu fortalecer as pequenas e as médias empresas. Também destacou que os direitos humanos são essenciais e pediu que o país nunca mais tenha "um presidente que ataque o seu próprio povo". "Às vítimas de abusos, afirmo que não nos cansaremos de buscar verdade e reparação."

Boric também prometeu um sistema de saúde que "não discrimine ricos e pobres", um programa de cuidado para mulheres e "aposentadorias dignas". "Não podemos deixar que sigam enriquecendo com nossas aposentadorias." As promessas se chocarão com um Congresso dividido, com o qual será necessário realizar acordos para viabilizar projetos como as reformas da Previdência e tributária.

Ele será também o presidente que comandará o país durante o plebiscito pela aprovação ou rejeição da nova Constituição, hoje redigida pela Assembleia Constitucional democraticamente eleita. Caso a nova Carta seja aprovada, também caberá ao novo líder comandar a implementação do documento.

Numa eleição em que os partidos tradicionais foram rejeitados nas urnas, o esquerdista leva ao poder uma nova geração de políticos que surgiram com as revoltas estudantis de 2011. Para conseguir o apoio necessário para a vitória, porém, Boric buscou moderar seu discurso, considerado radical por muitos setores, e se reconciliou com a Concertação, aliança de centro-esquerda que governou o Chile por 20 anos. Nas últimas semanas, obteve o apoio dos ex-presidentes Ricardo Lagos e Michelle Bachelet.

O resultado também marca a derrota de um candidato que tremulou a bandeira do pinochetismo e defendeu, diferentemente do rival, a manutenção dos fundos de pensão privados e apostou no discurso contrário à imigração ilegal. Kast também sustentava plataforma conservadora nos direitos civis e queria a militarização do sul do país, onde os mapuche estão em confronto contínuo com proprietários de terras.

Ao reconhecer o revés, ele agradeceu aos apoiadores e disse que, apesar das diferenças, quer contribuir com o novo governo e unir os chilenos. O afago foi retribuído horas depois, no discurso de Boric, no qual agradeceu a Kast e disse que é necessário aprender a conviver. "Isso é o que o povo do Chile exige."

Antes, Piñera, atual presidente do país, cumpriu uma tradição e telefonou para Boric - a chamada, como sempre, foi transmitida na TV. Na ligação, disse ter certeza de que o eleito está "à altura da responsabilidade" e prometeu apoio. Piñera também convidou, como segue a tradição, o esquerdista para um encontro nesta segunda (20) e brincou com a idade do futuro sucessor: "Tire uma foto quando entrar no [Palácio de] La Moneda e outra quando sair para perceber que é um trabalho duro e difícil".

*Com informações do jornal Folha de S.Paulo 

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