Diagnosticar transtornos psiquiátricos, como depressão, transtornos bipolares, esquizofrenia e anorexia, normalmente é algo feito por meio de análises clínicas subjetivas. O tratamento, por sua vez, se dá pelo método de tentativas e erros, sem que exista um exame capaz de identificar precisamente uma destas doenças.
Pesquisadores da Universidade de Newcastle, na Austrália, descobriram que os exames de sangue comuns podem mudar esse cenário, ajudando a detectar alguns dos problemas que afetam a saúde mental da população.
Ao analisar dados genéticos, bioquímicos e psiquiátricos de quase meio milhão de pessoas, os cientistas descobriram relações entre alguns biomarcadores e transtornos psiquiátricos.
Vale destacar que os biomarcadores são substâncias presentes no corpo humano que representam um sinal de doença ou algum outro processo específico.
Eles, geralmente, são detectados em um exame de sangue, como colesterol, açúcar, enzimas hepáticas, vitaminas ou marcadores de inflamação. Podem, também, servir como ferramenta de diagnóstico ou de teste para saber se um tratamento específico está funcionando para um indivíduo.
Os pesquisadores usaram dados genéticos do grupo Neale, do Reino Unido, e investigaram a relação entre nove transtornos psiquiátricos e 50 fatores medidos em exames de sangue de rotina.
Os pesquisadores encontraram uma relação genética entre traços bioquímicos e transtornos psiquiátricos e, ainda, “fortes evidências de um efeito causal” entre os dois. O que sugere que pode ser possível direcionar os traços bioquímicos para o tratamento das doenças.
“Encontramos evidências de que algumas substâncias medidas no sangue podem realmente estar envolvidas na causa de algumas doenças mentais alvo de tratamento”, destacou William Reay, primeiro autor do estudo na publicação feita na revista Science.
A descoberta ajuda nas pesquisas em torno do diagnóstico e tratamento da depressão, apontada pela OMS (Organização Mundial de Saúde) como um dos principais problemas de saúde enfrentados atualmente, principalmento após a pandemia.
O estudo destaca ainda que é necessário que o trabalho prossiga para identificar como essas medidas de sangue estão ligadas a esses distúrbios de uma forma mais precisa. Além de descobrir se os biomarcadores podem ser direcionadas para tratamento.
Você já ouviu a expressão 'o intestino é considerado nosso segundo cérebro'? Sem exageros, a conexão entre essas duas partes do corpo humano acontece e é fundamental para manter a nossa saúde.
O médico do Departamento de Gastroenterologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo), Ricardo Barbuti explica que 'ambos os órgãos, tanto cérebro, quanto intestino, têm origem comum embriológica, eles nascem da mesma célula, então eles acabam dividindo uma comunicação bastante íntima'.
Essa conexão pode ser por via nervosa ou sanguínea, por exemplo. Mas o certo é que, quando alterada, vai causar modificações na saúde humana.
*Com informações de R7
© 2022. Canal 92 AM - Todos os direitos reservados