Manaus, 02 de June de 2026   |  

Ex-deputado estadual Luiz Castro afirma que sua campanha ao Senado será do "tostão contra o bilhão"

| 11/03/2022 - 16:21
Por: Diogo Rocha
Foto: Anderson Silva/Canal 92AM

Em entrevista ao Pod?s Crer, podcast do Canal 92AM, o pré-candidato do PDT-AM ao Congresso afirmou que confia em sua fé em Deus para conseguir enfrentar adversários que supostamente têm mais recursos financeiros

O paulista de coração amazonense Luiz Castro, 63, foi o convidado desta semana do Pod’s Crer, o podcast do Canal 92AM, na última quinta-feira (10) à noite, que teve a participação do músico e compositor Marcelinho Benevides. Ex-prefeito de Envira e ex-deputado estadual, Castro será o candidato do PDT para disputar a única cadeira disponível para o Amazonas no Senado Federal pelas Eleições Gerais deste ano.

Atualmente colunista do Jornal do Commercio, Luiz Castro revelou, no programa comandado pelos apresentadores Nivaldo Mota e Paulo Gravata, que a campanha eleitoral para o Congresso Nacional será do “tostão contra o bilhão”. O também ex-secretário da Seduc se referia à diferença financeira entre ele e seus principais concorrentes diretos ao Senado, como o ex-prefeito de Manaus, Arthur Neto (PSDB), e o senador Omar Aziz (PSD), que busca a reeleição.

Mesmo alegando possuir uma desvantagem financeira para brigar por uma vaga na Casa Legislativa Federal, Luiz Castro afirmou ao Pod’s Crer que confia em sua fé inabalável em Deus para sair vitorioso desta vez das urnas. Em 2018, ele perdeu na reta final da apuração dos votos o sonhado cargo de senador para outro veterano da política amazonense, Eduardo Braga (MDB), que em 2022 deverá se lançar pré-candidato ao Governo do Estado.

“Fé e confiança. Eu leio o Evangelho [da Bíblia Sagrada] diariamente e sei que não tenho um décimo de recursos de nenhum deles [os rivais do Amazonas ao Senado]. Eu sou, com certeza, o pré-candidato com menos recursos financeiros”, afirmou Luiz Castro.

A derrota para Braga ao Senado há quatro anos frustrou Castro, mas um triunfo pessoal mais importante tinha sido alcançado. A vida dele. “Não vou ser hipócrita e dizer que não fiquei frustrado, mas ao mesmo tempo tinha escapado vivo de um infarto 20 dias antes [do resultado das Eleições para o Senado]”, afirmou.

Mas em 2019 a saúde física e mental voltou a ser afetada por outro problema. Após não suportar mais boatos de corrupção e recebimento de propina, Luiz Castro deixou o comando da Secretaria de Estado de Educação (Seduc-AM), em agosto, no primeiro ano de governo de Wilson Lima no Estado.

Sem nenhum cargo eletivo, ele revelou que precisou vender o carro, terreno e cabeças de gado que tinha no município de Envira para sustentar a família. Foi quando em 2020 decidiu assumir um cargo técnico na Fundação Amazônia Sustentável (FAS) e se afastar da política. Ele era coordenador do Programa de Saúde na Floresta da ONG.

Os lançamentos oficiais das pré-candidaturas de Luiz Castro ao Senado Federal e da defensora pública Carol Braz ao Governo do Amazonas pelo PDT serão no dia 17 deste mês, em local a ser definido. Conforme o ex-deputado, o presidenciável Ciro Gomes, que é vice-presidente nacional da legenda, estará presente na cerimônia.

Batizado na política

Com o sonho de conhecer a Amazônia, um jovem Luiz Castro saiu de casa em São Paulo, em 1977, com 18 anos de idade, com destino a Manaus. Na capital do Amazonas, ele recebeu um convite para lecionar no município de Envira, onde posteriormente se estabeleceu, casou pela primeira vez e criou laços afetivos e políticos com o Estado.

“Nasci para a política e para a sociedade lá em Envira”, declarou Castro, que foi por duas vezes prefeito de Envira (1983-1988/1993-1996) e deputado estadual por cinco mandatos consecutivos, sendo eleito pela primeira vez à Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) em 1999.

Formado em magistério, Direito e com especialização em Saúde e Meio Ambiente, Luiz Castro se identificou com a área rural no período que viveu no interior do Amazonas antes de ser prefeito do município. Além de professor, ele trabalhou como agricultor em Envira. Em 2003 e 2004, ele ainda foi titular da Secretaria Estadual de Produção Rural (Sepror), onde a experiência no campo também ajudou a exercer o cargo.

Paternalismo e assistencialismo

Durante o podcast do Canal 92AM, o pré-candidato ao Senado pelo PDT também criticou a velha forma de fazer política que perdura até hoje no Estado e no restante do Brasil. Luiz Castro garantiu não compactuar com o voto de cabresto, em que o eleitor vota em um candidato por determinação de um chefe político ou cabo eleitoral ou em troca de benefícios, como cesta básica e dinheiro.

“Não concordo com a forma que o Amazonas é governado. Sem modéstia falsa, tenho certeza de que não estou errado. Escrevi um artigo há duas semanas no Jornal do Commercio, mostrando que o Amazonas é o segundo estado mais rico do Norte-Nordeste e ao mesmo tempo é o segundo estado mais desigual do Brasil”, informou Castro.

“Tivemos sucessivos governos cometendo os mesmos erros. Paternalismo, enganação, mentira e promessas não cumpridas. Continuo achando que esse cenário precisa mudar”, completou o ex-deputado estadual.

Luiz Castro afirmou ao Pod’s Crer condenar a política eleitoreira, que só busca votos da população, principalmente, de baixa renda. “Tem que parar de tratar o povo como coitadinho. O povo tem que ser agente do seu desenvolvimento, não tem um lugar no mundo que tenha se desenvolvido sem ética do trabalho. Nós precisamos gerar oportunidades de trabalho e não de favores”, analisou.

Modelo Zona Franca e áreas de lazer em Manaus

Caso seja eleito para o Senado, Luiz Castro defende que as políticas públicas devem ser voltadas para questões pertinentes à região da Amazônia Legal, que engloba nove estados: Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins e parte do Maranhão. O pré-candidato espera uma organização entre senadores e deputados federais da região Norte, por exemplo.

“Cadê a Frente Parlamentar Amazônica? Nós precisamos levantar a Amazônia, que é 55% território nacional. O Amazonas tem 1.500.000 quilômetros quadrados. Como é que vamos continuar dormindo em berço esplêndido, se hoje essa é a região (Amazônia Legal) e o Estado mais importante do Brasil do ponto de vista do potencial para o futuro?”, questionou.

Sobre as recorrentes ameaças do Governo Federal ao modelo econômico da Zona Franca de Manaus (ZFM), Castro acredita ser necessário uma diversificação do PIM para atrair novos investidores ao setor. “Não temos uma indústria de cosméticos atraído para o nosso Polo [Industrial de Manaus-PIM]. Governança pública tem que ir atrás das empresas. Tem que ter uma equipe técnica capaz de buscar, prospectar e trazer novos investimentos. O cosmético é um segmento no mundo tanto industrial quanto comercial de grande impulsão”, exemplificou.

Em relação à Manaus, o ex-parlamentar sugeriu que mais espaços públicos de lazer sejam construídos, como nas Zonas Norte e Leste, para aproveitar o potencial ecológico da capital do Estado.

“Não temos áreas de lazer, espaços para as crianças brincarem e para os adultos e idosos caminharem. É uma cidade sem qualidade de vida para a sua população. É uma cidade, principalmente, na Zona Norte e Zona Leste que não tem espaços necessários no coração da Amazônia para respirar esse ar puro da Amazônia”, finalizou. 

Confira aqui a entrevista na íntegra de Luiz Castro no Pod's Crer, do Canal 92AM

E-mail: [email protected]

Fone: (92)99179-2465

© 2022. Canal 92 AM - Todos os direitos reservados