Campeões de votos experimentam queda de competitividade
Campeões de votos em uma eleição, reprovados pelo eleitor quatro anos depois. Os dissabores da política são tão presentes quanto a certeza de que a cada dois anos teremos eleições no Brasil. E neste domingo no Amazonas não foi diferente. Políticos que em 2018 foram à estratosfera e bateram recordes de votos, passaram por maus bocados em 2022. Casos emblemáticos de Mayara Pinheiro, Dermilson Chagas e Marcelo Ramos. Ela escapou da guilhotina dos eleitores, eles, não.
"A deputada mais votada do Amazonas", Mayara Pinheiro desceu o elevador e caiu de 50 mil votos há quatro anos para pouco mais de 29 mil votos neste outubro de 2022. A filha de Adail Pinheiro vai permanecer mais quatro anos ocupando uma cadeira na Aleam pelo Republicanos, mas precisará abandonar o slogan de "a mais votada".
Para o professor e analista político Elson Ribeiro, o caso de Mayara pode ser analisado do ponto de vista familiar. Adail FIlho, candidato a deputado federal, pode ter involuntariamente prejudicado o desempenho da irmã. "Como o irmão foi candidato, ele teve de dividir o palanque com muitos candidatos a deputado e isso acabou tirando dela alguns votos."
DERMILSON FORA
Nome fortemente ligado aos discursos contra o governador Wilson Lima (União Brasil), o deputado Dermilson Chagas também foi outro que este ano experimentou o gosto amargo da agridoce política. A soberana vontade dos eleitores, expressa nas urnas, tira de cena na Aleam o parlamentar que durante a pandemia se destacou pelos discursos vorazes contra a gestão atual do governo do Amazonas. Ao contrário de Wilker Barreto (Cidadania), os pronuncimanetos não surtiram o efeito desejado. "Realizamos uma linda caminhada, percorrendo o Amazonas para reiterar a nossa luta a favor da sociedade e de cada cidadão. Por isso, quero agradecer aos votos de confiança. Seguiremos com fé e mais trabalho para o bem do nosso Estado!", escreveu, confiormado com o resultado.
DA VICE-PRESIDÊNCIA PARA A DERROTA
Marcelo Ramos há pouco tempo estava sentado na cadeira da vice-preidência da Câmara Federal. Chegou a presidir sessões, levou a bandeira do Amazonas ao centro do poder e chegou a dizer que, um dia, queria ser candidato a presidente da República. Teve embates com Bolsonaro, apareceu na mídia nacional, mas neste domingo perdeu a reeleição. " Meu coração está tranquilo pela certeza de que nesse mandato dediquei o melhor de mim ao Brasil e ao Amazonas. Um homem que cumpre a sua missão, entristece com a derrota, mas segue a caminhada de cabeça erguida."
Elson Ribeiro lembra que tudo faz parte do processo político. "Isso faz parte do jogo e do cenário eleitoral", destaca. O analista cita a história das eleições democráticas para sedimentar sua opinião. "Todas as eleições trazem surpresas para o parlamento.", aponta, lembrando que alguns dos vencedores são " pessoas que a grande mídia não tem conhhecimento, mas que de repente tem um nicho eleitoral. Esta eleição não foi diferente."
AMAZONINO PERDE OUTRA VEZ
Campeão de votos nos últimos 40 anos, Amazonino Mendes (Cidadania) é um exemplo de logenvidade e de gradual perda da competitividade. Ainda que tenha mais de 340 mil votos, a derrota neste domingo repete o enredo de quatro anos atrás, quando caiu para Wilson Lima, e de 2020, quando perdeu para David Almeida (Avante). Aos 82 anos, essa pode ter sido sua última tentativa, afirmam pessoas próximas ao ex-governador.
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