Os ataques começaram na madrugada desta quinta-feira (24)
A Rússia cumpriu a promessa e atacou a Ucrânia, nesta quinta-feira (24), dando início à crise militar mais grave na Europa desde a Segunda Guerra Mundial. Entenda o que provocou o conflito e qual a situação até agora.
O que aconteceu para chegar ao ataque?
Em novembro, Putin deslocou mais de 100 mil soldados e equipamentos para áreas próximas, relativamente, da Ucrânia. Por meses, a Ucrânia, os EUA e a Otan acusaram o presidente russo de planejar uma invasão militar, o que ele negava.
No entanto, ele dizia que poderia tomar ações militares se a aliança militar ocidental não recuasse e se não vetasse formalmente a Ucrânia de entrar para o clube, o que os EUA consideravam inaceitável.
Após meses de tensão, na segunda-feira (21), Putin decidiu reconhecer a independência de duas áreas separatistas no território ucraniano, Lugansk e Donetsk, de maioria étnica russa —o Kremlin diz que há 800 mil pessoas com cidadania russa na região.
O reconhecimento da independência das províncias ucranianas, além de um discurso duro contra o governo em Kiev, foi tido como o passo final para que as nações entrassem em guerra.
Em reação, União Europeia e Estados Unidos anunciaram uma série de sanções a autoridades e empresas russas. A princípio, Putin disse que estava disposto a negociar uma solução diplomática desde que respeitados os "interesses e a segurança" de seu país.
O que Putin quer dizer com "desnazificar" o país?
A Rússia tem acusado Kiev de ligações com grupos neonazistas —há elementos das Forças Armadas, como o Batalhão de Azov, acusados de usar símbolos como a suástica e saudações nazistas.
Os alemães lutaram contra os soviéticos pelo controle da Ucrânia na Segunda Guerra Mundial. O presidente Volodomir Zelenski, contudo, é judeu e costuma se lembrar disso ao comentar as acusações russas.
O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, afirmou que sugeriu a derrubada do governo para cumprir o objetivo de "desnazificar" o país: "Idealmente, você liberta a Ucrânia e se livra dos nazistas. O futuro pertence ao povo ucraniano", disse.
Como eram as relações entre Kiev e Moscou até aqui? Antes tida como uma espécie de satélite russo, a Ucrânia está em atrito com a Rússia desde 2014, quando um governo pró-Moscou em Kiev foi derrubado após protestos em massa. Putin percebeu que a Otan e a União Europeia poderiam absorver o vizinho e agiu, promovendo a anexação da Crimeia, um território étnico russo que havia sido cedido à Ucrânia nos tempos soviéticos, em 1954.
Além disso, fomentou uma guerra civil de separatistas pró-Kremlin na região do Donbass, que está no centro da confusão agora.
Como está a situação da Crimeia hoje?
Apenas oito países aliados do Kremlin reconhecem a península como território russo. Todo o resto da comunidade internacional, incluindo a posição oficial da ONU, é de que a região é território ucraniano.
Apesar disso, a anexação é vista como um fato consumado na comunidade diplomática.
O que Putin quer de fato?
A prioridade do presidente russo é evitar que a Ucrânia, ou qualquer outro país ex-soviético, entre na Otan e, de forma secundária, na União Europeia. Historicamente, os russos têm o seu flanco mais vulnerável no Leste Europeu. Por isso, tanto o Império Russo quanto a União Soviética ou dominavam ou tinham aliados na região.
O ocaso soviético fez com que parte desses países fosse absorvida na esfera ocidental e, em 2004, a expansão da Otan chegou a três repúblicas que eram da URSS: Estônia, Letônia e Lituânia. Isso foi a gota d’água para Putin.
É a primeira vez que Putin reage?
Não. O conflito atual se assemelha à guerra em 2008 na Geórgia, um país pequeno do Cáucaso, uma das rotas históricas de invasões e guerras. Assim como a Ucrânia, a Geórgia tinha duas áreas de maioria étnica russa, a Abkházia e a Ossétia do Sul. Um misto de pressão russa e o voluntarismo do então presidente Mikheil Saakashvili jogaram seu país em rota de colisão com Moscou.
Ele tinha uma atitude agressiva e foi visto como imprudente ao provocar os russos, dando a desculpa para que eles atacassem em nome da minoria étnica que povoa as duas áreas do país. O resultado foi a intervenção dos russos, que haviam mobilizado dezenas de milhares de soldados para um exercício militar nas vizinhanças.
Hoje a Geórgia não controla 20% de seu território, o que na prática impede que ela se una à Otan.
Por que a Ucrânia não entrou na Otan e na UE?
Pelo mesmo motivo da Geórgia: as regras dos clubes não permitem países com conflitos territoriais ativos. Isso torna conveniente o discurso ocidental, já que ninguém quer pagar para ver em um confronto direto com a Rússia. Assim, Kiev recebe apoio e algum armamento da Otan, mas não se esperam tropas em solo para sua defesa.
Quais as reações até aqui?
Até agora, países ocidentais não enviaram tropas militares para apoiar o exército ucraniano.
*Com informações da Folha
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