Mecanismo serve para a retirada de civis e para a entrega de alimentos e medicamentos em regiões onde há combates
Na segunda rodada de negociação com o objetivo de abrir caminho para um cessar-fogo na guerra iniciada na semana passada, representantes da Rússia e da Ucrânia concordaram com a criação de corredores humanitários em áreas em conflito, mas as principais questões ainda seguem em aberto. Em paralelo, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, voltou a defender uma reunião com o líder russo, Vladimir Putin - segundo ele, a única forma de colocar fim à guerra.
Em declarações dadas logo após a reunião, o representante ucraniano, Mikhailo Podolyak, afirmou que os dois lados discutiram, de forma detalhada, questões humanitárias, e concordaram com a criação de corredores para a retirada de civis e para a entrega de alimentos e medicamentos em regiões onde há combates. Ele sugeriu que russos e ucranianos poderão estabelecer uma suspensão dos enfrentamentos durante as retiradas, mas não detalhou tal proposta.
Podolyak confirmou que os representantes voltarão a se encontrar "em breve", mas reconheceu que os resultados ficaram aquém do esperado, em especial em relação a ações concretas para pôr fim à guerra, como uma trégua temporária enquanto ocorrem as iniciativas diplomáticas.
“As negociações acabaram. Concordamos em continuar as negociações em uma terceira rodada o mais rápido possível”, disse Podolyak, citado pela agência RIA Novosti. “Infelizmente, não obtivemos os resultados que esperávamos”.
O acordo sobre os corredores foi confirmado pelo representante russo, Vladimir Medinsky, assim como a proposta para um cessar-fogo temporário durante a retirada dos civis nas áreas próximas.
“A principal questão que foi resolvida hoje é o resgate de pessoas, civis que se encontravam na zona de confrontos militares”, afirmou, em declarações transmitidas pela RT.
Para o representante de Moscou, esses acertos configuram progressos "substanciais", e ele ainda indicou que há sinais de entendimento em outros pontos, mas não elaborou.
Antes de o encontro começar em Brest, cidade na fronteira da Bielorrússia com a Polônia, as imagens da TV russa mostraram os representantes dos dois lados apertando as mãos. Do lado da Rússia, terno e gravata eram o traje; do lado ucraniano, uniformes militares. A primeira reunião, na segunda-feira, embora não tenha levado a avanços concretos, permitiu a realização de uma segunda rodada de negociações.
Em outra frente, 45 dos 57 integrantes da Organização para a Cooperação e Segurança da Europa (OSCE) deram sinal verde para o acionamento do chamado "Mecanismo de Moscou" da instituição, que permite o envio de especialistas para a resolução de questões dentro dos Estados partcipantes. No caso, a missão na Ucrânia será destinada a investigar possíveis crimes de guerra cometidos pelas forças russas.
"Vamos responsabilizar a Rússia por seus crimes de guerra e contra a Humanidade. Ao lado de 45 Estados, a Ucrânia lançou o Mecanismo de Moscou da OSCE sobre a invasão russa. Uma missão de especialistas vai enviar suas conclusões a mecanismos de aplicação da Lei, incluindo cortes e tribunais internacionais", escreveu no Twitter, o chanceler ucraniano, Dmytro Kuleba.
*Com informações do jornal O Globo
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