Rebatizado de Bob Batista, cão vira-lata foi adotado após ser resgatado por ONG e fez longa viagem para encontrar dono
O amor à primeira vista de um empresário holandês por um cachorro abandonado de Manaus rendeu um "final feliz" para o pet [animal de estimação]. Ou seria um "começo feliz"? Na última sexta-feira (17), Bob Batista, o cãozinho vira-lata, desembarcou em Amsterdam, na Holanda, para se reencontrar pessoalmente com Ronald Zijlstra, 57, o Ronny, seu novo dono.
De passagem na capital do Amazonas, por 15 dias, para rever a noiva, a amazonense Ana Fagundes, que é fisioterapeuta e também empresária, Ronny nem imaginava que se apaixonaria novamente em terra brasilis. Desta vez, por um frágil e amedrontado cãozinho.
Ele conheceu Batista, que ainda não tinha sido rebatizado com o nome internacional, na quarta-feira da semana passada, quando acompanhou Ana a um pet shop na avenida Djalma Batista, zona centro-sul de Manaus.
“Fomos comprar um arranhador para o gatinho da minha filha e nos deparamos com esse cachorro em uma casinha de vidro [no pet shop]. Ele [Bob Batista] estava muito triste e fomos perguntar se estava disponível para adoção”, lembrou Ana, que ficou impressionada com a reação do noivo holandês quando descobriu que podia adotar o pet.
“Meu noivo se apaixonou por ele, Nossa Senhora! E pediu logo para pegar o cachorro”, completou.

E apesar de conhecer o carinho e amor de Ronny pelos animais, inclusive pelos que vagam sozinhos pelas ruas, Ana Fagundes ficou intrigada pela paixão instantânea do empresário por Bob. Então, ela resolveu perguntar o motivo e a resposta a encantou.
“Disse que o escolheu por ser [um cachorro] triste e querer dar uma vida melhor para ele. Que foi muito importante ter conseguido o salvar do mundo e que não se importava dele não ser mais um cachorro jovem [a idade de Bob Batista é de oito anos, que equivale a mais de 50 anos na idade humana] porque lhe dar bons últimos anos o fará se sentir muito bem”, afirmou Ana.
Classificado como Sem Raça Definida (SRD) - o popular ‘vira-lata’ - no pet shop, Bob foi resgatado da rua por uma ONG de proteção aos animais quando morava em frente ao Cemitério São João Batista, no bairro Nossa Senhoras das Graças, zona centro-sul da cidade. O nome dele nacional surgiu, justamente, em referência ao local e até hoje só atende se o chamarem de Batista.
Amor que transforma
Além do abandono, Bob Batista foi um cachorro que sofreu maus-tratos quando morava nas ruas de Manaus. Isso ficou evidente quando no primeiro contato com o futuro dono no pet shop, ele se tremeu de medo a ponto de se mijar e fazer cocô. Uma reação que causou mais empatia de Ronny Zijlstra pelo animal.
E antes de voltar para a Holanda, Ronny aproveitou o tempo restante que passou na capital do Amazonas para se apegar mais ao animal que já considerava um membro da família. O empresário ficou, praticamente, 48 horas dando atenção ao recém-adotado Bob, enquanto esteve no apartamento da noiva no bairro Ponta Negra, zona oeste de Manaus.
A dedicação era tanta ao cãozinho que às vezes nem sobrava espaço para Ana Fagundes. E até na hora de dormir, Ronny fazia questão de ter Bob ao seu lado, que se deitava em uma cama para pets no chão, para mostrar que os dias de solidão do animal estavam no passado.

“É um cachorro super dócil, manso e que criou um amor muito forte pelo Ronny. Para onde meu noivo ia aqui no apartamento, o cachorro ia atrás”, disse a empresária amazonense, que no início de fevereiro de 2022 viajará mais uma vez para Amsterdam (HOL) para passar três meses com o noivo, que agora desfruta da companhia de Bob.
E no futuro, a ideia de Ana é obter a permissão de residência e morar legalmente na Holanda. Mas para isso, ela terá que ser aprovada no Exame de Integração Cívica. “Eu vou estudar mais holandês, porque a prova é realizada no idioma do país”, explicou.
Missão Amsterdam
De porte médio, o cachorro Bob Batista deixou Manaus na última quinta-feira (16). E após um total de 20 horas de viagens de avião e carro, com escalas em São Paulo e Paris, na França, chegou ao seu destino na Europa: Amsterdam.
Mas toda a logística e preparativos para a longa viagem dele não foram simples. O novo dono do cãozinho, Ronny Zijlstra, que já estava na capital da Holanda, precisou arcar com despesas de, aproximadamente, R$ 17 mil e contar também com a sorte para que Bob chegasse em tempo recorde no país europeu.
Em média, o transporte de pets de um país para o outro demora seis meses. Como estava muito ansioso para a vinda do cãozinho, Ronny contratou com a ajuda da noiva amazonense, Ana Fagundes, uma empresa de São Paulo especializada em transporte nacional e internacional, a Der Wächter Transporte Pet.

Dono da empresa, Eder Eudes Santos explicou que o empresário holandês e Ana já tinham adiantado quase toda a documentação necessária para a viagem à Holanda do cachorro. De Manaus até São Paulo, Bob foi levado de táxi aéreo sempre acompanhado com um funcionário da Der Wächter.
“O que faltou para nossa equipe fazer foi solicitar o CZI (Certificado de Zoonoses Internacional). Isso tem que ser pedido três dias antes do voo [do pet]. Um parceiro italiano já tinha viagem marcada para o dia 16/12 para Paris, onde levaria mais um [pet], além do Bob”, explicou Santos, informando que da capital francesa, Bob foi transportado de carro até Amsterdam para o aguardado encontro com Ronny. O começo de uma nova vida.
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