Abertura no Ninho do Pássaro contou com cerca de um quinto dos voluntários e não teve a presença de chefes de Estado, cantores, dançarinos ou atores profissionais. Desfile das delegações teve número reduzido de atletas
A China quebrou o gelo. E a cerimônia de abertura dos Jogos de Inverno de Pequim-2022, na manhã desta sexta-feira (4), no emblemático Ninho do Pássaro, marcada pelo boicote de poderosos chefes de Estado e pelo desfile das delegações com número reduzido de atletas, foi criativa, simples e de encher os olhos.
O diretor de cinema Zhang Yimou foi o responsável pela direção, assim como ocorreu nos Jogos de Verão em 2008, que teve uma das aberturas mais luxuosas da história olímpica.
Desta vez, porém, por causa de mais um surto da Covid-19, a cerimônia contou com cerca de um quinto dos voluntários. Não teve cantores, dançarinos ou atores profissionais – todos eram cidadãos comuns, estudantes e trabalhadores que se voluntariaram a participar. Mesmo com uma bolha rígida para evitar a disseminação do coronavírus, o espetáculo teve público (apenas local), reduzido. Convidados e membros das delegações também puderam acompanhar o show no estádio.
O diretor de clássicos chineses como "Sorgo Vermelho" e "Lanternas Vermelhas" brilhou ao criar uma superfície de gelo cristalina com uma tela de LED de alta definição gigante, de 11.600m², que cobriu o piso inteiro do estádio. As equipes caminharam sobre ela, num efeito lindíssimo, após entrarem no Ninho do Pássaro por baixo dos anéis olímpicos. O símbolo surgiu logo no início da festa, depois que seis jogadores de hóquei "quebraram o gelo". Uma cascata de cristais revelou os anéis.
Outra solução mágica possibilitada pelo super telão foi a apresentação de patinadores que, ao som de Imagine, de John Lennon, deslizaram pelo "chão de neve", revelando o lema dos Jogos Olímpicos em sua nova versão: "mais rápido, mais alto, mais forte – juntos".
Mas, o ponto alto, além da maravilhosa queima de fogos, foi, como o esperado, o acendimento da pira olímpica. Nesta edição, não houve solução mirabolante como em 2008, quando o ginasta Li Ning foi içado por cabos e voou pelo Estádio Olímpico para acender a chama.
Desta vez, a esquiadora de cross-country Dinigeer Yilamujiang e o competidor nórdico Jiawen Zhao acenderam a pira juntos. O símbolo que ficará em chamas até o último dia de competições é emoldurado por um grande "floco de neve", com referência a todos os países participantes.
Floco de neve
A cerimônia contou a história do floco de neve, presente do início ao fim, inclusive no desfile dos atletas: a placa que indicava o nome do país era um floco de neve. Ao final, uma chuva com todos eles criou um único floco de neve no centro do estádio, com a imagem do planeta Terra.
O diretor fez uma analogia de um provérbio que diz que não há dois flocos de neve iguais, mas que juntos eles fazem um belo inverno, com as diferentes culturas que juntas formam um mundo diverso.
A "neve fake", aliás, se tornou um dos simbolos dos Jogos de Pequim-2022. Pela primeira vez na história, a sede do evento de inverno conta com 100% de neve artificial em instalações como as de esqui e de snowboard. Pequim precisou colocar máquinas na Zona de Zhangjiakou para aumentar a quantidade de neve.
A Cerimônia começou com a tradicional contagem regressiva, com 24 números, representando os 24 temos solares que fazem parte da contagem do tempo popular na China e que reflete as mudanças dos padrões de animais, plantas e do clima. Os Jogos de Pequim 2022 também são a 24ª edição do evento de Inverno. Surgiu então a representação da primavera. Um show de luzes e coreografia inundou o palco com tons de verde.
A entrada da delegação da China impressionou. Em um palco essencialmente branco, o vermelho das roupas e bandeiras formou um contraste bonito.
Assim como em Tóquio-2020, o Brasil desfilou apenas com os porta-bandeiras e dois membros da Missão Olímpica. Edson Bindilatti, piloto do trenó do bobsled, e Jaqueline Mourão, do esqui cross-country, revezaram o porte da bandeira do país. Estavam ao lado de Anders Pettersson, Chefe de Missão do Time Brasil em Pequim, e a colaboradora Andrea Leibovitch. Os demais nove atletas da delegação assistiram a festa pela TV.
Chamou a atenção a entrada de Nathan Crumpton, do skeleton, o porta-bandeira de Samoa. Ele imitou o besuntado de Tonga, Pita Taufatofua, e aparceu de peito nu e melado, contrastando com os outros atletas, todos agasalhados.
Enquanto a delegação da Rússia foi aplaudida, a dos Estados Unidos, que lideram o boicote político, foi recebida em silêncio. Os EUA precisaram de uma substituição de última hora. Elana Meyers Taylor seria a porta-bandeira mulher do país, mas testou positivo para a Covid-19. Como ela compete apenas no dia 13 estará apta a ir para a pista, porém precisou ceder a vaga para a patinadora Brittany Bowe, que entrou dividindo o posto com o atleta de curling John Shuster.
Zhang Yimou havia prometido uma festa "esplêndia, mas relativamente simples e segura". Conseguiu, até aqui impressionar pela beleza e simplicidade. Resta saber o quanto a Covid-19 poderá atrapalhar a competição.
*Com informações do jornal O Globo
© 2022. Canal 92 AM - Todos os direitos reservados