Marklize Siqueira, pré-candidata a deputada estadual pela Bancada das Manas, acusa secretário-geral da legenda, Raoni Lopes, de violência política de gênero
Um racha está exposto na cúpula do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) do Amazonas e a briga interna virou caso de polícia. A socióloga, assistente social e professora de Serviço Social da Ufam, Marklize Siqueira, que disputou as Eleições de 2020 como vice-prefeita de Manaus na chapa encabeçada por José Ricardo (PT), fez um Boletim de Ocorrência (B.O) contra o secretário-geral da legenda do Estado, Raoni Lopes, por violência política de gênero.
Conforme o site Câmara dos Deputados, a violência política de gênero “pode ser caracterizada como todo e qualquer ato com o objetivo de excluir a mulher do espaço político, impedir ou restringir seu acesso ou induzi-la a tomar decisões contrárias à sua vontade. As mulheres podem sofrer violência quando concorrem, já eleitas e durante o mandato.”
O Canal 92AM buscou entrar em contato com Marklize Siqueira para saber mais detalhes dos atos de Raoni Lopes que a levaram a procurar uma delegacia e prestar um B.O. Mas até o momento, a ativista social não respondeu.
A princípio, o estopim da desavença entre os dois membros do PSOL-AM foi uma publicação do secretário-geral da sigla no Facebook e Twitter ameaçando revelar em uma live [transmissão ao vivo nas redes sociais] a origem de um financiamento político para a socióloga. A postagem de Raoni foi no sábado passado (19) e, no mesmo dia, Marklize revelou em suas redes sociais que abriu um B.O por “estar sendo perseguida politicamente por um dirigente” da legenda sem citar o nome do acusado.
Com a exposição pública da briga interna no PSOL-AM, Marklize Siqueira, que também é dirigente na sigla, recebeu bastante apoio de colegas, amigos, companheiros de luta e de grupos políticos de gênero, como a Movimenta Amazônia Socialista, que publicou uma nota de repúdio em solidariedade. Nesta segunda-feira, a professora universitária anunciou em suas redes sociais que será realizada uma live sobre violência de gênero na política no dia 3 de março.
Mais cedo hoje, Marklize afirmou no Facebook que precisa se resguardar prevendo mais ataques até as Eleições Gerais em outubro deste ano. “Hoje depois da matéria que está circulando ficou claro que todo o ataque que sofri se deve à nossa pré-candidatura para as eleições de 2022. Só digo uma coisa: esse mandato de mulheres negras vai vir! Vai ter mulher negra parlamentar! Peço muita força a Deus e nossa ancestralidade para passar por tudo que virá. Amém! Axé!”, publicou.
No pleito de 2022, Marklize Siqueira, ao lado de outras companheiras de militância, disputará pela Bancada das Manas, antiga Bancada Coletiva, uma cadeira como deputada estadual na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam). Mas a pré-candidatura será por outro partido de esquerda, o PCdoB (Partido Comunista do Brasil).
Versão do acusado
Em entrevista ao Canal 92AM, o secretário-geral do PSOL-AM, Raoni Lopes, afirmou não estar arrependido da publicação em suas redes sociais que o levaram à acusação de prática de violência política de gênero contra uma companheira de partido, Marklize Siqueira.
“Até agora não [estou arrependido]. Porque não posso ser punido pelo que não disse”, disse Raoni, que não chegou a fazer a prometida live onde, conforme o dirigente, revelaria um suposto acordo financeiro do PCdoB com a pré-candidata à deputada estadual por mandato coletivo. “Eles [PCdoB e Marklize Siqueira] têm uma histórica de bancada mista não prevista em lei”, declarou.
Apesar de garantir não ter arrependimento da polêmica declaração nas redes sociais, Raoni Lopes admite pesar pela exposição negativa sobre a imagem do PSOL do Amazonas.
“Primeiro, eu lamento que tenha chegado neste ponto de ir para imprensa, logo ela que diz ‘preservar o partido’ agora faz uma campanha sobre um ponto que não existe”, disse. “Não existe perseguição nenhuma da minha parte. Ela se ofendeu com uma insinuação, uma indireta no Facebook”, completou.
Ele também acusou Marklize Siqueira de “transformar em fato político” a briga no partido e que a socióloga não aceitaria resolver os problemas internamente. “Não é interesse dela. Porque é meio que escolheu pra engajar o público dela”, afirmou Raoni Lopes.
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