Velha guarda vai sair de cena?
A lista é marcante: Amazonino Mendes, Arthur Neto, Alfredo Nascimento e Serafim Corrêa. E ela vem acompanhada de nomes como Wilson Lima, Roberto Cidade, Joana Darc e Amom Mandel. A derrota da "velha guarda" nas eleições do Amazonas e a expressiva votação de políticos jovens pode indicar um período de transição pelo qual passam as Casas legislativas e o centro do poder no Estado. A análise exclusiva foi feita pelo cientista político, sociólogo e advogado Carlos Santiago.
"Independentemente de posicionamento ideológico de esquerda, de direita ou de centro, ou de político de uma tradição caciquista, o certo é que eles estão passando. É uma geração quie já não tem mais tanta simpatia popular", analisa Santiago. Nas urnas, as expressivas votações de Roberto Cidade, Joana Darc, Amom Mandel e Wilson Lima mostram um caminho percorrido por Amazonino e Arthur desde os anos 80, quando ainda conviviam e às vezes estavam em lados contrários, dominando os números eleitorais a cada quatro ou a cada dois anos.
SERAFIM COLOCA A CULPA NA FALTA DE RECURSOS
Serafim Corrêa (PSB), Álvaro Campelo (PV), Therezinha Ruiz (PL), Dermilson Chagas (Republicanos) e Tony Medeiros (PL) foram os cinco que não se reelegeram no primeiro turno na Assembleia Legislativa. Desses, o ex-prefeito de Manaus já havia anunciado que sairia de cena e que essa seria sua última disputa. Não renovar o mandato pode ter apressado a aposentadoria. "Serei político até morrer", disse o deputado estadual ano passado.
São 10 nomes novos na Aleam em 2023, e ele não estará mais lá. “Quero agradecer os amigos, companheiros do PSB e de chapa que foram incansáveis nessa campanha. Uma campanha muito adversa, sem recursos, sem fundo eleitoral, porque a direção nacional do partido entendeu que como nós não tínhamos uma chapa de deputados federais viáveis, aqui não era prioridade. Essa é uma decisão que deve ser respeitada, mas, obviamente isso criou muitas adversidades para todos nós”, explicou na Tribuna após a derrota.
NOVA GERAÇÃO
Amazonino Mendes, Arthur Neto, Alfredo Nascimento e Eron Bezerra são citados por Santiago como exemplo de seus argumentos de renovação. "Se o Wilson Lima vencer o Amazonas estará confirmando um novo grupo político no comando do poder do Estado. Passa por David Almeida, Roberto Cidade, Joana Darc e David Reis, que surgiram das urnas. O mais importante para o eleitor é que tenhamos, independentemente de posicionamento ideológico e idade, que se tenha políticos éticos e que pensem no bem comum. Não se pode consolidar um novo grupo político sem interesse coletivo", analisa Santiago.
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AMAZONINO, ALFREDO E ARTHUR, SEM MANDATOS
Amazonino Mendes perdeu mais uma vez. Em meio a críticas sobre sua condição de saúde, o decano decidiu ficar neutro no segundo turno. Dois anos após perder a Prefeitura de Manaus para David Almeida, o ex-governador não disse que vai desistir, mesmo aos 82 anos. Dos tempos em que andava ao lado de Gilberto Mestrinho aos embates com os mais jovens, o "Negão" preferiu a neutralidade no segundo turno.
Outro que não emplacou nas urnas foi o ex-prefeito Alfredo Nascimento. Ex-ministro de Dilma e hoje no comando do PL de Bolsonaro também foi derrotado por David Almeida nas eleições municipais, há dois anos. Alfredo fica sem cargo, mas tem um partido para chamar de seu.
O mesmo aconece com Arthur Neto. O tucano segue no comando do PSDB estadual, mas após a derrota inverteu as críticas do passado e foi para Brasílai declarar voto em Bolsonaro. depois de "muito meditar", e mudar de lado. "O que estamos assistindo nesse momento é a consolidação de um novo grupo político com a possível vitória de Wilson Lima e a passagem de líderes do passado que hoje já não possuem carisma popular e nem força política para estar no topo do poder", encerra Santiago.
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