Quando ir ao escritório se torna uma tarefa angustiante e que desperta até sensações físicas, como tremor, coração acelerado, é hora de reavaliar a relação de trabalho
Metas irreais, pressão em excesso, trabalho fora do horário, são muitos os ingredientes que podem levar à síndrome de burnout. De maneira simples, é como se o corpo pifasse com todo o desgaste emocional e físico acumulado. O fato é que o burnout é uma doença laboral reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Brasil é o segundo país com maior número de trabalhadores afetados, segundo pesquisa da ISMA-BR. Com sintomas que se misturam a outros diagnósticos, o psicólogo Cláudio Melo, da Holiste Psiquiatria, aponta quais os sinais de alerta.
Engana-se quem pensa que a síndrome afeta apenas grandes executivos de empresas e líderes de multinacionais, explica o especialista: “É preciso entender que a síndrome de burnout é uma forma específica de estresse, relacionada ao desgaste emocional e comportamental no ambiente de trabalho. No Brasil, esse tipo de estresse se popularizou entre os profissionais de saúde e de call center, estando diretamente ligado aos problemas de relacionamento com clientes e colegas de trabalho, por exemplo”.
Sintomas e tratamento do burnout
Quando ir ao escritório se torna uma tarefa angustiante e que desperta até sensações físicas, como tremor, coração acelerado, é hora de reavaliar a relação de trabalho. O psicólogo explica que os principais sintomas são:
Ansiedade generalizada, que no início estão exclusivamente ligadas às questões do trabalho, mas que depois acabam impactando também a vida pessoal;
Sintomas depressivos, como desânimo, negatividade;
Perda da capacidade para o trabalho, inclusive dificuldades com tarefas que o profissional costumava desempenhar com destreza;
Dificuldades no sono, seja insónia ou uma excessiva vontade de dormir.
“Do lado do colaborador é importante ficar atento aos seus limites, se o trabalho está causando algum tipo de mudança significativa em seus afetos e humor, se essas mudanças estão se estendendo também para outras áreas de sua vida e até prejudicando sua rotina, rendimento profissional e pessoal. Caso isso esteja ocorrendo, busque apoio no setor de RH da empresa ou de um psicólogo que possa diagnosticar qual a real fonte de sofrimento, levando em consideração que existem muitos transtornos mentais que podem vir disfarçados de problemas no trabalho”, explica.
No entanto, em alguns casos pode ser necessária a consulta com um psiquiatra e a prescrição de medicações específicas que controlem os sintomas mais graves, permitindo uma melhor qualidade de vida para o paciente. Contudo, o psicólogo aponta que, além do tratamento, é necessário que as organizações desenvolvam atividades de diagnóstico e prevenção ao estresse no trabalho que podem ser conduzidas pelo setor de RH e por profissionais de psicologia especializados nessa área.
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*Com informações da assessoria
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