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Com a subida do Rio Negro acima da média, Manaus se prepara para possível grande cheia

Comunidades | 13/01/2022 - 15:15
Por: Rita Ferreira
Foto: Divulgação

Segundo o CPRM, apenas em 1994 o rio alcançou 24 metros nos primeiros dias do ano

Manaus vive novamente a expectativa por uma grande cheia. Os especialistas reforçam que ainda é cedo para determinar se a enchente de 2022 será histórica a exemplo do que aconteceu no ano passado, quando o Rio Negro alcançou a marca de 30,02 metros. Governo do Estado e Prefeitura de Manaus já anunciaram ações preventivas aos efeitos da cheia em Manaus e no interior.

Nos primeiros 11 dias de 2022, o nível do Rio Negro medido em Manaus subiu 60 centímetros, chegando á marca de 24,39 metros. Neste mesmo dia no ano passado, em que foi registrada a maior cheia dos últimos 100 anos, período em que é feita a medição, o rio marcava 22,51 metros. Hoje, o Rio Negro está 1,88 metro acima do que marcou em 11 de janeiro de 2021.

André Martinelli, pesquisador do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), empresa pública que faz o acompanhamento de toda a bacia hidrográfica da Amazônia e emite os alertas todos os anos para os rios do Amazonas, informou que há diversos fatores que influenciam a subida do Rio Negro e que esses fenômenos ainda podem mudar ao longo dos próximos meses, o que determinará se a cidade de Manaus enfrentará outra cheia histórica.

"Nós estamos enfrentando um quadro de anomalia em toda a bacia do Rio Negro desde junho do ano passado, quando a gente enfrentou a grande cheia, e que refletiu em Manaus com uma cheia histórica. Desde que o rio começou o processo de vazante, desde São Gabriel da Cachoeira até Manaus, o rio sempre permaneceu acima de uma faixa de permanência, então, foi um período de vazante bastante atípico em que houve persistências das cotas acima daquilo que se esperava e isso continuou até a virada do ano. Hoje nós temos um quadro em que na primeira semana do ano, nos sete primeiros dias de janeiro, foram as maiores cotas encontradas na série histórica para este período", explicou.

Martinelli explicou que há 18 anos o Rio Negro não registrava uma subida tão expressiva para o período. O especialista explicou que, desde que se iniciou a medição do Rio Negro, há 100 anos, apenas no ano de 1994, o início do mês de janeiro teve uma cota acima dos 24 metros.

“A cheia de 1994 foi até a marca de 29,05. Não está nem entre as maiores cheias, mas está dentro da cota que traz uma série de prejuízos para o comércio etc. Embora não tenha sido uma cheia histórica como foi registrada em 2020. Não é possível afirmar que será uma cheia severa, somente após o primeiro trimestre é que poderemos passar um valor, ou seja, passar uma ideia da magnitude desta cheia. Só poderia calcular com certeza a partir do que ocorrer em março, das chuvas e do nível do rio. É muito importante que as ações sejam realizadas pensando nisso”, reforçou.

Prevenção

Há poucos dias, o prefeito de Manaus, David Almeida, convocou a imprensa para anunciar um pacote de intervenções preventivas nos igarapés de Manaus por conta do período chuvoso. De acordo com Almeida, o intuito é evitar os prejuízos causados à população por conta de igarapés que transbordam e acabam inundando ruas e casas mais próximas aos leitos dos córregos.

O chefe da Casa Militar da Prefeitura, William Dias, que responde pelas ações da Defesa Civil municipal, informou que as famílias atingidas pelas fortes chuvas que caíram na cidade no mês de dezembro estão sendo atendidas em uma ação conjunta entre a Defesa e as demais secretarias de assistência social e infraestrutura. Por enquanto, a enchente está sendo tratada com ações preventivas.

"As famílias não estão sendo afetadas. As famílias afetadas foram de uma forte chuva que caiu na cidade no dia 23 de dezembro, que também foi atípico. Para você ter uma ideia, o inverno amazônico teve início no final de setembro, sendo que era pra ter iniciado no final de novembro. Então, obviamente causando essa grande subida dos rios", ressaltou Dias.


Plano de Ação

No final de dezembro, o governador do Amazonas, Wilson Lima, anunciou o início de um plano de ação para a Operação Enchente 2022, com medidas para socorrer aproximadamente 130 mil famílias nos 62 municípios que devem ser afetados pela cheia em toda a bacia.

Segundo o governador, serão investidos R$ 100 milhões para amenizar os impactos causados pela subida dos rios.

“Nós estamos mobilizando toda a nossa estrutura, todos os secretários. Inclusive, nós estamos reunindo para discutir ações integradas para prestar socorro a esses municípios e famílias que forem atingidas pela subida dos rios. Se continuar no ritmo que estamos de subida dos rios, a previsão é que em 2022 todos os municípios do estado sejam atingidos pela enchente”, disse o governador.

O plano prevê a concessão do Auxílio Estadual Enchente no valor de R$ 300 para cada família. A liberação de fomentos por meio da Agência de Fomento do Amazonas (Afeam) para apoiar a recuperação financeira de pequenos negócios e produção também está prevista nas ações.

 *Com informações da Secom e Semcom

 

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