Manaus, 30 de May de 2026   |  

CMA confirma que abriu as portas do quartel para manifestantes bolsonaristas em Manaus

Política | 16/01/2023 - 09:54
Por: Jornalismo/Canal92AM*
Foto: Divulgação

Manifestantes receberam apoio do CMA em Manaus

Enquanto o Brasil discutia uma forma de acabar com os acampamentos que pediam golpe militar e a manutenção de Jair Bolsonaro na Presidência, o Comando Militar da Amazônia em Manaus abria as portas para ajudar manifestantes bolsonaristas que ocupavam a porta do quartel exigindo ações contra a democracia. O próprio CMA confirmou a ajuda, que já foi informada ao ministro Alexandre de Moraes.

O CMA deixou os bolsonaristas guardarem objetos pessoais dentro das dependências do Exército. “Esta [armazenagem] ocorreu como parte das negociações para que os manifestantes não mais retornassem ao acampamento, medida tomada em auxílio à Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) para o efetivo cumprimento da medida judicial”, disse em nota o CMA.

A ajuda ocorreu do dia 9 ao dia 11 de janeiro. A Justiça Federal do Amazonas, por meio da Procuradoria-Geral do Estado (PGE-AM), denunciou o CMA por não ajudar as forças de Segurança do Amazonas a retirar os manifestantes, conforme ordem de Alexandre de Moraes.

O CMA trata a questão como mero “desencontro” entre as forças. “Às 09h30 daquele mesmo dia, ainda durante a reunião [do gabinete de crise], conforme solicitado, foi realizada a primeira negociação com as lideranças da manifestação pelo Comando do CMA, em complemento e junto aos negociadores da Polícia Militar do Amazonas”, diz o Exército.

O CMA afirma ainda que conversou com os manifestantes como forma de acelerar a desocupação. “Em um segundo momento, houve a solicitação por parte dos manifestantes de conversar com o Comando do CMA. Nesse sentido, a fim de que as tratativas chegassem ao resultado buscado (desocupação do local sem o emprego de força e com o mínimo de dano colateral), o oficial negociador do CMA conduziu integrantes da manifestação à sala de Relações Públicas, para tratar do assunto”, diz a nota do Exército.

A própria Secretaria de Segurança Pública (SSP-AM) afirma que o Exército não ajudou na operação de retirada dos bolsonaristas. Ainda no documento, o secretário de Segurança, general Mansur, afirma que as Forças Armadas não colaboraram, “por não haver entregas (de pessoal)”.

“Faz-se necessário destacar que não houve qualquer auxílio das Forças Armadas à Polícia Militar do Amazonas para cumprimento da missão, não obstante as manifestações estivessem ocorrendo às portas do Comando Militar da Amazônia, razão pela qual a PM foi obrigada a atuar apenas com seus próprios recursos militares”, afirma trecho do documento da SSP.

“Durante todo o período de retirada dos manifestantes, oficiais do CMA estiveram presentes na entrada do CMA, em contato direto com o Secretário de Segurança Pública, bem como integrantes do Comando da Polícia Militar do Amazonas”, rebate o CMA.

“A decisão judicial que motivou a ação das forças de segurança pública no estado do Amazonas não previu a participação do Exército Brasileiro na operação e nem este Comando Militar de Área foi informado judicialmente de tal ação. Destaca-se, ainda, que todas as solicitações realizadas pela Secretaria de Segurança Pública do Amazonas foram atendidas”, finaliza.
A SSP encaminhou o comunicado a Alexandre de Moraes, que na ordem par desocupação dos bolsonaristas disse que responsabilizaria individualmente as forças que não apoiassem a ação de retirada.
 

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