A lista dos municípios consta na denúncia feita pela Folha de São Paulo
Os municípios de Parintins, Autazes, Manacapuru, Canutama e Tapauá teriam recebido recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), órgão ligado ao Ministério da Educação (MEC), negociados pelos pastores Gilmar Santos e Arilton Moura, conforme denunciado pela Folha de São Paulo.
De acordo com a denúncia, ao lado do ministro Milton Ribeiro, os pastores evangélicos Gilmar Santos e Arilton Moura intermediavam a liberação das verbas a favor de prefeituras.
Eles teriam indicado para onde iriam recursos do FNDE usados em obras de creches, escolas e quadras e para a compra de equipamentos de tecnologia e ônibus escolares.
No áudio, divulgado pela Folha, Ribeiro afirma que o governo prioriza prefeituras cujos pedidos de liberação de verba foram negociados pelos pastores Gilmar Santos e Arilton Moura.
Ele diz ainda que isso atende a uma solicitação do presidente Bolsonaro e menciona pedidos de apoio que seriam supostamente direcionados para construção de igrejas.
Autazes, com 41 mil habitantes, teve empenhado no ano passado 12 obras em um valor total de R$ 22 milhões. Em dez delas, o empenho foi de R$ 30 mil —a forma usada pelo FNDE para pulverizar o atendimento a várias demandas.
Parintins (AM), de 115 mil habitantes, recebeu empenhos para 25 obras, em um valor total de R$ 23 milhões. Desses de empenhos, 24 foram de apenas R$ 30 mil.
O deputado estadual Serafim Corrêa (PSB) repudiou, nesta quarta-feira (23), o esquema e pediu que os órgãos de controle e fiscalização tomem as devidas providências.
“Imaginem isso. O prefeito sai do interior do Amazonas, vai a Brasília e vai ao encontro do pastor e esse pastor diz: “Deixa comigo, que eu vou resolver. Seu município vai receber dinheiro”. Isso é uma absoluta distorção do estado brasileiro. Isso é uma completa anomalia que só existe no Brasil”.
O líder do PSB na Assembleia do Amazonas disse ainda que o Tribunal de Contas da União (TCU) e o Ministério Público Federal (MPF) devem investigar o caso e punir urgentemente os autores do esquema.
“Entendo que tudo isso tem que ser apurado. Não sou o dono da verdade. Quero entender que os cinco prefeitos do Amazonas arrolados são vítimas. Espero que o TCU e o MPF tenham ação para enquadrar os que são, efetivamente, autores desta “anomalia”, que são o ministro e os dois pastores”, lamentou.
Arilton Moura e Gilmar Santos são ligados à Assembleia de Deus, liderada pelo deputado federal Silas Câmara (Republicanos) no Amazonas. O parlamentar ainda não se manifestou sobre o assunto.
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