Manaus, 30 de May de 2026   |  

Bolsonaristas não aceitam resultado e insistem em ficar na frente do CMA

Política | 10/11/2022 - 14:01
Por: Jornalismo/Canal92AM
Foto: Julcemar Alves/Divulgação

Manifestantes não querem sair da frente do CMA

 

Já são oito dias de acampamento em frente ao Comando Militar do Amazonas (CNMA). Bolsonaristas vestidos de verde e amarelo protestam contra o resultado da eleição que elegeu Lula (PT) para presidente. Eles pedem intervenção das Forças Armadas, com Jair Bolsonaro (PL) mantido no poder. Nesta quinta-feira (10), o economista, empresário e líder do Movimento Endireita Amazonas, Felipe Silva, disse a nossa reportagem que não há dia, nem hora para que a manifestação acabe.

“Não tem dia pra acabar. A manifestação é por tempo indeterminado. Todos aguardando que tenhamos algo mais concreto referente ao resultado das eleições. A população não aceita o resultado final para presidente.”, disse, de forma direta.


Nesta quarta-feira um relatório sobre as eleições elaborado pelas Forças Armadas não decretou que houve fraude no pleito, mas também não disse que não houve. O texto deixa no ar sempre uma “dúvida”, da qual o Tribunal Superior Eleitoral sempre nega.

“Houve possível risco à segurança na geração dos programas das urnas eletrônicas devido à ocorrência de acesso dos computadores à rede do TSE durante a compilação do código-fonte”, diz a nota postada pelo Governo Federal.

Golpe?
Para os vencedores da eleição, o que os manifestantes querem é um golpe militar, nos moldes de 1964. Para os manifestantes, o ato é democrático. “A população acompanhou um pleito suspeito de manipulação. Estão cansados de serem enganados. O que o povo mais quer é que tenhamos algo honesto, limpo e transparente nas eleições. Sabem que o resultado verdadeiro não é o mesmo que foi divulgado pelo TSE. A indignação da população é totalmente aceitável e democrática.”, diz Felipe.

Já para o Ministério Público Federal, os atos são ilegais. Para o procurador da República e coordenador do Núcleo Criminal do Ministério Público Federal (MPF), Filipe Pessoa de Lucena, é preciso apurar possíveis “transtornos provocados por manifestações na área da Ponta Negra, onde está localizado o Comando Militar da Amazônia (CMA).”

Enquanto isso, os acampados seguem diante do CMA, na esperança que o manifesto termina sem que Lula seja empossado em janeiro. “É muito engraçada essa declaração. O Exército nunca permitiu que esse tipo de coisa acontecesse nas suas dependências e em tornos. Até um carro enguiçado davam um jeito de retirar. Mas, o que vemos é um apoio total à manifestação. A via não está obstruída. Não existe reclamações de maneira absoluta até de moradores e frequentadores da área. Tudo é pacífico e ordeiro. Acho que falam isso por se sentirem incomodados com a força do povo nas ruas’, afirma Felipe.

 

Da direita para a esquerda


Os dois lados, esquerda e direita, seguem polarizando e divergindo. O presidente Jair Bolsonaro, praticamente mudo desde a derrota nas urnas, pediu apenas que os apoiadores não prejudiquem o direito de e ir e vir das pessoas. Não parabenizou Lula, mas ao mesmo tempo apoiou os trabalhos da equipe de transição que seguem ocorrendo em Brasília.
Seu mais fiel apoiador, Coronel Menezes, postou fotos dentro da manifestação, no dia 2 de novembro. “É por amor ao Brasil”, escreveu. A ele se juntaram parlamentares como os vereadores Raiff Mattos (DC) e Capitão Carpê (Republicanos), assim como o deputado federal Alberto Neto (PL).

"A revolta das pessoas se deve sobretudo a volta de um corrupto a cena do crime. É legítimo a população expressar sua rejeição a um projeto criminoso de poder que desviou bilhões do Brasil, dinheiro que fez muita falta em diversas áreas, como na saúde, na educação e em tantas outras” afirmou Carpê na Tribuna da CMM, alegando que os manifestantes são contrários a volta de Lula devido aos escândalos de corrupção do passado.


Do lado contrário, o vereador Sassá disse que os atos são golpistas. Segundo o parlamentar, a manifestação que é inconstitucional, fere o artigo 286 do Código Penal Brasileiro, que trata sobre crime de incitação pública das forças armadas contra os demais poderes constitucionais, está tirando a paz e sossego de quem mora nas imediações do CMA ou precisa transitar pela Avenida Coronel Teixeira diariamente.

“As pessoas perderam o direito de ir e vir, já que precisam enfrentar longos engarrafamentos diariamente. Outros perderam a paz e o sossego por causa do barulho incessante. Há pessoas doentes, inclusive crianças, que estão padecendo por causa da barulheira”, destacou o vereador, que afirmou, não ser contra manifestações, mas reforçou que essas devem ocorrer dentro das normas democráticas e dentro da legalidade.

Silêncio

Ainda que provocado até no Senado, o Exército não se pronunciou até o momento. E não fez nenhum movimento para retirar os manifestantes. Mesmo com forte discurso do Senador Omar Aziz, no Senado, afirmando que o comando do CMA não está fazendo sua obrigação, a cena segue a mesma.

A assessoria da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) afirma que a pasta apenas acompanha. “A Polícia Militar do Amazonas (PMAM) e o Departamento Estadual de Trânsito (Detran) realizam o monitoramento da atividade de manifestantes em frente ao Comando Militar da Amazônia (CMA), por meio das equipes de área e de policiamento especializado”, destacou.

Sem data para acabar, a única data marcada no calendário é o dia 1º de janeiro, quando Lula sobre a rampa, pega de volta a faixa e volta a comandar o Brasil. O resultado do pleito está confirmado, como manda a Constituição. “Vale ressaltar, que não existe liderança, grupo ou movimento à frente das manifestações. Tudo está acontecendo de maneira espontânea. A ajuda de mantimentos é dada sem precisar pedir. O espírito patriótico nas pessoas nos possibilita isso. Todos entendem os motivos e a importância das manifestações.”, assegura Felipe.

 

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