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Baixa cobertura vacinal dos grupos prioritários e falta de imunizante para H3N2 eleva casos de Influenza no AM

Amazonas | 23/12/2021 - 14:00
Por: Diogo Rocha
Foto: Marcely Gomes/Semcom

Lotação das unidades de saúde de urgência e emergência do Governo do Amazonas por síndromes gripais é reflexo das falhas na campanha anual de vacinação

O aumento no número de casos de Influenza A, principalmente do subtipo H3N2, registrado, entre os meses de novembro e dezembro, em Manaus e nos outros municípios do Amazonas não representa um surto gripal. É o que esclarece os órgãos de Saúde e Vigilância do Estado, consultados pelo Canal 92AM.

Mas o atual cenário epidemiológico em relação à Influenza na capital e no restante do Amazonas foi, no mínimo, afetado por dois fatores. Em primeiro lugar, a campanha de vacinação contra a Influenza A, vírus respiratório que está associado a epidemias e pandemias e que apresenta comportamento sazonal, se encerrou no dia 31 de agosto sem sequer atingir a meta de 90% de cobertura vacinal para a maioria dos grupos prioritários.

A vacinação contra a Influenza, realizada neste ano entre abril e agosto, não é aberta para a população em geral. Em Manaus, conforme dados da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), dos 17 grupos prioritários definidos pelo Ministério da Saúde (MS), apenas dois conseguiram alcançar e até ultrapassar a marca estabelecida de imunizados: as puérperas (109,60%) e os indígenas (99,7%).

Se incluir a capital e todo o interior, a cobertura vacinal foi mais baixa ainda. De acordo com informações da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas - Dra. Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP), órgão que distribuiu aos 62 municípios do Estado as doses do imunizante contra a Influenza enviadas pelo MS, somente as puérperas, que são as mulheres que passam pelo período de pós-parto, chegaram à 95,7%, indo além da meta.

Depois das puérperas, mais nenhum grupo prioritário, conforme o levantamento da FVS-RCP até 1º de dezembro, atingiu a meta de cobertura vacinal no Amazonas. Os que chegaram próximos foram os trabalhadores da Saúde (83,2%), os indígenas (82,9%) e as gestantes (82,3%). Crianças, idosos, pessoas com deficiência permanente ou comorbidades, professores, caminhoneiros, população privada de liberdade, entre outras categorias e públicos, ficaram bem abaixo dos 90% exigidos.

Em segundo lugar, outra deficiência, provavelmente, de análise e logística do Governo Federal atrapalhou a imunização da população mais em risco do Amazonas contra uma variante do vírus Influenza. De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM), nenhuma das 231.600 doses de vacina encaminhadas pelo Ministério da Saúde ao Amazonas, em 2021, combatia o subtipo H3N2 da Influenza A.

E, justamente, são os casos da Influenza A (H3N2) que estão predominando, desde o início do mês de novembro em Manaus e pelo interior. Até o dia 17 de dezembro, 494 casos do vírus foram confirmados pela FVS-RCP, sendo mais da metade (262) destes casos de Influenza detectados em um espaço de seis dias, de 12/12 à 17/12, e a maioria (212) engloba a faixa etária de 20 a 29 anos.

Fora de opção

Por ser uma campanha anual inserida no calendário do Programa Nacional de Imunização (PNI) e já encerrada este ano, o Ministério da Saúde não envia novas doses de vacinas contra a Influenza para os estados e municípios. As doses excedentes, de acordo com a Semsa, quando se esgota o prazo para os grupos prioritários tomarem o imunizante, são liberadas para a população em geral por não servirem mais para armazenar.

“A produção do referido imunizante não pode ser aproveitado para a campanha do ano seguinte. A vacina [contra a Influenza] é produzida anualmente porque precisa de adequações, uma vez que o vírus se modifica”, explicou o órgão municipal de Saúde.

Dentro da normalidade

A quantidade de casos de Síndrome Gripal (SG) e Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), entre os principais de Influenza A e de Covid-19, cresce mais em Manaus e nos outros municípios do Amazonas durante o chamado verão amazônico. É o período chuvoso que atinge todo o Estado entre os meses de novembro e maio anualmente.

E apesar de admitir uma intensa procura, nas últimas semanas, da população por atendimentos de serviços de urgência e emergência de saúde do Estado, como hospitais e prontos-socorros, devido a Influenza, a SES-AM garante que a maioria dos casos é “de pessoas que têm perfil para atendimento ambulatorial”. Resumindo, são de risco baixo, não evoluem para um quadro mais grave da doença e nem têm necessidade de internação hospitalar.

Segundo o chefe do Departamento de Vigilância Epidemiológica (DVE/FVS-RCP), Alexsandro Melo, toda a rede de saúde está monitorando os casos de Influenza. “Antes de serem identificados os casos de síndrome gripal, a FVS-RCP distribuiu 173 mil kits de tratamento contra a Influenza com o medicamento antiviral Tamiflu para o Amazonas e toda a rede está abastecida”, afirmou.

Em nota, a FVS também declarou que desde novembro emite alertas no Estado para informar o início da sazonalidade dos vírus respiratórios, com destaque para Influenza. O órgão de Vigilância em Saúde disse ainda que nenhum óbito causado pela doença foi registrado até o momento.

Orientações

Como medida para desafogar as unidades de saúde do Estado que cuidam de pacientes de maior gravidade, a SES-AM tem orientado que as pessoas com suspeita de gripe procurem, por exemplo, as Unidades Básicas de Saúde (UBSs), de responsabilidade das prefeituras municipais. E conforme os sintomas apresentados, ir também para os SPAs e UPAs.

No caso dos sintomas gripais mais frequentes, como coriza, tosse e dor de cabeça, a orientação da SES-AM é buscar atendimento em uma UBS mais próxima de casa. Se forem sintomas mais graves, como dificuldade para respirar, febre alta, os locais para atendimento recomendados são as Unidades e Serviços de Pronto-Atendimento (UPAs e SPAs).

A desinformação sobre qual rede de saúde se encaminhar em casos de Influenza é tão grande quanto o receio de serem sintomas de Covid-19. Em Manaus, o reflexo disso é de que, ao contrário da rede de saúde do Governo do Amazonas, a rede municipal não tem apresentado lotação em suas unidades, conforme a Semsa.

Confira em nosso infográfico abaixo as orientações:

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