Conquistando espaço e derrubando paradigmas, a mulher vem obtendo a cada dia voz e segue incomodando uma sociedade enraizada pelo machismo e preconceito. Num país em que a mulher é vítima de violência a cada quatro minutos, um grupo de mulheres, do bairro Alfredo Nascimento, Zona Leste de Manaus, chamado “Mulheres de Ação” não se rendeu ao tradicionalismo imposto por parte do sexo masculino e se mantém firme em um objetivo: ajudar outras mulheres a ter sua própria renda e enxergar uma forma de mudança de vida.
E neste Dia Internacional da Mulher, comemorado todos os anos, no dia 8 de março, o Canal92am.com conversou com as representantes do projeto que há quatro anos ajuda as mulheres da Zona Leste a enxergarem o mundo de evolução, sororidade e empatia.
Sonho realizado
Com foco e habilidade para ensinar a outras mulheres uma profissão, através do artesanato, além de levar vida à comunidade, por meio de eventos sociais, a líder do grupo, Núbia Pinheiro, 52, se dedica de corpo e alma para o projeto. A motivação para estar todos os dias, há mais de 15 anos, ajudando as companheiras vem do sonho e do apoio da família, considerados os combustíveis para ajudar as mulheres da comunidade.
“É muito importante a mulher ter seu próprio trabalho pra ser mais independente e poder ajudar em casa e na comunidade. Fazemos sopas, ranchos, café da manhã para oferecer às mulheres carentes da comunidade”, afirmou.

Amiga de longa data e companheira de trabalho, Ivanete Nascimento de Paula, 54, é uma das muitas mulheres que veem na líder uma fonte de inspiração e já colheu frutos do trabalho realizado pelo grupo, podendo levar adiante essa corrente do bem.
“Eu e Núbia somos amigas há muito tempo e ela é muito especial pra mim e todas as mulheres. Através dela, nós conseguimos ajudar muitas mulheres, sempre tivemos essa vontade. Por causa do projeto, eu abri a mente para a necessidade de ter a minha própria renda, estudar, fazer um curso. Também, no serviço social, nós planejamos ajudar mulheres em situação de violência doméstica, cadeirantes, pessoas em situação de risco a terem um trabalho e viver de sua própria renda".

Trajetória
A Associação Mulheres de Ação nasceu em 2018, a partir do que seria apenas um café da manhã para comemorar o dia 8 de março, em uma igreja local, e não parou por aí. Aberto para a comunidade, o projeto começou com dezesseis mulheres que decidiram se reunir em casa para fazer artesanato e mostrar a importância da mulher no núcleo familiar, além de elevar a autoestima umas das outras.
“Tudo começou quando, no momento daquele café, eu senti e vi uma grande necessidade na vida daquelas mulheres. No olhar, na maneira de se vestirem, na carência delas, eu senti mais e mais o desejo de continuar esse trabalho. A partir daí, montei o Grupo Mulheres em Ação, que hoje se chama Mulheres de Ação, e começamos a nos reunir para fazer artesanato, confraternizações, jantar para o dia das mulheres, dos pais, brindes. Quando víamos mulheres com mais dificuldades que a gente, corríamos atrás de cestas básicas, para alegrar o coração daquela mulher”, contou Núbia.

Dificuldades
Apesar de tão relevante para a economia e sustentabilidade, o artesanato ainda enfrenta barreiras e busca por parceiros que acreditem na importância do trabalho da mulher dentro da comunidade para o resgate das famílias e da economia local. Núbia nos contou um pouco das dificuldades do dia a dia e dos sonhos para o futuro.
"Hoje, nossa maior dificuldade é com o custo do material. Muitas mulheres não tem dinheiro nem para elas. Mas nosso objetivo, daqui a 2 anos, se Deus quiser, é ter uma Feira Livre fixa comunitária, para que possamos trabalhar e aumentar a renda de cada mulher; gerar empregos informais para os comunitários; sede própria para confeccionar os artesanatos, fazer as ações sociais e oferecer cursos profissionalizantes para a comunidade".
Com a falta de apoio financeiro para o projeto, muitas mulheres saíram e o grupo conta apenas com 10 trabalhadoras ativas, que com a venda dos produtos conseguem ajudar a comunidade.
"Aqui o nosso projeto é a união faz a força. Nos reunimos, cada uma dá um pouco e nós conseguimos comprar os materiais e vender. Com o dinheiro das vendas, nós conseguimos comprar outras coisas e ajudar a comunidade", contou a artesã Raiane da Silva Santos, 30.
Como fazer parte
As profissionais oferecem diversos cursos, entre ele, Flores e grinaldas, sabonetes aromáticos, confecção de canetas, tiaras, colar de miçangas, produção de chocolate, balas, confecção de bolsas. No momento, estão abertas as inscrições para os cursos de Cestas básicas e de Flores. Os encontros acontecem todas as segundas e quartas-feiras, às 14h, na casa da Núbia, localizada na Rua 13, n 464, bairro Alfredo Nascimento.
Os interessados em fazer parte do projeto e que gostariam de conhecer um pouco mais, podem entrar em contato pelo telefone (92) 99445-8017.
Para ajudar financeiramente, podem enviar um PIX para (92) 994458017 (Nerley Pinheiro).
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