Manaus, 30 de May de 2026   |  

Arthur Neto perde comando do PSDB para Plínio Valério e anuncia saída do partido: "mediocridade"

Política | 18/11/2022 - 10:28
Por: Jornalismo/Canal92AM
Foto: Divulgação

Arthur deixa o PSDB e não esconde as mágoas

O ex-senador e ex-prefeito de Manaus Arthur Neto anunciou pelas redes sociais sua saída do PSDB. A decisão vem em seguida ao anúncio de que o senador Plínio Valério será o novo presidente do partido no Amazonas. A derrota nas eleições para o Senado, o fato do partido não eleger nenhum deputado estadual no estado e o desgaste no período de campanha são apontados nos bastidores como causas do fim do casamento.

Arthur deixou claro em sua nota que se sentiu traído pelo presidente do partido, Bruno Araújo. O agora ex-tucano diz que foi avisado pelo filho que havia perdido o comando da sigla. Arthur tentou ser candidato a presidente pelo PSDB, disputou as prévias com João Dória e Eduardo Leite, mas sequer esteve na lista de favoritos para vencer a disputa.

“Obrigado, portanto, por me propiciar a oportunidade de sair, de cabeça erguida e aliviado da carga que já não me agradava carregar. Fico feliz, porque me machucava bastante o coração ver aquele que já foi o melhor - e de mais significativo legado - partido da história republicana brasileira se descaracterizar e se ir transformando numa agremiação parecida com tantas outras, filhas da mesmice, da irrelevância e da mediocridade”, aponta o ex-senador.

Nem o PSDB e nem o senador Plínio Valério se manifestaram até o momento sobre os acontecimentos. Arthur afirma que não vai falar do futuro agora. “Nem posso dizer se, um dia, me filiarei a algum outro partido”, garante o ex-prefeito.

Veja a nota:

Presidente Bruno Araújo,

Fiquei feliz e aliviado quando soube, pelo meu filho e só por ele, da decisão do PSDB de entregar o comando regional do Amazonas a um grupo de pessoas às quais desejo felicidades, êxitos, distância da corrupção e independência em relação a certos partidos e certos políticos.

Fico feliz, porque me machucava bastante o coração ver aquele que já foi o melhor - e de mais significativo legado - partido da história republicana brasileira se descaracterizar e se ir transformando numa agremiação parecida com tantas outras, filhas da mesmice, da irrelevância e da mediocridade.

Minha lealdade e senso de responsabilidade me impediram, durante um bom tempo, de abandonar o partido que, incontestável e efetivamente, ajudei a construir.
Fiz parte da 1ª Executiva Provisória do MDB, no Rio de Janeiro, por indicação da liderança estudantil, para confrontar o adesista governador Chagas Freitas e não permitir que o partido de oposição à ditadura fosse dominado pelos que tinham apego mórbido a cargos e vantagens públicos.

Daí em diante foi uma sequência de missões que, inapelavelmente, me levavam a lutar com muita força pelo restabelecimento do regime democrático.

Conquistada a democracia, muitas lutas passaram a ser motivo de vida para meu cérebro e meu coração.

Fui deputado federal e senador por 20 anos, duas vezes líder congressual do presidente-estadista Fernando Henrique Cardoso, que me conferiu a honra de poder colaborar com o Brasil na condição de Ministro-Chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República. Como senador, liderei a brilhante, influente e numerosa bancada de senadores tucanos, atuando na trilha de uma oposição dura e sensata ao presidente Lula da Silva. Capitaneamos a derrubada do imposto injusto, que cobrava a mesma alíquota de ricos e pobres: a prejudicial CPMF. E mostramos ao presidente reeleito que, com aquela bancada respeitável a vigiá-lo, ele jamais conseguiria o que era, na verdade, o “venezuelano” terceiro mandato.

Muito bem, prezado presidente Bruno. Agradeço seu gesto. Essencial para entender a índole daqueles que hoje dirigem um partido decadente, que já foi o mais respeitado no país, com reflexos mais que positivos no exterior. Mas volto a agradecer sua atitude, para mim uma alforria, uma libertação. O futuro a Deus pertence. E como bem dizia o poeta Ronaldo Cunha Lima, “em política, ninguém mata, ninguém morre”.

Há futuro pela frente e, para mim, nem posso dizer se, um dia, me filiarei a algum outro partido.

Meu coração diz que não; vamos ver a mensagem do cérebro.

Comunico—lhe, enfim, minha desfiliação do partido que recebeu quase 35 anos da modesta contribuição que eu e minhas limitações lhe poderiam emprestar.

Saudações democráticas,
Arthur Virgílio Neto

E-mail: [email protected]

Fone: (92)99179-2465

© 2022. Canal 92 AM - Todos os direitos reservados