As novas deputadas tomam posse no dia 1 de janeiro de 2023
Em 2023, a Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam) vai contar com dois novos nomes de mulheres, Mayra Dias (Avante) e Débora Menezes (PL), eleitas no último domingo (2), que se unem à Alessandra Campelo (PSC), Dr Mayara Pinheiro (Republicanos) e Joana Darc (União Brasil), que foram reeleitas no pleito. Entretanto, apesar das novas deputadas, a bancada feminina não cresceu e continua com a mesma representatividade da legislatura anterior.
O número poderia ter sido maior, mas a deputada Therezinha Ruiz (PL) não se reelegeu e Nejmi Aziz (PSD) decidiu não disputar o pleito. Com isso, a bancada feminina segue com cinco parlamentares e soma 20% dos assentos da Aleam.
O número também é considerado pequeno se comparado a quantidade de mulheres que disputaram as eleições deste ano.
Das 420 candidaturas registradas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para deputado estadual no Amazonas, 143 eram de mulheres.
Mas apesar disso, a Aleam vive um momento histórico com as cinco deputadas eleitas, pois a composição da Assembleia, em anos anteriores, teve, no máximo, duas mulheres, havendo várias vezes em que nenhum cargo de parlamentar era ocupado por uma única mulher.
Um dos destaques da eleição deste ano foi exatamente uma mulher. Joana Darc conquistou 87.182 mil votos e se tornou a mulher mais votada da história do Amazonas. O feito deve ser comemorado, pois a crescente participação de mulheres na política possibilita que as pautas classificadas como “femininas” tenham maior visibilidade no poder público e recebam um tratamento adequado.
Alessandra Campelo recebeu 48.533 votos, Mayra Dias recebeu 34.563 votos, Débora Menezes teve 32.406 e Dra Mayara com 29.932 votos no pleito deste ano.
Alessandra, que é presidente da Comissão da Mulher, comemorou o resultado das urnas e destacou que é a primeira vez que cinco mulheres são eleitas diretamente, pois, no último pleito, Nejmi tinha ficado como suplente e assumiu o cargo após Augusto Ferraz (UB) ser eleito prefeito de Iranduba.
“Hoje é um dia histórico para as mulheres do Amazonas. Pela primeira vez na história desta Casa foram eleitas diretamente cinco mulheres. Isso é um número recorde de parlamentares mulheres eleitas no Amazonas”, disse durante pronunciamento na tribuna.
Para o cientista político Helso Ribeiro, um dos principais fatores que impede o crescimento da representatividade feminina no parlamento é a falta de recursos destinados pelos partidos para as candidaturas de mulheres.
“O Brasil vive vergonhosamente na lanterna de representação feminina no parlamento. Isso se dá, acima de tudo, porque as mulheres não recebem os mesmos recursos que os caciques partidários destinam para homens. Por exemplo, um entra com um milhão e outro com um tostão, esse que entra com mais dinheiro tem como ter uma equipe imensa de apoio, o que facilita a eleição”, afirma.
Segundo ele, enquanto não se fizer uma reforma da estrutura eleitoral, infelizmente, a baixa representatividade feminina vai continuar existindo, o que considera lastimável.
Cenário nacional
O número de mulheres eleitas para ocupar cadeiras na Câmara dos Deputados cresceu 18% nas eleições de domingo, dia em que foi definida a composição dos 513 deputados federais para os próximos quatro anos. Apesar do aumento de 77 para 91 parlamentares mulheres, o maior número da história, elas ainda representam 17,7% do parlamento federal, segundo levantamento feito pelo +Representatividade, em parceria com o Instituto Update.
© 2022. Canal 92 AM - Todos os direitos reservados