O homem que mais comandou o Amazonas, Amazonino Armando Mendes será lembrado não apenas por seus aliados, como também por seus adversários políticos. Neste domingo (12), data da morte do ex-governador, políticos que estiveram em oposição ao cacique político em alguns pleitos usaram as redes sociais para enaltecer a figura pública que foi Amazonino: advogado, empresário e notável político.
Natural de Eirunepé (município distante 1.160 quilômetros de Manaus), na calha do rio Juruá, Amazonino ingressou na política na década de 1960, quando disputou o cargo de deputado estadual, mas acabou não eleito.
Só assumiu cargo político em 1983, quando foi bionicamente prefeito de Manaus. Naquela ocasião, o ex-governador Gilberto Mestrinho, o "Boto Navegador", indicou o nome de Amazonino para o cargo de chefe do Executivo Municipal na capital amazonense e o nome foi aceito pelos deputados estaduais da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam).
Depois que virou prefeito, o advogado ainda venceu duas eleições municipais, comandando a Prefeitura de Manaus por três vezes. Depois, tornou-se o único nome a passar mais tempo no comando do Estado por quatro mandatos e foi senador da República. Seu legado, acima de tudo, será lembrado por grandes obras ao Amazonas.
O renomado político foi o gestor que mais construiu hospitais no Estado: ergueu 47 hospitais no interior amazonense, sendo 18 de referência, além de diversas unidades de alta complexidade em Manaus, como os hospitais João Lúcio e Francisca Mendes.
Seu legado despertava a ira da oposição, mas até seus adversários se curvaram para reverenciar o trabalho em prol do povo do Amazonas.
Neste domingo, assim que foi divulgada a notícia da morte do ex-governador, vários políticos locais e nacionais, incluindo o presidente Lula (PT), se pronunciaram com homenagens ao "Negão", como Amazonino era carinhosamente conhecimento pelos seus eleitores.
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O professor de direito e analista político, Helso do Carmo Ribeiro, analisa que o respeito pela figura do Amazonino se deve muito ao comportamento de respeito que o ex-governador sempre adotou diante de seus adversários.
"Amazonino sempre foi um adversário leal para seus opositores. Nunca adentrou no campo pessoal ou familiar e isso fazia dele alguém que se respeitasse enquanto adversário. Não é à toa que todos os políticos só tecem apoio a ele", avaliou o analista político.
Conhecido pelo jeito irreverente, o "Negão" tinha como marca, além do tradicional chapéu, a proximidade com o povo do Amazonas, por quem sempre foi abraçado e celebrado. Ele fazia questão de manter um diálogo aberto, direto e sem barreiras com a população, tornando-se parte das famílias amazonenses.
Entre as maiores contribuições de Amazonino Mendes está a criação da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), que tem mais de 20 anos de existência e forma milhares de profissionais todos os anos, em polos distribuídos por todo o Estado.
O ex-governador também deixou legado para a Cultura amazonense, com a construção do Bumbódromo de Parintins, palco do maior festival a céu aberto do mundo com os bois Caprichoso e Garantido, esse último o boi favorito de Amazonino. A diretoria do bumbá vermelho e branco decretou luto oficial de três dias pela morte do político.
Amazonino foi também o responsável pela reforma do Teatro Amazonas, que foi eleito pelo voto popular o monumento histórico mais bonito do Brasil, de acordo com o site português Angi, que analisou monumentos de 132 países.
O "Negão" também foi o responsável pela criação do Liceu de Artes e Ofícios Cláudio Santoro, que completou 24 anos de fundação, e é responsável por capacitar jovens carentes por meio de projetos voltados à Cultura e as Artes.
Homem do povo e filho do interior, Amazonino também era grande incentivador do setor primário, tendo criado programas como o "Terceiro Ciclo", para distribuir insumos e implementos agrícolas.
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