Foram cumpridas 502 medidas cautelares, dentre quebras de sigilos bancários, fiscais, financeiros
A Polícia Civil, através da Delegacia de Repressão aos Crimes de Lavagem de Dinheiro do Departamento Estadual de Investigações do Narcotráfico (Denarc), deflagrou nesta quarta-feira (22), a Operação Pegasus, em dez Estados Brasileiros. A ação tem o objetivo de reprimir delitos de lavagem de capitais e de organização criminosa oriundos do narcotráfico gaúcho e seus associados distribuidores estaduais e nacionais. A investigação iniciou a partir de apreensões de fuzis e cocaína no bairro Cascata, em Porto Alegre, junto a facções regionais.
Segundo o delegado Adriano Nonnenmacher, no decorrer da investigação e no dia de hoje, foram solicitados e cumpridas 502 medidas cautelares, dentre quebras de sigilos bancários, fiscais, financeiros, bursátil, telemáticos, mandados de busca, prisões, indisponibilidade de bens móveis, imóveis e ativos financeiros/mobiliários na bolsa de valores e em criptomoedas. No dia de hoje estão sendo cumpridas também 21 prisões, dentre preventivas e temporárias, e 63 mandados de busca, em um total de 58 investigados.
Investigação
A investigação, que durou um ano, apurou que duas facções gaúchas, com lideranças na zona leste da Capital e da grande Porto Alegre, estão em associação a uma grande facção paulista, para a distribuição maciça de cocaína e maconha em solo gaúcho, bem como integrando uma rede nacional de lavagem de dinheiro do narcotráfico interestadual e a respectiva distribuição de lucros.
A investigação apontou a existência de células interligadas nestes 10 Estados (e outros sob investigação), todas ligadas a um pólo de operadores financeiros pessoas físicas e jurídicas no Estado de São Paulo, alvo de mandados e prisões no dia de hoje, com indícios de ligação ao alto escalão/sintonia fina.
A organização criminosa investigada movimentou em um ano quase 348 milhões de reais (R$ 347.385.656,90). Além de indisponibilidade de ativos em moeda corrente nacional e dólares, exchanges foram identificados com criptomoedas dos alvos e estão com bloqueios de ativos no dia de hoje.
A DRLD/Denarc espera que os sequestros no dia de hoje se aproximem deste valor, ao serem bloqueadas 93 contas bancárias, ações na bolsa de valores e em 41 exchanges/corretoras, visto que o modus operandi principal da quadrilha é uma lavagem de capitais sofisticada, não fixando grande patrimônio imobiliário em nome próprio ou de laranjas, nem muitos veículos, mas sim usando o sistema financeiro nacional com centenas de transações bancárias diárias dissimuladas, pulverização, fracionamento, smurfing, uso de cheques ao portador para saques em espécie em vários Estados, fronteiras, zonas portuárias, uso de bancos digitais com dezenas de transações diárias em um mesmo CPF ou CNPJ para burla a fiscalizações administrativas, uso de financeiras, depósitos e saques em lotéricas, mescla de ativos ilícitos e lícitos em empresas reais, integralização de capital espúrio em algumas destas pessoas jurídicas, criação de transportadoras e exchanges próprias, uso de criptoativos e câmbio de dólar no sul do Rio Grande do Sul, pagamentos a transportadores de drogas nas fronteiras do Mato Grosso do Sul, Rondônia e Amazonas, bem como junto aos Portos de Paranaguá/PR e Rio Grande/RS. A finalidade é circular dinheiro de forma dissimulada, para chegar a destinos finais, em espécie via sistema financeiro tradicional (com emaranhado de transações bancárias propositais) e criptomoedas, evitando perdas imobiliárias por ações policiais, orientando-os a não comprarem imóveis, ou veículos de luxo para não ostentarem e chamar a atenção de autoridades. Ainda assim, estão sendo indisponibilizados 30 veículos e quatro imóveis, além dos valores apreendidos em espécie no decorrer da investigação (total aproximado de 3 milhões de reais). Cerca de 101.800 transações bancárias ilícitas foram encontradas e analisadas.
As cidades abrangidas na operação são Porto Alegre, Canoas, Cachoeirinha, Alvorada, Eldorado do Sul, Santa Vitória do Palmar, Chuí, Garopaba/SC, Matinhos/PR, Palotina/PR, Franco da Rocha/SP, Francisco Morato/SP, Ponta Porã/MS, Pouso Alegre/MG, Goiânia/GO, Salvador/BA, Porto Velho/RO e Humaitá/AM.
Foi comprovado, nos mesmos moldes da Operação Irmandade, da DRLD/Denarc em 2021, que facções gaúchas enviam pagamentos de logística e distribuição de lucros à facção paulista. Na operação de hoje, ainda mais comprovado tal fato, visto que identificado o núcleo financeiro principal em São Paulo.
Os indivíduos usam empresas reais, para a mescla, devidamente comprovada esta fase do crime de lavagem de capitais, sendo que estão sendo bloqueados ativos destas empresas em São Paulo e Mato Grosso do Sul. Também realizaram, durante a investigação, milhares de transações bancárias para o afastamento, mediante dissimulação, usando de tipologias de fracionamento para burla a fiscalizações (valores pouco abaixo de 10, 50 e 100 mil) e smurfing, remessas em baixos valores em muitos casos (usando correspondentes lotéricos, bancos digitais, saques em espécie, câmbio dólar, saques em praças de fronteira e portos após emissão de cheques ao portador, criação de pessoas jurídicas interestaduais de fachada para gerenciamento de contas direto de São Paulo e recebimento de créditos de traficantes gaúchos e nacionais, dentre outras condutas sofisticadas).
De forma simultânea, diariamente, entre toda a gama de gerentes e laranjas - operadores de vulto - passavam os créditos espúrios de um banco para outro, em contas de sua própria titularidade, entre diferentes bancos tradicionais, digitais e exchanges de criptomoedas, para depois enviar a outros comparsas, com o fito de criar um emaranhado doloso de transações bancárias para afastar da origem ilícita e tentar impedir rastreio contábil até a chegada ao destinatário final, que passava a usar o valor branqueado em espécie.
*Com informações da assessoria
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