Nesta sexta-feira (21), o ex-ministro do GSI prestou cinco horas de depoimento à Polícia Federal. Ele disse que não prendeu os vândalos no Palácio porque estava fazendo um gerenciamento de crise. O ex-ministro disse ainda à PF que não foi convidado para as reuniões de preparação da segurança do dia 8 de janeiro.
Gonçalves Dias chegou à sede da PF, em Brasília, pouco antes das 9h. Ele e falou por quase cinco horas. "G.Dias", como é conhecido em Brasília, foi chamado para explicar a atuação dele durante a invasão do Palácio do Planalto no dia 8 de janeiro.
No depoimento, o ex-ministro disse que ao assumir o Gabinete de Segurança Institucional, no dia 2 de janeiro, durante cerca de cinco dias estava ainda se ambientando às funções, haja vista que não houve passagem de função com o ministro anterior, general Augusto Heleno.
Gonçalves Dias afirmou que sua função como chefe do GSI não se confunde com as atribuições de militares das Forças Armadas; e que cabia ao Exército Brasileiro fiscalizar e regular e, se fosse o caso, retirar os acampamentos onde manifestantes golpistas se reuniram antes dos atos de janeiro.
O general da reserva disse que achou um absurdo o GSI não ser convidado para participar da reunião na Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal, onde foram delimitadas, no plano de ações integradas, as atribuições das instituições de Estado no fim de semana em que ocorreram os ataques golpistas. Os planos de ações integradas são traçados antes de manifestações. Na ata da reunião citada por Gdias no depoimento, não há menção a participantes do GSI.
O ex-ministro afirmou que nos dias que antecederam os ataques não ordenou o monitoramento dos acampamentos por agentes do GSI e da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), que, à época, era vinculada ao gabinete. Disse que não recebeu qualquer relatório de inteligência sobre o aumento do fluxo de ônibus e chegadas de pessoas à Brasília. E que recebeu vários relatórios da Abin, mas nenhum tratando das manifestações.
Ele afirmou que um dia antes dos ataques, o efetivo do GSI, dentro da classificação de risco, era regular, e que, no dia 8, ao perceber a ineficiência das forças de segurança distritais para conter os ânimos exaltados e ações criminosas de alguns manifestantes, solicitou reforço por volta das 14h50 ao Comando Militar do Planalto.
G.Dias disse que chegou na região do Palácio do Planalto nesse horário, e que teve conhecimento de que o prédio foi invadido às 15h41, mas que entrou no local às 16h. O general estimou que o efetivo do batalhão da Guarda Presidencial no momento era de cerca de 30 militares.
O general da reserva disse que não sabia informar se houve demora do Exército no envio de reforço; que dentro do Palácio do Planalto, foi para o quarto andar, e verificou que havia invasores sendo retirados por agentes do GSI. Em seguida, G.Dias disse que desceu para o terceiro piso, onde fica o gabinete presidencial, e passou a relatar a atuação dele para conter os vândalos.
Ele afirmou que após descer para o 3º andar fez uma varredura e encontrou outros invasores na sala contígua e que conduziu essas pessoas à saída e que, nesse momento, solicitou reforço à Tropa de Choque da Polícia Militar para apoiar na prisão dos invasores.
Perguntado por que conduziu os invasores e não os prendeu, respondeu que estava fazendo um gerenciamento de crise e que essas pessoas seriam presas pelos agentes de segurança no 2° piso, tão logo descessem, pois esse era o protocolo; e que não tinha condições materiais de sozinho efetuar prisão das três pessoas ou mais que encontrou no 3° e 4° andar, sendo que um dos invasores encontrava-se altamente exaltado.
G. Dias negou que tenha dado ordem para evacuar os invasores do prédio, mas, se por ventura algum de seus subordinados deu essa ordem, não foi de seu conhecimento.
Sobre o episódio envolvendo o major José Eduardo Natale de Paula Pereira, que nas imagens aparece dando água para um dos vândalos, G.Dias afirmou que era preciso analisar as circunstâncias do momento, mas que, se tivesse presenciado a cena, o teria prendido.
Gonçalves Dias disse, também, que as imagens divulgadas do circuito interno do Palácio do Planalto sofreram um corte e edição na gravação de aproximadamente 30 minutos, ficando claro que não estava no mesmo tempo em que o major entregou a garrafa de água.
No fim do depoimento, o ex-ministro falou sobre a noite do dia 8 de janeiro. Ele afirmou que entendeu não ser conveniente e seguro a prisão dos vândalos no acampamento sem planejamento e em razão dos ânimos exaltados e a presença e de famílias, idosos e crianças. E confirmou que o presidente Lula falou por telefone com o general Gustavo Henrique Dutra, então comandante militar do Planalto, sobre o acampamento, que só foi desmontado no dia seguinte, com a prisão de mais de mil pessoas.
O general da reserva disse que que houve um “apagão" geral da inteligência das forças de segurança pela falta de informações. Afirmou, por fim, que entregou todas as filmagens das câmeras de segurança do Palácio do Planalto para as instituições de Estado, sem nenhuma omissão de imagens.
Com informações de G1
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